Economia

Europa sob forte risco de estagflação

A agência de notação financeira Moody’s alertou, ontem, que o conflito na Ucrânia está a aumentar o risco de estagflação na União Europeia (UE), tendo colocado Portugal entre os países mais vulneráveis na exposição à inflação.

03/08/2022  Última atualização 07H45
© Fotografia por: Dr

"A invasão russa da Ucrânia exacerbou as questões subjacentes da procura e da oferta e empurrou a inflação para níveis nunca vistos na UE desde meados da década de 1980”, afirmou o analista sénior da Moody’s Heiko Peters, citado num documento hoje divulgado.

De igual forma, o analista aponta que uma paragem do abastecimento de gás natural pela Rússia "irá provavelmente intensificar essas pressões, enfraquecer a actividade económica e aumentar o risco de um ambiente estagflacionário”.

A estagflação, ou seja, recessão ou estagnação económica com inflação elevada, resultaria das previsões de um crescimento de 2,5 por cento da economia da UE em 2022 e 1,3 por cento em 2023, a par de uma desaceleração da inflação, que a Moody’s espera ser de 6,8 por cento neste ano e 4,4 por cento no próximo.

Ainda assim, as alterações na oferta e procura a nível regional e internacional, a par de alterações estruturais, "como a transição dos países da UE da importação de energia russa, aumentaram os riscos".

Para que a estagflação aconteça, no entanto, a Moody’s aponta que as dinâmicas de preços teriam de ser seguradas por factores "como preços da energia mais altos de forma prolongada", registando ainda que políticas fiscais e monetárias focadas unicamente em crescimento "também podem aumen-tar o risco de um cenário de estagflação”.

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