Economia

Estudo destina mais de USD 850 milhões ao Pólo de Cacuso

Investimentos totais de 863 milhões de dólares podem ser aplicados no Pólo Agro-industrial de Cacuso, em Malanje, esperando-se, com isso, a criação de dezenas de milhares de postos de trabalho, no quadro do Estudo da Cadeia de Valor do sector da Agricultura, Pecuária e Florestas, em consulta pública desde há uma semana.

28/11/2019  Última atualização 09H27
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A cifra foi avançada, terça-feira, pelo consultor da multinacional indiana Mahindra, Mário de Matos, durante a apresentação do estudo em Malanje, onde disse que o projecto, com financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), vai ser executado em sete anos.

O estudo abarca, igualmente, o pólo da Quibala, no Cuanza-Sul, um empreendimento projectado para envolver Benguela, Bié e Huambo na cadeia de produção, absorvendo investimentos de 736 milhões de dólares, do que resultam outras dezenas de milhares de empregos.
Mário de Matos apontou para uma projecção do retorno dos investimentos na ordem de 29 por cento, acrescentando que, além do sector empresarial, a agricultura familiar constitui um dos escopros do projecto.
O consultor da Mahindra, empresa que elaborou o estudo encomendado pelo Ministério da Economia e Planeamento, afirmou que a área a cultivar é determinada, no projecto, pelo número de unidades de processamento, o que implica dois anos de estudos da cadeia e torna necessários sete anos para atingir o desenvolvimento global das infra-estruturas a implantar, embora esteja previsto que, já a partir do quinto ano, começam a gerar excedentes de produção.
Os pólos dessa natureza têm vários programas de financiamento disponíveis junto dos principais doadores internacionais de fundos, o que permite à África Subsaariana desenvolver infra-estruturas básicas.

Contribuição do sector agrícola

O director do Gabinete para o Desenvolvimento Económico Integrado de Malanje, Jacinto Caculo, disse na abertura do encontro que as estratégias da Cadeia de Valor da Agricultura, Pecuária e Florestas contam com a contribuição das províncias para as quais foram identificados projectos, assim como os representantes de cooperativas, sector empresarial agrícola e industrial e administrações municipais.
Em Malanje, a consulta resultou na solicitação da clarificação do papel dos operadores privados e do modelo de participação no pólo de Cacuso, áreas reservadas para o investimento privado e qual será o papel do Estado no que respeita ao financiamento.
Participantes pediram que o estudo esteja focado no potencial da província no seu todo e que o estudo inclua ideias sobre a melhoria das estradas e a formação de técnicos agrícolas, tendo em conta o défice nesse domínio.

Biocom confirma produção recorde

A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom), de Cacuso, produziu na presente safra (de Maio a Novembro), 110 mil toneladas de açúcar, mais 37 mil do que no ano passado ou um recorde do processo de maturação da unidade iniciado em 2014.
A informação foi prestada terça-feira, dia do encerramento do ano agrícola da Biocom, pelo director-geral adjunto da companhia, Luís Bagorro, que adiantou terem sido produzidos, igualmente, 14 mil metros cúbicos de etanol neutro e 60 mil megawatts de energia renovável.
O responsável realçou que a quantidade de açúcar produzida permitiu reduzir as importações em cerca de 35 por cento das necessidades do mercado, que compra no exterior 80 por cento do açúcar que consome.
De acordo com a fonte, no presente ano foram processadas 1.070 toneladas de cana, que constitui a principal matéria utilizada para o fabrico de açúcar, etanol e energia.
A energia produzida na unidade é fornecida à Rede Nacional de Transporte (RNT), enquanto o etanol é destinado às empresas de bebidas.
No ano agrícola, estiveram envolvidos 2.800 trabalhadores, a maior parte dos quais nacionais, 2.500 dos quais oriundos de Malanje tendo produzido resultados satisfatórios.

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