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Falta de emprego e de serviços limitam o desenvolvimento no Cuito

Os representantes das diferentes comunidades do município do Cuito apresentaram hoje, no Cuito, província do Bié, preocupações transversais e focaram as intervenções na falta de emprego, educação e formação profissional e no acesso a cuidados adequados de saúde pública.

19/10/2019  Última atualização 19H04
José Cola |Edições Novembro © Fotografia por: Presidente recebeu explicações sobre o novo Sistema de Abastec imento de Água do Cuito

O Conselho de Auscultação da Comunidade (CAC) contou com sala quase cheia e com a participação do Presidente João Lourenço.
Pedro Sabino, representante dos Antigos Combatentes, aproveitou a ocasião para apresentar dificuldades ao nível do acesso à habitação, emprego, assistência social e saúde condignas.
“Grande parte dos antigos combatentes, especialmente os mais idosos, vivem sem meios de subsistência adequados, o que potencia o sentimento de injustiça e exclusão social”, garantiu Pedro Sabino.
Na resposta à sua intervenção, o Titular do Poder Executivo lembrou que, no que diz respeito à habitação, o Estado não pode ser o único agente a construir moradias para os cidadãos.
“O Estado não vai deixar de edificar habitação social. Mas o sector deve abrir-se à actividade privada imobiliária e contar com a colaboração dos cidadãos ao nível da autoconstrução dirigida”, disse.
O Presidente da República reconheceu que os cidadãos angolanos têm vindo a empobrecer nos últimos anos e que há a necessidade de “produzir muito mais”. “Não podemos esperar que o Estado seja responsável por tudo”, afirmou.
Gonçalves Cassoma, conhecido empresário local, que representou o sector privado no encontro, lembrou as dificuldades que decorrem da “excessiva burocracia e lentidão administrativa”. “Devemos transformar a administração pública num factor de desenvolvimento”, defendeu o empresário.
O empresário reforçou também a necessidade de apostar na industrialização e na produção agrícola. “Neste sentido seria importante concluir a construção do Pólo Industrial do Cunje”, disse Cassoma. Do lado da sociedade civil foram reforçadas as lamentações sobre a falta de estradas, de energia eléctrica, de emprego e de oportunidades económicas para a população.
No encontro aconteceram ainda intervenções de representantes das mulheres (que lembraram as consequências da fuga à paternidade), das autoridades tradicionais e das entidades religiosas.
Todas as apresentações foram comentadas individualmente por João Lourenço. “A sociedade civil tem de nos alertar para o que não está bem”, lembrou.
O CAC do Cuito tem 147 membros. É um espaço de concertação entre a administração pública e os cidadãos, com o objectivo de definir prioridades e alargar o debate ao nível local.

Mais água para o Cuito
A captação de água implementada no rio Cuquema foi inaugurada hoje, no Cuito, província do Bié. Está previsto que funcione 20 horas por dia e foi construída ao longo dos últimos 18 meses. O valor do contrato é de 40 milhões de dólares.
A inauguração foi presenciada pelo Presidente da República e o novo Sistema de Abastecimento de Água do Cuito prevê a construção de mais de 7.500 novas ligações em diversos bairros da cidade, incluindo a centralidade do Cuito.
No total, o Ministério da Energia e Águas prevê que a nova infra-estrutura beneficie mais de 100 mil pessoas. Segundo o secretário de Estado das Águas, Lucrécio Costa, a cidade do Cuito estava numa situação de pré-colapso ao nível da distribuição de água.
“Neste momento prevemos chegar a um total de 16 mil ligações para uma necessidade prevista de 45 mil ligações para cobrir a procura na cidade”, disse.
O governante lembrou que é necessário expandir a rede de distribuição de água para os bairros da Juventude, Paraíso e São José.
Após à inauguração, João Lourenço aproveitou a ocasião para conhecer as instalações do Sistema de Abastecimento de Água do Cuito, que foram construídas por uma empresa de origem chinesa. A visita durou cerca de 30 minutos.

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