Desporto

Falta de iniciativa “bloqueia” desporto federado

O impasse na retoma da actividade desportiva federada é, por estes dias, o maior desafio à classe dirigente desta área, no sentido de provar o propalado pragmatismo daqueles que, presumivelmente têm poder decisório e nos quais se deposita confiança para dar o melhor destino ao desporto nacional.

19/08/2020  Última atualização 14H38
DR © Fotografia por: Vivaldo Eduardo na imagem

Após mais de 4 meses de inactividade e perto de dois mil infectados pela Covid–19, os instrutivos do Executivo angolano continuam a realçar a paragem forçada das actividades desportivas de carácter oficial.

Entretanto, os praticantes ocasionais podem exercitar-se para manter a saúde, numa altura em que muitas famílias de jogadores profissionais perderam o sustento, pois há clubes que deixaram de pagar salários.

Sendo verdade que não estão reunidas as condições para realizar provas oficiais de modalidades colectivas, não é menos verdade que os protocolos médicos indicam muito menor risco para várias disciplinas individuais, como o Tiro, Ténis, Natação, Vela, Remo, Ginástica e algumas especialidades do Atletismo.

É pois um contra-senso colocar todas as modalidades no mesmo pacote.

Um dos grandes e reconhecidos obstáculos ao regresso às competições é o elevado custo dos testes à Covid–19 que, num cenário de provas oficiais, devem ser realizados com periodicidade semanal, no mínimo.

Estado e instituições desportivas devem arregaçar mangas para buscar soluções, pois, trata-se de um problema ao qual nenhuma das partes deve estar alheia, caso (re)conheça efectivamente a importância da prática desportiva para a sociedade.

Por outro lado, como se constata um pouco por todo o Mundo, há a possibilidade de retomar o treino dos atletas profissionais, com limitações que assegurem a manutenção das medidas de biossegurança.

Assistimos todos os dias, em vários países, a retoma gradual do processo de preparação dos jogadores, por via de treinos individuais, ou, em grupos reduzidos, ainda sem qualquer contacto, como prólogo do reinício das competições desportivas, naquilo que será o novo normal, face aos condicionalismos impostos pela pandemia.

Internamente, a actividade desportiva não oficial é permitida, há alguns meses. No entanto as autoridades não a têm fiscalizado devidamente, como provam os vários jogos que continuam a ser disputados nos bairros.

Aliás, tirando o bom senso dos praticantes ocasionais, pouco mais se pode fazer, num universo de tantas pessoas a exercitarem-se nos mais distintos pontos do país.

Ao contrário, nos treinos oficiais (ainda proibidos) facilmente se poderia aferir o cumprimento das medidas por parte dos clubes que são entidades reconhecidas.

Essas questões de pormenor, não teriam que ser necessariamente acauteladas pelo ministro de Estado da Casa Civil do Presidente da República. Sequer estão no rol de prioridades da Comissão Interministerial de Combate à Covid-19, reconhecendo-se o desporto como actividade não essencial.

Porém, os jogadores profissionais e funcionários ligados ao desporto deve(riam) contar com os seus líderes para fazer passar essa mensagem de forma veemente.

É inaceitável que os comandantes não mostrem o estoicismo e arrojo que a própria actividade desportiva exige, para retirar os liderados da encruzilhada em que, por força da Covid–19, o desporto federado nacional ficou “confinado”.

A “garra” dos dirigentes não deve aparecer somente para a disputa das eleições a novo mandato, como se vê com frequência, nos últimos tempos, mas também para a mais elementar defesa da própria actividade.

De mais a mais, algumas confederações africanas e federações mundiais ofereceram verbas para apoio ao combate à pandemia e estes valores podem e devem reforçar essa luta comum.

Minjud, Comité Olímpico, federações nacionais, associações provinciais e de treinadores, integram o vasto rol de entidades que, da mesma forma que clamam para si o mérito, nas conquistas desportivas, devem mostrar coragem para avançar soluções, mesmo que as mesmas não estejam na linha das decisões do Executivo.

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