Cultura

Exibições do “Isto é uma Mulher?” reprogramadas para o Memorial

As exibições do espectáculo de dança “Isto é uma mulher?”, das coreógrafas Ana Clara Guerra Marques (Angola) e Irène Tassembédo (Burkina Faso), inicialmente agendadas para os dias 27, 28 e 29 de Maio, na União dos Escritores Angolanos, foram reprogramadas para hoje, amanhã e domingo, às 18h00, no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda.

03/06/2022  Última atualização 09H55
Dançarinos voltam a apresentar hoje a peça de Ana Clara Guerra Marques e Irène Tassembédo © Fotografia por: Rui Tavares | Cedida

A serem  exibidas pela Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDCA), o "Isto é uma mulher?” visa criar um debate entre a sociedade e os artistas em volta de um tema comum. Devido a falta de salas de teatro convencionais em Luanda, a companhia decidiu exibir a peça no espaço exterior do Memorial.

O espectáculo é, para as coreógrafas, um convite à todos, para a reflexão sobre o papel da mulher ontem e hoje. "A mulher já não cabe nos paradigmas do passado”, defendem as coreógrafas.

De acordo com as coreógrafas, "vivemos hoje tempos que se distanciam daqueles modelos arcaicos no qual a obrigatoriedade das mulheres se ocuparem exclusivamente das tarefas domésticas (tomar conta dos filhos, da cozinha ou da roupa do marido), contrastava com a liberdade dos homens, para trabalhar, governar e movimentar-se livremente dentro e fora de todas as regras de conduta e princípios morais criados para manter as mulheres numa posição subalterna”.

Na opinião das coreógrafas, nas sociedades ditas modernas as mulheres estas não tinham, inclusivamente, direitos sobre o próprio corpo. "Como resultado de todas as transformações que este cenário conheceu, existem actualmente sociedades onde a mulher desempenha papéis de responsabilidade antes reservados aos homens. Paralelamente, outras há em que as mulheres continuam a viver numa condição de quase invisibilidade”.

"Criar uma peça sobre a mulher pode parecer tão oportuno como arriscado ou mesmo imprudente. Se existem geografias onde estes assuntos são amplamente debatidos e espaço à realização pessoal de todos, outras há que permanecem enclausuradas nos parâmetros conservadores, que a própria ciência já descartou, de uma definição Homem-Mulher circunscrita às características biológicas”, criticam.

A ideia da CDCA, explicou Ana Clara Guerra Marques, é levar as pessoas a questionarem "o que é ser mulher?”. "Buscamos uma resposta aberta, na qual estejam incluídas questões de ordem física, psicológica, social e antropológica, que permitam a descoberta ou, simplesmente, desafiem o público a confrontar-se consigo próprio”, explicou.

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