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EUA dispostos a ajudar Moçambique no combate a assaltos

Os Estados Unidos estão na disposição de ajudar as autoridades moçambicanas a combater os assaltantes que têm estado a perturbar a estabilidade da região norte do país, para onde estão projectados importantes investimentos de empresas norte-americanas ligadas ao sector do petróleo e do gás.

08/02/2019  Última atualização 10H05
DR © Fotografia por: Forças de segurança garantem prontidão para travar ataques armados contra as populações

Os Estados Unidos expressaram oficialmente a disponibilidade para ajudar as autoridades de Moçambique no combate aos grupos que têm estado a assaltar aldeias da província de Cabo Delgado, Norte do país, para onde estão previstos avultados investimentos por parte de empresas norte-americanas ligadas ao petróleo e ao gás.
“Estamos disponíveis e gostaríamos de ajudar Moçambique no processo de combate a grupos desconhecidos no Norte do país, desde que isso seja útil”, disse o encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique, Bryan Hunt à margem de uma actividade inserida no âmbito do exercício militar apoiado pelo seu país e que teve por cenário a região de Pemba, próxima da zona onde se têm registado os incidentes.
A questão da eventual participação de efectivos militares norte-americanos no combate aos grupos de desconhecidos que têm assaltado as populações do Norte de Moçambique já tinha sido anteriormente levantada por elementos ligados às empresas petrolíferas que estão a investir na região, mas nunca chegaram a ser abordadas publicamente pelas autoridades dos dois países.
Deste modo, ficou aberto o caminho para que os Estados Unidos possam ajudar os militares moçambicanos nesse combate aos grupos armados, embora as autoridades de Maputo, nomeadamente o Presidente Filipe Nyusi, nunca tenham abordado abertamente o assunto, pelo menos junto da opinião pública.
Filipe Nyusi, há menos de um mês, chegou mesmo a dizer que as forças de segurança estavam a conseguir “avanços significativos” para travar a ocorrência dos ataques armados contra a população do Norte do país.
Entretanto, o município de Mocímboa da Beira, também no Norte de Moçambique, anulou ontem a interdição de circulação nocturna na vila, que estava em vigor desde 26 de Janeiro.
Há uma semana o presidente do município, Fernando Neves, tinha referido que a medida era uma forma de proteger os munícipes dos grupos desconhecidos que têm protagonizado ataques armados na região de Cabo Delgado.
Além de interditar a circulação de pessoas e veículos, a norma que agora foi revogada proibia o exercício de qualquer actividade comercial na vila entre 21h00 e as 4h00.

Alerta vermelho
A empresa de Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou estar em situação de “alerta vermelho” no sul do país devido à falta de chuva para produzir electricidade. “O problema da falta de água continua, sobretudo na zona sul, e já estamos num alerta vermelho”, disse Luís Amado, porta-voz da empresa numa conferência de imprensa realizada em Maputo. O porta-voz usou o termo depois de explicar que a produção de energia da barragem de Corrumana, no Sul de Moçambique, está reduzida a cerca de metade dos 25 megawatts que devia lançar da rede.
 Na zona centro do país, a situação é considerada normal, mas, se a precipitação ficar abaixo do normal durante a actual época chuvosa, poderá haver um problema semelhante. 
A situação não é nova: já no último ano a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, no interior centro do país, a maior produtora de electricidade em Moçambique, anunciou que a actividade da barragem foi condicionada pela fraca precipitação registada na época chuvosa 2017/2018.
A situação reflecte-se noutras albufeiras que servem para abastecimento, como é o caso dos Pequenos Libombos, no sul do país. Há cinco anos que a albufeira que leva água à população e agricultura tem estado a funcionar abaixo de 30 por cento da capacidade.
A falta de chuva coincide com uma fase em que a EDM está a realizar um maior número de ligações à rede. Segundo números avançados pela EDM foram realizadas 247 mil novas ligações em 2018, contra 153 mil do ano anterior. Este é um número considerado “significativo”, e que bate o recorde de 2010, ano em que houve 163 mil ligações.
Para este ano prevêem-se 300 mil novas ligações, no âmbito do programa de acesso universal à energia, designado “Luz Para Todos”.

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