Política

“Executivo está atento às preocupações dos jovens”

O governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, garantiu que o Executivo está atento às preocupações da juventude, mas reconheceu que o actual momento que o país vive não permite resolver, de imediato, todos os problemas.

16/11/2020  Última atualização 13H18
Jovens activistas apontaram o diálogo como a melhor forma de resolver qualquer problema © Fotografia por: Carlos Paulino | Edições Novembro|Menongue
"É necessário que a juventude tenha calma e consciência que o Governo  está limitado por causa da crise económica e financeira mundial, provocada pela baixa do preço do petróleo e que se agravou ainda mais devido à pandemia da Covid-19", disse Júlio Bessa, durante um encontro, no sábado, com jovens activistas que pretendiam realizar uma manifestação no dia 11 deste mês.

Segundo o governador, o país está, neste momento, com escassez de recursos financeiros para pagar os salários dos funcionários públicos, executar projectos de infra-estruturas e realizar novos concursos públicos para o ingresso de mais quadros.

Por esta razão, acrescentou, os jovens não devem culpar o Executivo e, em particular, o Presidente da República, João Lourenço, por causa desta situação, porque o país não tem dinheiro suficiente para suprir todas as necessidades da população.

"Há toda a vontade do Executivo em resolver os principais problemas que enfermam  a população, mas no actual contexto em que vivemos não é possível, por exemplo, acabar ou reduzir significativamente o índice elevado de desemprego no seio da juventude, que aumentou com a pandemia", sublinhou.

Júlio Bessa garantiu que estará sempre disponível para manter encontros com os jovens, desde que os mesmos sejam para ajudar ou despertar o Governo sobre os  problemas que afligem a população.

Durante o encontro, que durou seis horas, Júlio Bessa ouviu atenciosamente e respondeu as inquietações dos jovens sobre questões que têm a ver com o aumento do desemprego, a subida constante dos preços dos produtos da cesta básica, a realização das eleições autárquicas, o com-bate à corrupção e o acesso aos concursos públicos, sobretudo nos sectores da Educação e Saúde.

Consta, também, das preocupações, o atraso que se regista no arranque das obras do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios  (PIIM), as falhas no fornecimento de energia eléctrica e água potável, assim como o défice do saneamento básico em muitos bairros periféricos de Menongue, bem como o estado avançado de degradação das vias de acesso aos municípios, a falta de construção de centralidades, mediatecas, bibliotecas e de locais de lazer.

Os activistas manifestaram, igualmente, preocupação com a paralisação, há cerca de cinco anos, das obras do Pólo Universitário de Menongue e do projecto das zonas ribeirinhas, os excessos na actuação da Polícia Nacional, a necessidade de aumento de cursos na Universidade Cuito Cuanavale, sobretudo de Direito, Economia, Agronomia, Medicina, Física e Química.

Voz dos jovens
O coordenador dos jovens activistas no Cuando Cubango, Francisco Koati Chombé, mais conhecido por "Batalhador Avô Sofredor", afirmou que "a juventude está cansada de muitas promessas que o Governo faz e não cumpre, por isso tem estado a realizar várias manifestações porque muitos dos seus direitos não estão a ser respeitados".

Realçou que a falta de oportunidade de emprego faz com que muitos jovens enveredem para o mundo da delinquência, prostituição, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e drogas, entre outros males.

"A juventude no país não está frustrada, mas sim atenta aos seus direitos, que não têm sido cumpridos e, principalmente, da subida constante do preço dos produtos da cesta básica, uma vez que muitas famílias só conseguem fazer uma refeição por dia, com muito sacrifício", disse.

"Batalhador Avô Sofredor" salientou que por este facto os activistas endereçaram uma carta para um encontro com o governador Júlio Bessa, considerando que o diálogo é a melhor forma de resolver qualquer problema.

  FINANÇAS
CEIC realiza formação sobre OGE

Deputados à Assembleia Nacional, jornalistas e representantes de organizações da sociedade civil participam, a partir de hoje, numa formação avançada em finanças públicas e processo orçamental.

A formação, a cargo do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, em parceria com a Norwegian Church Aid (NCA) vai incidir nas principais variáveis macroeconómicas que se tem em conta na elaboração do Orçamento Geral do Estado (OGE) e as fases de discussão e aprovação do mesmo. Pretende-se, com a formação, que decorre na Universidade Católica, até amanhã, contribuir para a uma sociedade mais formada e informada em questões económicas.

O Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, vencedor do Prémio de Cultura e Artes, na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, foi criado em 2002. É um local de investigação e de prestação de serviços, sem fins lucrativos, visando, sobretudo, fomentar a investigação científica fundamental e aplicada. Incentiva a investigação em várias áreas como Economia, Ambiente, Energia, Ciências Sociais, História, Cultura e Direitos Humanos, desenvolvendo projectos de pesquisa científica, organizando conferências e palestras.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Política