Economia

Exportadores de Pedras do Sul reforçam mercados de venda de rochas ornamentais

As empresas da Associação dos Produtores, Transformadores, Comercializadores e Exportadores de Pedras do Sul de Angola (APEPA) estão focadas no reforço da sua presença em mercados estratégicos, para aumentar a quota de venda.

04/10/2021  Última atualização 10H08
Produção de rochas ornamentais na região Centro e Sul garantida por técnicos nacionais © Fotografia por: Arão Martins | Edições Novembro
De acordo com o controlo da Associação, existem no país 32 empresas activas de exploração e transformação de rochas, das quais 16 exportam, maioritariamente, para Portugal, Espanha e Alemanha.

Os dados constam do Boletim de Setembro do Instituto Geológico de Angola (IGEO) a que o Jornal de An-gola teve acesso.

Segundo a APEPA, as em-presas associadas produziram, em 2020, mais de 500 mil toneladas de rochas ornamentais.
Um dado também referenciado pelo Boletim do IGEO tem a ver com o facto de o Centro de Valorização de Rochas Ornamentais (CVRO) ter analisado, no primeiro semestre deste ano, as primeiras amostras de mármore no âmbito do Plano Nacional de Geologia. A acção reflecte o papel estratégico dos laboratórios e sua contribuição no tratamento interno das amostras, eliminando também o recurso ao exterior.

Segundo o técnico, Isaías Kundila, as amostras foram submetidas durante sete dias a análises de resistência mecânica à flexão, resistência mecânica à compressão, determinação da absorção da água sobre pressão atmosférica, determinação da densidade, porosidade aberta da rocha, granulometria de brita em mármore e resistência mecânica por fragmentação (Lolsagel). Essas análises servem para definir a qualidade da rocha e determinar se a mesma pode ou não ser aplicada nos diferentes ramos de construção civil.

As amostras são reprovadas quando apresentam porosidade e são absorventes porquanto, nestes casos, não servem para aplicação em revestimentos de paredes exteriores nem em superfícies com muita água como cozinha e saunas.


Novos interesses

Recentemente, a empresa LIDYA, representante da ONOC em Angola, solicitou ao Instituto Geológico de Angola informações geológicas para seleccionar áreas para prospecção de metais básicos e diamantes.

Durante um encontro técnico foram identificadas áreas com potencial de ocorrências de cobre, nas províncias do Zaire e Namibe, e de elementos de terras raras entre as províncias da Huíla e Namibe.

A LIDYA também manifestou interesse em negociar a entrada como financiadora e operadora em projectos de áreas já concessionadas. A ONOC (Inc) é uma empresa privada com sede em Calgary, formada em 2007 por parceiros seniores com al-cance global e amplas relações de negócios no Canadá, Estados Unidos da América, Turquia e África.
Por outro lado, se a amostra apresentar pouca resistência mecânica à compressão, a rocha não servirá para aplicar em pilares. Se apresentar pouca resistência à flexão, não servirá para aplicação em lajes.

Brilho dos diamantes

Angola produziu e exportou, nos últimos três anos, um total de 35 milhões de quilates de diamantes, segundo dados do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás citados pelo boletim mensal de informações do Instituto Geológico de Angola (IGEO).

A receita do período ficou estimada em mais de quatro mil milhões de dólares, de acordo com o Ministério.
Os boletins dos meses de Agosto e Setembro do Instituto Geológico trazem os números da actividade diamantífera do país e explicam que para melhorar a transparência e a competitividade do sector foi implementada uma plataforma para vendas através de leilões. Este procedimento adoptado visa à conformação do modelo de governação da actividade diamantífera aos padrões internacionais de compliance.

Contudo, e de acordo com mapa da receita mensal do Ministério das Finanças, a actividade diamantífera ge-rou, no primeiro semestre deste ano, cerca de 42.259 milhões de kwanzas.

Os dados do Ministério avançam ainda ser Angola dos maiores produtores mundiais de diamantes. No país, as principais áreas de extracção deste recurso mineral ficam nas províncias da Lun-da-Norte e Lunda-Sul, propriamente na região no Nordeste do país.

Segundo dados históricos, a actividade de prospecção e exploração de diamantes em Angola tem uma trajectória secular ligada à actividade em África que remonta ao século XVI.

No ano de 1909, Narcise Janot descobriu em Angola cristais, classificados como diamantes. Onze anos depois, em 1920, foi celebrado um contrato de exclusividade na exploração e prospecção diamantífera.

Já em 1952 foi descoberto o primeiro Kimberlito em Angola, o Camafuca-Kamazambo. No dia 15 de Janeiro de 1981, foi criada a Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA). Como consequência do conflito armado, em 1984 foi totalmente destruído o circuito de produção no Cuango.

Durante o período 2017-2020, a produção de diamantes registou um total de 35,658 milhões de quilates (qlts), sendo 9,192 milhões de qlts em 2017. Em 2018 a produção cifrou-se em 9,434 milhões de qlts e 9,121 milhões de qlts, em 2019. Em função dos constrangimentos causados pela Covid-19, em 2020 a produção foi de 7,911 milhões.

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