Sociedade

Falta de água no mundo aumenta até ao ano 2050

Edivaldo Cristóvão

Jornalista

A escassez de água tende a aumentar até 2050, devido à procura do sector industrial, doméstico, das economias emergentes e crescimento da população. Os dados constam num comunicado do Ministério da Energia e Águas, por ocasião do Dia da Água, que hoje se assinala.

22/03/2022  Última atualização 06H25
Estão a ser criadas estratégias para que todos tenham água © Fotografia por: DR

Para maior reflexão sobre a escassez e importância da água, o Ministério realizou, ontem, uma conferência em formato virtual, sob o lema: "Água Subterrânea: Tornando o Invisível Visível".

Durante a conferência foi destacado que Angola tem 3.442 Pontos de Água (PA), sendo a captação subterrânea uma solução para melhorar o abastecimento.

No encontro foi anunciada a existência de 1.293 Pequenos Sistemas de Água (PSA), com captação superficial ou subterrânea, habitualmente com recurso a equipamentos de bombagem e elevação e reservatórios que permitem o abastecimento a mais de um ponto de consumo (chafariz, lavandaria, balneário, bebedouro ou torneira de quintal).

Os Sistemas de Abastecimento de Água nas Sedes Municipais das Províncias do Namibe e Huíla, segundo o comunicado, têm capacidade para produzir 26.059 metros cúbicos por dia e 38.460 metros cúbicos por dia, respectivamente, com uma abrangência de 84 por cento de uma população de 615.035 pessoas, representando a maior zona com incidência da utilização de água subterrânea.

"Considerando o impacto e a necessidade específica em determinadas zonas do país, é essencial realizar estudos hidrológicos e hidrogeológicos, para que seja conhecido o potencial das águas subterrâneas, ou seja, para que seja conhecido a sua capacidade de renovação, permitindo ter informação acerca das taxas de bombagem sustentáveis e a sua distribuição, prevenindo a intrusão salina nos furos", lê-se no comunicado, onde se refere ser possível conceber e preparar investimentos de forma sustentável, identificando novos locais para a realização de furos, estabelecendo um rendimento seguro e ter também conhecimento de possíveis ameaças à qualidade da água.

Segundo o comunicado, estão em curso, no âmbito do projecto de desenvolvimento institucional do sector das águas – BM/AFD/BEI/GOA, a preparação de estudos hidrogeológicos, geofísicos e pesquisa dos recursos hídricos no Lubango, a preparação do estudo sobre a intrusão salina nos campos de furos do sistema de abastecimento de água da cidade de Moçâmedes e a definição dos limites da exploração segura da água subterrânea.

Recentemente, ainda de acordo com o comunicado, foi aprovado um novo projecto para Angola, sob responsabilidade da TESE, "OMEVA OMWENYO", que visa melhorar o acesso à água e segurança alimentar e nutricional, na localidade de Curoca, província do Cunene.

O Ministério da Energia e Águas refere que a água é fundamental para o desenvolvimento socioeconómico, produção de energia e alimentos, construção de ecossistemas saudáveis, para a sobrevivência da espécie humana e para fazer frente às alterações climáticas, servindo como elo crucial entre a sociedade e o meio ambiente.

Segundo o comunicado, existe, portanto, uma necessidade crescente de equilibrar a demanda dos recursos hídricos, com a necessidade das comunidades.

O documento do Ministério da Energia e Águas dá conta que, embora o Objectivo 6 da Agenda 2030 das Nações Unidas seja claro, a ONU assegura que três em cada dez pessoas não têm acesso à água potável, mais de dois mil milhões vivem em países com um elevado nível de "stress” hídrico e que cerca de quatro milhões de pessoas passam por uma grave escassez de água durante, pelo menos, um mês do ano.

O Ministério destaca que quase metade das pessoas que bebem água de fontes desprotegidas vivem na África Subsaariana, sendo que seis em cada dez pessoas não têm acesso a serviços de saneamento com segurança.

Águas subterrâneas

Estima-se que as águas subterrâneas forneçam quase metade de toda a água potável em todo o mundo, com 2,5 mil milhões de pessoas a dependerem apenas deste recurso para satisfazer as suas necessidades, segundo o documento do Ministério da Energia e Águas.

Além das necessidades domésticas, as águas subterrâneas são também fundamentais para a agricultura de regadio e indirectamente para a segurança alimentar, bem como para fins industriais.

No entanto, o uso das águas subterrâneas é muitas vezes insustentável. O abastecimento de água subterrânea está a diminuir em algumas regiões, estimando-se que 20 por cento dos aquíferos mundiais sejam sobreexplorados. A deterioração da qualidade das águas subterrâneas está também a tornar-se cada vez mais evidente, sendo essencial que estas tendências sejam invertidas.

A água subterrânea, segundo o documento, abastece nascentes, rios, lagos e pântanos, chegando até ao oceano. Elas são reabastecidas principalmente pela chuva e pela neve que se infiltram no solo. Podem ser extraídas para a superfície por meio de bombas e poços.

O Ministério da Energia e Águas dá a conhecer que existe uma prevalência de captações, recorrendo à água subterrânea, nas províncias do Sul de Angola, nomeadamente no Namibe e Huíla, e que o mesmo sucede nas zonas rurais de forma generalizada por todo o país, através da implementação do Programa Água para Todos (PAT).  

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