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Evaristo Carvalho pede participação maciça

O Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, apelou, quarta-feira à noite, à população que se dirija de forma maciça às assembleias de voto, no domingo, considerando que a abstenção não é amiga da democracia.

03/09/2021  Última atualização 10H05
Presidente cessante de São Tomé e Príncipe pede eleições livres e com elevado civismo © Fotografia por: DR
Numa mensagem à Nação, segundo a Lusa, Evaristo Carvalho considerou que "o processo e, principalmente, aquele que se destina à eleição dos órgãos de soberania, é sempre um ponto alto do exercício da democracia”.

 O Chefe de Estado cessante realçou que nestes momentos "os cidadãos eleitores têm, não só o direito, mas também o dever de escolher de forma livre os seus representantes” que "confiarão mandato para dirigir os destinos da nação”.

 Estão inscritos nos cadernos eleitorais da Comissão Eleitoral Nacional 123.302 eleitores, sendo 108.609 residentes em São Tomé e Príncipe e 14.693 nos 10 países da diáspora onde foi realizado o recenseamento eleitoral. Na primeira volta, realizada em 18 de Julho, a abstenção foi de 32,24 por cento.

 Evaristo Carvalho pediu ainda respeito pelas vontades dos eleitores que devem exercer sem receio o direito de voto, não permitindo que a sua escolha "seja influenciada por quem quer que seja, ou que a sua vontade seja condicionada pelo medo, pelas chantagens ou promessas manifestamente falsas”.

 Na mensagem à nação, que acontece "num momento crucial” da democracia do país com a realização da segunda volta para a eleição do Presidente da República em 5 de Setembro, Evaristo Carvalho felicitou o povo, "pelo civismo demonstrado, o que continua a fazer dos são-tomenses um povo afável e acolhedor, profundamente convicto dos valores da democracia e do papel das eleições democráticas, livres e transparentes”.

 O Presidente cessante também felicitou os candidatos Carlos Vila Nova e Guilherme Posser da Costa, que vão disputar a segunda volta no domingo, "na certeza de que os seus percursos pessoais e a trajectória política, farão com que conduzam esta campanha eleitoral observando as leis, os princípios de uma sociedade democrática e os valores éticos que fortificam a democracia”. Evaristo Carvalho completa hoje cinco anos de mandato, mas declarou que vai manter-se em funções até à posse do sucessor, isto na sequência de um parecer favorável do constitucionalista português, Vital Moreira, que sustentou que o Presidente são-tomense deve manter-se no cargo até à posse do sucessor e que a prorrogação do mandato não necessita de decisão parlamentar.

  Substituição interina

 O Presidente são-tomense, disse que a discussão sobre a substituição interina "não tem fundamento jurídico ou mesmo político” por não se estar "em presença de qualquer impedimento por incapacidade física permanente ou temporária, nem alguma vez o Presidente da República eleito por sufrágio universal directo e secreto foi sujeito ao processo de verificação de perda de cargo”, nos casos previstos pela Constituição.

 Até que tome posse o novo Presidente da República, o Chefe de Estado cessante assegura  que vai exercer as competências constitucionais "muito responsavelmente”, "dialogando e concertando de modo permanente com todos os outros órgãos do Estado, para que se encontre sempre as melhores soluções para os problemas em prol da paz, da estabilidade, da tranquilidade e da segurança de todos”.

 A segunda volta das presidenciais em São Tomé e Príncipe vai ser disputada no domingo por Carlos Vila Nova, apoiado pela ADI, na oposição são-tomense, e por Guilherme Posser da Costa, apoiado pelo MLSTP-PSD e a coligação PCD-MDFM-UDD, que suportam o Governo.


  Manuel Pinto da Costa apoia candidato Guilherme Posser
O antigo Presidente são-tomense Manuel Pinto da Costa disse ontem que o MLSTP-PSD está numa "situação altamente complicada” e poderá estar "à beira do precipício” se o candidato Posser da Costa não for eleito Presidente da República.

 Manuel Pinto da Costa, que foi o primeiro Presidente da República de São Tomé e Príncipe, enquanto Presidente Honorário do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), participou ontem na reunião da Comissão Política do partido e alertou os militantes sobre a situação actual desta força política.

 "O MLSTP-PSD está numa situação altamente complicada e difícil, e se não houver realmente um engajamento de todos os militantes, como diz o Presidente da República, o MLSTP-PSD estará à beira do precipício”, disse Pinto da Costa.

 O antigo Presidente do MLSTP-PSD que esteve distante de toda a campanha eleitoral da primeira e segunda volta, justificou a sua presença nesta fase da segunda volta "porque o problema que se põe agora é da luta pela sobrevivência do partido”. "Eu não vim para defender pessoas, não vim para defender estratégia, que aliás eu nem conheço”, frisou o líder histórico do MLSTP-PSD realçando que a sua presença foi no sentido de "estar com os militantes do partido”, independentemente do candidato do partido que estivesse nesta segunda volta.

 Aos militantes, Manuel Pinto da Costa explicou que o partido "não tem um candidato”, mas apoia um, Guilherme Posser da Costa, cujo nome não referiu durante toda a sua intervenção de cerca de dez minutos, mas realçou que "a vitória” e o "sucesso” do candidato que o MLSTP-PSD apoia vai ajudar o partido "a iniciar um processo imediatamente rápido da sua reestruturação e modernização” e adaptar-se "à realidade do mundo de hoje”. 

O presidente honorário do MLSTP-PSD revelou que o partido tem "internamente uma série de problemas” e "divergências” que "são normais”, mas considerou que se forem "mal geridas a organização pode se afundar”. Para Pinto da Costa, o partido precisa de reestruturação para continuar a ser "uma força política que tem uma influência decisiva na gestão do Estado e da sociedade são-tomense”.

 "O país necessita de uma força que tenha capacidade suficiente de congregar as outras forças, porque sozinho nenhuma força internamente é capaz de fazer face aos desafios enormes que esse país tem”, referiu o antigo Chefe de Estado são-tomense.

Pinto da Costa entende que "o MLSTP-PSD é o partido que está em condições de poder jogar esse papel” de congregar as outras forças e "abrir o caminho para o diálogo” para enfrentar o desafio de desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.  "Ficar em casa é querer continuar a conviver com uma situação de miséria e de dificuldades com que nós nos confrontamos no dia-a-dia da existência do cidadão são-tomense”, declarou o antigo Chefe de Estado, num apelo à ida às urnas no domingo.

 Sem, no entanto, indicar o nome do candidato Guilherme Posser da Costa, Pinto da Costa pediu aos militantes para agirem "para escolher o lado que dá oportunidade” de fazer o que é necessário para o país.

 O Primeiro-Ministro são-tomense e presidente do MLSTP-PSD, Jorge Bom Jesus, ressaltou nesta reunião da Comissão Política que o partido está unido "porque o momento é de emergência”.  Jorge Bom Jesus considerou que "o país está em perigo” e lançou "um grande SOS” para "grande mobilização porque o momento é de muita responsabilidade” e o MLSTP-PSD tem de continuar a defender São Tomé e Príncipe.

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