Política

Executivo reconhece urgência no aumento da produção interna

O aumento da produção nacional, com a máxima urgência, constitui um imperativo nacional, reconheceu ontem, em Luanda, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior.

20/04/2020  Última atualização 20H05
Santos Pedro| Edições Novembro © Fotografia por: Manuel Nunes Júnior testemunhou ontem a passagem de pastas dos ex-titulares para o novo ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes

Manuel José Nunes Júnior, que testemunhou a cerimónia de passagem de pastas para o actual ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes, disse que a junção dos Ministérios da Indústria e Comércio é uma grande responsabilidade na revitalização da base produtiva, com vista ao relançamento do crescimento económico e geração de empregos no país.
Segundo o ministro de Estado, o incremento da produção nacional pode permitir o aumento dos níveis de emprego e acrescentar os rendimentos dos cidadãos e das famílias.
“É necessário que os angolanos trabalhem para que o ritmo de execução do Programa de Apoio à Produção Nacional, Substituição das Importações e Promoção das Exportações (PRODESI) seja mais célere”, sublinhou. Manuel Nunes Júnior destacou que a retomada da trajectória de crescimento económico do país, interrompida com a crise económica e financeira desde 2014, depende da união dos dois Ministérios.
Para tal, reforçou, não há outra saída a não ser o reforço da produção nacional, sendo que, existem em Angola empreendedores e empresários de elevado valor, capazes de assumir riscos e avançar com projectos empresariais de modo a torná-los rentáveis e eficientes, mesmo em condições adversas.
O Executivo, acrescentou, pretende trabalhar com os empresários no sentido de atingir a auto-suficiência, sobretudo do consumo interno, atendendo os 54 produtos seleccionados no PRODESI, com destaque para os da cesta básica. O ministro de Estado apelou para a necessidade de se aplicar, com rigor, o Decreto Presidencial nº 23/19, que estabelece que as compras do Estado, incluindo o abastecimento das Forças Armadas e da Polícia Nacional, devem priorizar a aquisição da produção nacional.
“Vamos continuar a apoiar os empresários, de modo a torná-los cada vez mais competitivos e fortes”, afirmou Manuel Nunes Júnior, sublinhando que “quanto mais pessoas trabalharem e auferirem salários dignos, maior será o grau de satisfação das famílias”.

Reforço do comércio rural
O ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes, ao intervir no acto, garantiu que vai dar maior atenção ao aumento da produção nacional, particularmente ao comércio rural, no sentido de diminuir a importação.
“O objectivo de juntar os dois ministérios e fundi-los é de criar maior eficiência na gestão dos recursos e garantir que a produção e transformação dos produtos tenha, também, um corredor de distribuição que chegue a todos os cidadãos”, frisou. Victor Francisco dos Santos Fernandes prometeu dar continuidade aos trabalhos já feitos pelas direcções cessantes e criar condições para que o país beneficie do potencial que tem em termos de produção nacional.
Estiveram igualmente presentes na cerimónia os secretários de Estado da Indústria, do Comércio, directores nacionais e os ministros cessantes da Indústria, Bernarda Martins, e Comércio, Joffre Van-Dúnem Júnior, que garantiram continuar a apoiar o Executivo no cumprimento da sua missão.
Os 54 bens cuja produção é incentivada pelo Estado, através do PRODESI, são o açúcar, arroz corrente, carne seca de vaca, farinha de trigo, feijão, fuba de bombó, fuba de milho, leite, massa esparguete, óleo alimentar de soja, óleo de palma, sabão azul, sal comum, ovos, carne de frango, carne de cabrito, carne de porco, grão de milho, mandioca, batata-doce, batata rena, tomate, cebola, alho, cenoura, pimento, repolho, alface, banana, manga, abacaxi, tilápia (cacusso), carapau do Cunene, sardinella aurita (lambula), sardinella maderensis (palheta), óleo alimentar de girassol, óleo de amendoim e mel.
Fazem igualmente parte da lista o varão de aço de construção (maior de 8mm), cimento, clínquer, cimento cola, argamassas, rebocos, gesso e afins, vidro temperado, laminado, múltiplas camadas ou trabalhado de outras formas, embalagens de vidro para diversos fins, tinta para construção, guardanapos, papel higiénico, rolos de papel de cozinha, fraldas descartáveis, pensos higiénicos, detergente sólido (em pó), detergentes líquidos, lixívias, cerveja, sumos e refrigerantes e água de mesa.

Levantamento da cadeia produtiva vai em 60 por cento

O director nacional do Gabinete do Comércio Externo e Serviços Mercantis, Estêvão Chaves, informou que a Comissão Multissectorial, constituída pelos Ministérios da Agricultura e Pescas e Indústria e Comércio e outros parceiros institucionais do Estado, já fez o registo de 60 por cento da oferta de bens da produção nacional.
Segundo Estêvão Chaves, está a ser feito um levantamento de tudo que é oferta no sector da produção nacional e as equipas encontram-se em campo há mais de dois meses. As equipas que se encontram em campo, acrescentou, terão os seus trabalhos concluídos nas próximas semanas. No sector da produção, reconheceu, há vários desafios, a todos os níveis, daí as medidas do Executivo para o crescimento do sector económico. “ Há um grande incentivo de financiamento para o sector produtivo, seja a nível da produção como da cadeia de valor, escoamento, sobretudo para os cidadãos que pretendem investir no escoamento ou transportação dos produtos e outros bens ligados ao sector”, garantiu o responsável.

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