Cultura

Etu-Lene estreia em Janeiro a peça “O Marimbondo”

Victorino Joaquim

Jornalista

O grupo Etu-Lene prevê, para o próximo ano, a produção de peças de teatro que retratem o quotidiano e os comportamentos negativos engendrados por quem tem a missão de fazer melhor e não faz em prol do desenvolvimento harmonioso das instituições do país.

18/12/2019  Última atualização 10H55
DR © Fotografia por: Drama faz um retrato do quotidiano com base nas actuais práticas da sociedade luandense

O director artístico do grupo Beto Cassua anunciou, ontem, ao Jornal de Angola, a estreia a 18 de Janeiro, às 20h00, na Liga Africana, em Luanda, da peça “O Marimbondo - o Feiticeiro sem Feitiço”, que volta a ser exibida no dia seguinte, à mesma hora e local.
A peça foi escrita pelo próprio Beto Cassua e o espectáculo foi montado devido à actual dinâmica social em que se encontra o país, no que diz respeito ao combate aos actos de corrupção e à bajulação, assim como à má gestão do erário.
A peça de uma hora, explicou, incide sobre vários factos sociais, recorrendo-se a personagens imaginárias para despertar o público sobre os problemas que directamente estão ligados ao desenvolvimento da esfera sociopolítica do país. 
A precariedade dos serviços prestados em algumas instituições públicas e privadas é, igualmente, um dos aspectos a ser abordado como reflexão na peça. “Para que exista um crescimento económico e desenvolvimento do país, precisamos de moldar as mentalidades”, referiu Beto Cassua.
De acordo com o encenador, é importante debater o assunto e utilizar o teatro como forma de ajudar a despertar a sociedade. A ideia, explicou, é apresentar um espectáculo sem mencionar nomes ou instituições, de maneira a evitar ferir sensibilidades, por ser uma peça bastante satirizada: “qualquer semelhança é mera consciência”, alertou.
No espectáculo, o grupo aproveita alguns acontecimentos marcantes do quotidiano para produzir momentos de interacção e diversão, cujas personagens são tratadas por “chefe”, “baju” e “secretária.”
Durante a encenação, os actores mostram como os detentores de cargos públicos se comportam depois de ascenderem ao poder nas sociedades africanas, em particular a angolana. “Há o princípio de para quem é nomeado, a família faz festa, porque agora é a nossa vez de ficar rico. Não importa se os nossos actos vão prejudicar milhares de pessoas.” A peça mostra o comportamento dos dirigentes que esperam o pior acontecer para depois surgirem os apoios e lindos elogios fúnebres. “Primeiro, deixamos morrer, para, depois, aparecermos em grandes campanhas de solidariedade e apoios às vítimas”, lamentou.
Beto Cassua disse que o espectáculo é uma forma de mostrar à sociedade a importância dos fazedores de teatro na mobilização e sensibilização do público sobre as grandes transformações ocorridas nos mais variados sectores da vida social no país. “Durante muitos anos, temos apresentado peças que retratam a vida diária das comunidades”, rematou.

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