Sociedade

Executivo deve criar programas para desincentivar dependência

O Executivo, através do Instituto Nacional de Luta Contra as Drogas, deve alargar e intensificar campanhas de sensibilização e educação cívica, para que a juventude diminua o consumo de bebidas alcoólicas, alertou, ontem, o psicólogo clínico do Hospital Psiquiátrico de Luanda, Nvunda Tonet.

25/09/2019  Última atualização 09H22
Jaimagens/fotógrafo © Fotografia por: Psicólogo clínico, Nvunda Tonet, admitiu que as causas do alcoolismo podem ser genéticas

O especialista defende a necessidade da inclusão de mais técnicos para se atingir estes objectivos. Acrescentou que só assim será possível promover iniciativas no seio das comunidades onde a taxa de consumo é mais elevada.
“O programa deve passar pela criação de actividades culturais e recreativas para a juventude, porque se elas tiverem alternativas para fazer face aos momentos de frustração, desespero e desemprego, dificilmente recorrem ao álcool como alternativa. É importante que se intensifique, também, os programas de prevenção nos meios de comunicação social”, disse.
Nvunda Tonet, falava a propósito de um estudo enquadrado na linha de pesquisa sobre o uso de substâncias psicoactivas, realizado num dos bairros da cidade de Malanje, onde a maioria dos jovens entre 18 e 37 anos, se dedica ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
O coordenador do Projecto sobre Uso Recreacional de Substâncias Psicoactivas, Eduardo Ekundi, disse ao Jornal de Angola que no estudo em referência, os jovens com idades entre 18 e 22 anos estão com 43 por cento, seguidos das faixas etárias dos 23 a 27, com 30 por cento e dos 33 a 37 anos com apenas sete por cento.
Do estudo realizado, a substância psicoactiva mais mencionada foi o álcool, com 65 por cento, vinho com 14, whisky 17 e o kaporroto, uma bebida caseira, com apenas três por cento.
O psicólogo clínico do Hospital Psiquiátrico de Luanda admitiu que as causas do alcoolismo podem ser genéticas, que incluem factores hereditários ou em problemas psicológicos e existenciais. Estes factores, acrescentou, tem a ver com as dificuldades que cada um tem em lidar com as preocupações do dia-a-dia, desemprego, dificuldades económicas, fim de relacionamento ou situações afectivas, o que leva a que muitos indivíduos recorram ao álcool, como forma de fugir aos problemas.
Outra situação mencionada pelo psicólogo é a questão da dependência química, onde muitas pessoas acabam por encontrar no álcool a única forma de aliviar aquilo que lhes causa preocupação. Por isso, o alcoolismo está entre as cinco principais causas de internamentos no Hospital Psiquiátrico de Luanda.
Dados do Hospital Psiquiátrico de Luanda indicam que a incidência do consumo de bebidas alcoólicas está mais para os homens, mas há também já um número considerável de mulheres.
“O alcoolismo varia de pessoa para pessoa. Os dependentes têm reacções, sintomas e sinais de abstinência diferenciados, mas o tratamento nas mulheres têm sido muito mais apoiado pela família que nos homens”, elucidou.
Nvunda Tonet explicou que geralmente a classe masculina é abandonada pela família e dificilmente regressa ao tratamento por falta de apoio. Disse que em relação às mulheres têm maior acolhimento familiar, o que leva a ter uma taxa de êxito ou de eficácia terapêutica maior.
O especialista aconselhou os jovens, que se depararem com algum problema, a solicitarem a ajuda, que passa por um tratamento psicológico e psiquiátrico.
“A situação torna-se preocupante, principalmente, naqueles casos em que a dependência já compromete o próprio funcionamento social e pessoal da vida do indivíduo, sobretudo quando a pessoa já não consegue trabalhar ou realizar as suas tarefas pela qual está vocacionada. Nestes casos, o tratamento psiquiátrico é necessário, tendo em conta a dependência do álcool como transtorno”, sustentou.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade