Reportagem

Famílias comemoram Natal com limitações

Manuela Gomes

Jornalista

O surgimento da pandemia da Covid-19, há dois anos, trouxe consigo muitas limitações no dia-a-dia das pessoas. A exemplo disso, está o modo como, durante esse período, as pessoas passaram a celebrar a festa de natal.

25/12/2021  Última atualização 07H05
As enchentes nos mercados informais permitem o crescimento de mais casos de Covid-19 © Fotografia por: Vigas da Purificação
Caracterizada, habitualmente, por momentos de confraternização entre familiares e amigos, este ano, tal como em 2020, e agora com o aumento exponencial de casos da Covid-19, temos um Natal atípico.  As grandes festas e momentos em família, passaram a ser marcados por encontros reduzidos em pequenos grupos de pessoas.

Edvânia Silva, cultivava o hábito de passar o momento da ceia em casa,  rodeada de um grande grupo de familiares e amigos, mas este ano isso não será possível, pois a pandemia  obriga a adopção de novas regras de festejo. "Normalmente, em dia de Natal, tinha o hábito de receber muitas pessoas em casa, mas agora com o surgimento do novo coronavírus estou consciente  de que isso já não pode acontecer, pelo menos tão cedo”, disse. 

"Nós gostamos, em tempo de festa, de ter a casa cheia com pessoas que gostamos, mas estas restrições vem, de certo modo, colocar um freio neste modo da nossa africanidade", sublnhou.
 
Edvânia Silva sublinhou que este ano, em obediência às medidas restritivas, vai celebrar o Natal apenas com as pessoas de casa - dois filhos e esposo - para evitar a concentração de um grande número de familiares. Como ela, Tirshia dos Santos, residente numa das centralidades de Luanda, também tinha o hábito de festejar o Natal a grande, no seu apartamento, servir "grandes banquetes” para receber amigos e familiares. Neste Natal não será possível isso acontecer, pois a pandemia  "impôs   medidas”.

À nossa reportagem conta que, anualmente, passava o Natal em casa da mãe, onde se reunia com irmãos, filhos, cunhados, sobrinhos e primos ou então em casa da sogra. Infelizmente, em vésperas deste Natal, houve o surgimento de um caso positivo em cada uma das residências. Embora estes estejam controlados, em isolamento e em boa recuperação ainda assim, deve-se evitar o contacto com estas pessoas. 

O casal Mansua também partilha da opinião de que neste período deve-se evitar as grandes festas que antes se realizavam nos quintais, salões e em outros recintos. "Fica sempre aquela saudade, vontade de estar entre amigos e familiares, mas este ano decidimos sair para um jantar íntimo, num clima mais calmo e restrito para brindarmos a festa de Natal”, conta o casal. 


Cristãos celebram nascimento de Cristo

O Natal é uma data comemorativa que simboliza o nascimento de Jesus Cristo. Esta celebração acontece há mais de 1.600 anos no dia 25 de Dezembro. Durante muitos anos após o seu nascimento, essa comemoração era feita em dias diferentes, pois não se sabia a data exacta do seu nascimento.

Foi somente no século IV que se estabeleceu a comemoração do Natal no dia 25 de Dezembro, pelo Papa Julius. Além da inexistência de documentos históricos que confirmem a data de nascimento de Cristo, uma das explicações para a escolha do dia 25 eram as festas pagãs que costumavam ser realizadas nesse dia.

Essa era a data em que os romanos comemoravam o solstício de Inverno. A celebração era uma homenagem ao Deus Sol (natalis invicti solis) e era o momento em que os romanos pediam fartura. Anos mais tarde, o Deus Sol foi substituído por Mitra, um Deus da mitologia grega.

Além desses rituais, outra celebração que pode ter influenciado a definição da data do Natal é o Yule ou Jól, uma comemoração realizada pelos nórdicos da Era Viking, também em celebração ao solstício de Inverno. Acredita-se que a escolha do dia 25, portanto, era uma forma de conseguir mais adeptos ao cristianismo, utilizando algumas referências dos rituais pagãos.


Actividades religiosas

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em Luanda, iniciou as comemorações do Natal no dia 15 de Dezembro, com a realização de um retiro com os vários movimentos (grupos) daquela paróquia e que serviu para reflectir sobre a data.

Em entrevista ao Jornal de Angola, o pároco daquela congregação, Miguel Chacachama, disse que este dia não deve ser marcado apenas por festas. "Deve, também, servir para meditação naquilo que nos marcou na vida, se estamos mais virados para as tendências do mal ou  para as tendências do bem. Também é dia de perdão", referiu.

O pároco realçou que cada um tem as suas escolhas, mas sublinhou que a  sua vida pessoal deve ser sempre marcada com um momento introspectivo.

"O retiro foi mais para nos ‘descarregarmos’ de nós mesmos e estarmos mais virados para o próximo, porque afinal sem os outros a nossa vida não tem sentido", defendeu.

Na semana  de 15 a 24, a paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, realizou, também, a "Novena" (reza de um conjunto de orações, em particular ou em grupo, durante o período de nove dias). "Preparamo-nos para o Natal ao ritmo das leituras e orações", explicou.

Para o padre, o Natal está ligado à criança, "uma criança que é um Deus que habita entre nós que nasceu para nos falar a linguagem humana como irmãos, por isso se chama "Emanuel" (Deus connosco!).

No  dia 21, fiéis daquela congregação confraternizaram com algumas pessoas de rua. Ontem, a igreja realizou a habitual celebração das 18 horas, enquanto no dia de hoje acontece a missa única no período da manhã.
 
A paróquia de Nossa Senhora de Fátima, nesta quadra festiva, vai hoje, levar a cabo o  habitual programa de Natal com a celebração da missa em três períodos.

Os mais necessitados também terão uma atenção especial. Serão agraciados com uma refeição (sopa). Para o dia 31 está programa a celebração de acção de graças e uma missa no dia 1 de Janeiro, marcado como o Dia Mundial da paz.

A Igreja Metodista Unida de Boa Esperança, para este Natal, programou as festividades com as "classes" com a apresentação de textos bíblicos, poesia e hinos que retratam o anúncio até ao nascimento de Jesus Cristo.

O dia de hoje está reservado ao para o habitual culto dominicano que, segundo o director de programas da Igreja Metodista da Boa Esperança, Marino Eduardo, dará uma especial atenção às crianças que vão agraciar o culto com a entoação de hinos e de poesias. Este período de preparação vai encerrar  a realização de uma vigília que terá inicio na noite de 31 para o dia 1 de Janeiro. 


História do Natal

Jesus Cristo nasceu em Belém (Palestina) e era filho de José e Maria. José era um judeu e precisava ir para Belém participar de um censo que seria realizado pelo Império Romano, de acordo com as histórias bíblicas.  José e Maria saíram de Nazaré e viajaram 140 kms até Belém, pelas margens do Rio Jordão. Maria fez a viagem montada n uma mula, pois precisava poupar energias para o parto. Chegando à cidade, Maria e José não conseguiram lugar na hospedaria, por estar  lotada. O casal,  foi então colocado numa caverna que era utilizada como estábulo.

Maria deu à luz Jesus Cristo naquela noite e colocou o bebé numa manjedoura. Logo após o  seu nascimento, Maria e José receberam a visita dos Três Reis Magos - Melchior, Baltazar e Gaspar. Segundo histórias da Bíblia, os Reis Magos foram guiados pela Estrela de Belém até ao local do nascimento e entregaram como presentes à família ouro, mirra e incenso.


Significado dos Símbolos

A árvore de Natal é um dos símbolos mais populares. Há muitas versões sobre a associação da árvore ao Natal. Uma delas é que o formato triangular do pinheiro representaria a Santíssima Trindade. O costume de trazer árvores para dentro de casa e enfeitá-las data da Antiguidade, mas começou a ser utilizada pelos cristãos por volta de 1500, com Martinho Lutero.

O Papai Noel é um dos símbolos mais importantes do Natal.  A sua criação foi inspirada no bispo São Nicolau, que costumava ajudar as pessoas pobres e foi canonizado pela Igreja Católica. A primeira imagem do Pai Natal foi desenhada pelo alemão Thomas Nast, no final do século XIX. Esse desenho inspirou Haddon Sundblom, o desenhador que criou o Pai Natal para as publicidades da Coca-cola.

As propagandas do refrigerante foram responsáveis pela popularidade da imagem do Papai Noel como conhecemos hoje.

A tradição do presépio foi iniciada por São Francisco de Assis no século 13, quando ele reproduziu a cena do nascimento de Jesus Cristo com objectos. De origem hebraica, a palavra presépio significa manjedoura de animais ou estábulo.
Actualmente, é comum as pessoas montarem os  seus presépio próximos à árvore de Natal.

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