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Estudantes propõem solução para o fim da seca no Curoca

A instalação de um sistema de recaute e drenagem de água, a partir do rio Cunene, é a solução encontrada por estudantes do terceiro ano de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico Militar (ISTM), para mitigar a seca no município do Curoca.

02/10/2019  Última atualização 19H28
DR © Fotografia por: Grupo de estudantes do terceiro ano do curso de engenharia mecânica do Instituto Superior Técnico Militar (ISTM)

Apresentada pelos cadetes Sofonias João e Telma Teka, na primeira edição da Feira de Inovação e Desenvolvimento da Universidade Agostinho Neto, a solução de recaute, que é a elevação de um fluido da zona baixa para a zona alta, por sistema hidráulico, é resultado de um estudo científico levado a cabo para dar resposta aos problemas da seca no sul de Angola, com incidência sobre a região do Curoca, o município mais afectado pelo fenómeno a nível da província do Cunene.
Denominado “Sistema de recaute e drenagem de água para aplicação no Cunene”, o projecto, que pode ser apresentado, dentro de semanas, aos responsáveis provinciais, baseia-se na captação de água, a partir do rio Cunene, que dista cerca de cinco quilómetros das zonas habitadas do Curoca, tratamento e distribuição à população.
Para a captação, Sofonias João e Telma Teka explicaram que o sistema vai recorrer a fontes, como nascentes, chimpacas e cacimbas, além do rio, por meio de máquinas hidráulicas, tubagens e válvulas. Ainda sobre a captação, os cadetes realçaram que o sistema vai precisar de um reservatório, normalmente instalado numa estação de tratamento de água (ETA), serviço que não existe no Curoca.
Os estudantes de Engenharia Mecânica avançaram que o tratamento vai cumprir um fluxograma, que inicia com a retirada da água bruta para uma mistura rápida, seguida de floculação (processo em que são adicionadas à água substâncias químicas chamadas coagulantes) e decantação.
Seguidamente, continuaram Sofonias João e Telma Teka, o fluxograma de tratamento de água vai basear-se ainda na filtração das partículas aglomeradas de impurezas, para se fazer a adição de cloro e de fluor, no sentido da obtenção da água potável.
No que toca à distribuição, os cadetes sugerem no projecto que seja feita por meio de chafarizes, por canalização para residências e por camiões-cisternas. Para o município do Curoca, que tem uma população estimada em 41.087 habitantes e 375 cabeças de gado, o projecto calculou quatro categorias de consumo, sendo o caseiro ou doméstico, institucional, industrial e animal (gado).
O estudo dos cadetes do ISTM aponta que o consumo caseiro pode atingir os 24 litros por dia, o institucional cerca de 200, enquanto o animal 15 por gado.
Caso o projecto seja aproveitado pelo Governo Provincial do Cunene, a categoria industrial não vai ser ainda introduzida no terreno por não existir este tipo de serviço a nível do município do Curoca, com sede na comuna de Oncócua.
Com duas comunas (Oncócua e Chitado), o Curoca, um município que fica a 333 quilómetros de Ondjiva, a capital da província do Cunene, é habitado por povos vatwa, mungambwe, muhimba, muhakavona, kavikwa e ndimba, que praticam maioritariamente a pastorícia.
Nesta região, a seca é um problema que se arrasta desde 1995, mas os 86 bairros de Curoca passaram a sentir com maior incidência as consequências do fenómeno em Agosto do ano transacto. Em consequência disso, lamentam os cadetes, alunos abandonaram as escolas, há mortes de pessoas e de animais e a agricultura foi gravemente prejudicada.
Além de iniciativas privadas, para resolver a problemática da seca no município do Curoca, o Executivo está a desenvolver um plano que visa a construção de canais de água para abastecer a região a partir do rio Cunene.
Uma das soluções, de curto prazo, é a criação de um canal para abastecer a sede municipal, Oncócua, enquanto uma outra, de médio prazo, visa alimentar o rio Curoca, que tem o caudal muito baixo, no sentido de este servir as demais áreas do município.

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