Política

Falta de dinheiro ameaça Festival de Mbanza Kongo

A falta de dinheiro pode condicionar a realização, de 5 a 9 de Julho deste ano, da primeira edição do Festival Internacional de Mbanza Kongo, denominado “Festi-Kongo”, um evento que visa assinalar o 8 de Julho, data da elevação desta cidade histórica a Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

24/03/2019  Última atualização 17H35
Garcia Mayatoko | Edições Novembro | zaire © Fotografia por: Parlamentares da 7ª Comissão visitaram o Centro Histórico da cidade de Mbanza Kongo

A preocupação foi manifestada pelo presidente do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, Pedro Makita, num encontro com deputados da 7ª Comissão da Assembleia Nacional. O Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo foi criado em 2015 por Decreto Presidencial 178/ 15, de 28 de Setembro.
Pedro Makita, que é igualmente governador do Zaire, informou aos parlamentares que a cidade de Mbanza Kongo carece de infra-estruturas capazes de acolher o “Festi-Kongo”, no qual devem estar presentes personalidades de países que integravam o antigo Reino do Kongo, nomeadamente Congo Democrático, Congo Brazzaville e Gabão.
“Estamos em Março e faltam poucos meses para Julho. Precisamos de dinheiro para que possamos criar condições que permitam a realização do Festi-Kongo com êxito. Se nos derem dinheiro podemos, em três meses, ter a cidade pronta para acolher o evento”, garantiu Pedro Makita, acrescentando que decorrem, neste momento, os trabalhos de reabilitação do Cine Clube “Comandante Bula”, que poderá albergar as actividades que requerem um recinto fechado.
O governante manifestou-se preocupado com o cumprimento das recomendações da UNESCO, entre as quais a remoção, dentro das zonas protegidas do Centro Histórico, das antenas de telecomunições das empresas Unitel e Rádio Nacional de Angola, a transferência da pista do actual aeroporto local e a conclusão do Regulamento do Ordenamento Urbanístico de Mbanza Kongo.

Encontro com jornalistas

Em Mbanza Kongo, os deputados da Comissão que vela pelos assuntos Religiosos, Culturais, Comunicação Social, Juventude e Desportos, realizaram também um encontro de auscultação, com a participação de jornalistas, professores, fazedores de artes e responsáveis de diversas denominações reliogiosas.
Os participantes apresentaram várias preocupações nos domínios social e económico, com particular incidência para o desemprego, um problema que afecta grande parte dos jovens locais e a necessidade de transformação da actual Escola Superior de Mbanza Kongo num Instituto Superior, para permitir a inserção de mais cursos.
Os jornalistas apresentaram preocupações relacionadas com a falta de condições de trabalho e baixos salários. Os profissionais da Comunicação Social informaram que desde 2013 que o Governo Provincial não realiza galas de premiação a jornalistas. Associado a isso está o facto de os vencedores da última edição não terem recebido até ao momento os prémios a que têm direito.
O presidente da 7ª Comissão da Assembleia Nacional, Nuno Carnaval, considerou positiva a visita à província do Zaire. Esclareceu que todas as preocupações apresentadas no encontro de auscultação vão ser abordadas no Parlamento, a fim de se encontrar mecanismos de solução.
Em Mbanza Kongo, os legistadores visitaram os órgãos de Comunicação Social, nomeadamente a delegação da Edições Novembro, a Angop, a Emissora Provincial da Rádio Nacional e a Televisão Pública de Angola.
O Centro Histórico da Cidade de Mbanza Kongo ganhou a 8 de Julho de 2017 o estatuto de Património Mundial, fruto da inclusão na lista de bens e sítios culturais protegidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A inclusão da antiga capital do Reino do Kongo aconteceu no âmbito da 41ª sessão do Comité do Património Mundial, que decorreu na cidade de Cracóvia, na Polónia.
Desde a fundação do Reino do Kongo, no século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e a sua corte, e centro das decisões.
Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior cidade da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativa) e quatro mil europeus.

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