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EUA vão doar 300 milhões de dólares ao Afeganistão

Os Estados Unidos comprometeram-se, terça-feira (11), disponibilizar este ano uma ajuda de 300 milhões de dólares para o Afeganistão, depois da ONU ter lançado um apelo para que fossem feitas doações.

12/01/2022  Última atualização 07H55
População afegã está a passar por uma crise de falta de alimentos e medicamentos © Fotografia por: DR
O valor, que constitui uma primeira fracção de um montante mais elevado, visa ajudar prioritariamente na alimentação, Saúde e na protecção contra o Inverno rigoroso, disse à Agência dos EUA para a Assistência Internacional (USAID), em comunicado  divulgado ontem.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, tem sido acusado de ter acelerado a ascensão dos talibãs ao poder ao apressar o fim da presença militar internacional no território afegão.

A ONU e organizações do seu sistema lançaram, ontem, planos conjuntos de ajuda humanitária de emergência para abranger 22 milhões de pessoas no Afeganistão (mais de metade da população do país), bem como 5,7 milhões de afegãos deslocados e às comunidades locais que os acolhem em cinco países vizinhos.

Segundo um comunicado conjunto do Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), "os planos combinados de resposta humanitária aos refugiados necessitam de mais de cinco mil milhões de dólares de financiamento internacional em 2022".

Os dois organismos da ONU sublinharam que "o povo afegão enfrenta uma das crises humanitárias com crescimento mais rápido do mundo: metade da população encontra-se afectada pela fome, mais de nove milhões de pessoas estão deslocadas, milhões de crianças não estão escolarizadas, os direitos fundamentais das mulheres e das meninas estão a ser atacados, os agricultores e os criadores de gado lutam contra a pior seca em décadas e a economia está em queda livre".

"Sem apoio, dezenas de milhares de crianças correm o risco de morrer de subnutrição, devido ao colapso dos serviços de saúde básicos", frisaram as organizações no documento.

Apesar de o conflito se ter atenuado, prosseguem as entidades, "a violência, o medo e as privações continuam a levar os afegãos a procurar asilo e segurança além das fronteiras do seu país, nomeadamente no Irão e no Paquistão".

"Mais de 2,2 milhões de refugiados registados e quatro milhões de afegãos de diferentes classes sociais foram acolhidos nos países vizinhos", uma situação que "está a pôr à prova duramente as capacidades das comunidades que os acolhem, que também precisam de apoio", explicaram.

Os talibãs conquistaram a capital afegã, Cabul, em meados de Agosto do ano passado, culminando uma ofensiva iniciada em Maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO, presentes no país desde 2001.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada por Washington contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, cérebro dos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos EUA.

O país vive, desde então, uma crise humanitária e financeira que já tinha levado, em Outubro passado, os líderes do G20  a prometer mil milhões de euros para a ajuda e a luta contra o terrorismo na região.

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