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Etiópía: Rebeldes do Tigray libertam prisioneiros de guerra

A Frente Popular de Libertação de Tigray (TPLF, na sigla em inglês), em guerra com o Governo de Adis Abeba há ano e meio, anunciou esta sextya-feira (20) que vai libertar 4.200 prisioneiros de guerra, incluindo mais de 400 mulheres.

20/05/2022  Última atualização 18H53
Tigray libertam prisioneiros de guerra © Fotografia por: DR

Os prisioneiros de guerra são militares etíopes e eritreus e entre eles figuram ainda efectivos das forças paramilitares da vizinha região de Amhara, que lutam contra a organização desde Novembro de 2020.

A decisão resulta, adianta a TPLF em comunicado, de conversações com o enviado especial da União Africana para o Corno de África, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, e é "uma medida unilateral destinada a reforçar a confiança" com vista a um acordo de paz no norte da Etiópia, que durante 2021 e até agora este ano se tornou um dos focos de conflito armado do continente.

Assim, "no cumprimento dos seus princípios para a resolução pacífica de litígios", a TPLF, como "autoridade Tigray" e "como prometido" ao ex-presidente nigeriano, decidiu libertar 4.208 prisioneiros de guerra, incluindo 401 mulheres.

A TPLF garante que as libertações foram decididas através de escrutínio escrupuloso. A grande maioria dos libertados apresentou documentação que comprovava que tinha intervido no conflito nos últimos meses e, portanto, não havia participado nos massacres cometidos no início do ano passado, quando ocorreram algumas das atrocidades mais sangrentas do conflito.

Da mesma forma, a TPLF também decidiu libertar os presos com algum tipo de deficiência "por doença ou ferimentos sofridos no campo de batalha" e, no que diz respeito às mulheres detidas, por estarem grávidas, o que levou a organização a acusar o governo etíope de "colocar mulheres grávidas na frente de combate”, lê-se no comunicado, publicado na conta do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social Twitter.

O conflito na Etiópia eclodiu em Novembro de 2020 após um ataque da TPLF contra a principal base do Exército, localizada em Mekelle, após o qual o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, prémio Nobel da Paz em 2019, ordenou uma ofensiva militar após meses de tensões políticas e administrativas.

A TPLF acusou Abiy de aumentar as tensões desde que chegou ao poder em abril de 2018, quando se tornou o primeiro Oromo a assumir o cargo.

Até então, a TPLF tinha sido a força dominante dentro da coligação de base étnica que governava a Etiópia desde 1991, a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (EPRDF, na sigla em inglês).

A organização opôs-se às reformas de Abiy, vendo-as como uma tentativa de minar sua influência.

No seu comunicado, a TPLF espera que o Governo etíope aja com a mesma consideração não só para com os seus prisioneiros de guerra, mas também para com o resto da etnia Tigray que, segundo organizações internacionais, estão detidos em áreas sob controlo do Exército etíope e seus aliados simplesmente por pertencerem a esse grupo populacional.

Entretanto, 319 camiões de ajuda humanitária entraram em Tigray entre os dias 10 e 16 de Maio.

Trata-se de um número que não era alcançado há quase um ano, apesar das imensas necessidades nesta região do norte da Etiópia, anunciou hoje a ONU.

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