Economia

Fábrica têxtil do Dondo arranca em Junho

Manuel Fontoura | Ndalatando

Jornalista

A Fábrica Têxtil Comandante Bula, ex-Satec (Sociedade Angolana de Tecidos), localizada na vila do Dondo, município de Cambambe (Cuanza-Norte), começa a produzir já na primeira quinzena de Junho, concluída a primeira etapa de recebimento da matéria-prima necessária para o funcionamento da indústria, essencialmente algodão.

23/05/2022  Última atualização 08H00
Fábrica suportava uma mão-de-obra de 1.200 trabalhadores que se dedicava, também, na confecção de tecidos estampados © Fotografia por: Nilo Mateus | Ndalatando | Edições Novembro

Além das 80 toneladas de algodão, a Têxtil do Dondo recebeu Combernoiles (produtos para fabrico de tecido do tipo jeans) e peças sobressalentes, como correias, enquanto outras 540 toneladas de algodão estão por desalfandegar no Porto de Luanda, o suficiente para o arranque normal da fábrica, de acordo com o director-geral da Têxtil do Dondo, Alexandre Carlos Neto.

Tão logo parte de outras peças de reposição cheguem, notou o responsável, os técnicos farão a montagem e "vamos arrancar com apenas um turno”, experimentalmente. Quando a fábrica funcionar nos três turnos previstos, "c”, garantiu.

Alexandre Carlos Neto indicou que serão inseridos nos quadros da empresa, de maneira faseada, os 1.504 trabalhadores formados, até que a fábrica atinja 100 por cento de actividade em todas as áreas, como aconteceu durante o período de formação, em que se começou com a área de tecnologias têxteis, seguida pela de beneficiamento, fiação, malharia e confecção, respectivamente.

"Seguiremos o mesmo modelo na fase do arranque da produção até que todo o pessoal formado esteja dentro a desenvolver o que aprendeu durante a formação”, admitiu. No momento, a Fábrica Têxtil Comandante Bula conta apenas com 54 trabalhadores, número que, dentro de 20 dias, será elevado para perto de 200, tendo como prioridade a área da fiação, que deve contar, já na fase inicial, com cerca de 150 trabalhadores.

Além das áreas acima descriminadas, a fábrica tem laboratório físico e químico e sectores técnicos, como de tratamento de água, electricidade, mecânica e empalhadeira, entre outras.

Na fase embrionária, a formação do pessoal teve duas fases, sendo a primeira em 2016, com 602 pessoas, e a segunda, que terminou recentemente, com 902 formandos. As necessidades globais para a indústria estão em torno de 1.530 trabalhadores.

 

Sociedade Angolana de Tecidos Estampados

A antiga Sociedade Angolana de Tecidos Estampados (Satec), SARL (Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada), localizada na velha cidade do Dondo, província do Cuanza-Norte, começou a ser construída a 7 de Setembro de 1964, tendo as obras sido concluídas em Abril de 1968.

Em Dezembro de 1969, foi inaugurada pelo então ministro do Ultramar, Joaquim Moreira da Silva Cunha, na presença do governador da província de Angola, tenente-coronel Robusto Vaz.

Construída numa extensão de 20.822 metros quadrados, não obstante o terreno adquirido à então Câmara Municipal do Dondo ter sido de 50 mil metros quadrados, com limites, a Norte, pelo Caminho-de-Ferro de Luanda e, a Oeste, pelo rio Mucoso, o perímetro comporta um bairro, denominado Residencial da Satec, composto por 33 casas geminadas.

Na altura, a fábrica suportava uma mão-de-obra de 1.200 trabalhadores, que se dedicava na confecção de tecidos estampados, cobertores, toalhas de mesa, fraldas e, ultimamente, no tingimento de Sarja, mais conhecida como jeans, para o exército.

Estando numa placa giratória relevante, que facilmente permite atingir todos os pontos do país (Centro, Sul, Norte e Leste), parte considerável da produção da Têxtil do Dondo, foi transportada para essas regiões, onde facilmente foi comercializada.

À época, a matéria-prima foi produzida, em escala, no Dondo, Catete e na região de Malanje. Por outro lado, a maquinaria instalada na Satec era de segunda-mão, oriunda de Moçambique, Portugal e África do Sul. À data da paralisação, já não havia capacidade de produção visível, já que até produtos auxiliares passaram a ser fornecidos pela Textang II, de Luanda, e África Têxtil, de Benguela.

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