Política

Estrada Nacional 230 concluída em Agosto do próximo ano

Garrido Fragoso

O líder do MPLA fez saber, este sábado, durante o acto de massas realizado na Lunda-Sul, que a Estrada Nacional 230, principal via que liga Luanda à cidade de Saurimo, passando por Malanje, será concluída em Agosto do próximo ano, dentro das políticas de recuperação e ampliação de infra-estruturas rodoviárias com impacto na vida das populações.

26/06/2022  Última atualização 09H10
Presidente João Lourenço afirma que o MPLA está pronto para comemorar a vitória expressiva © Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro

João Lourenço, após anunciar a boa nova, foi aplaudido pelas centenas de milhares de militantes, amigos e simpatizantes que acorreram ao local, no bairro Cawazanga, arredores da capital da Lunda-Sul, para ver, ouvirem e manifestarem o voto de confiança no presidente do MPLA, que foi interrompido, por várias vezes, ao longo do seu discurso, até conseguir espaço para partilhar os projectos que o partido tem para a província e a região.

"O MPLA conta, por isso, com o vosso voto, para concomemorar a vitória expressiva em Agosto”, realçou João Lourenço. A  Estrada Nacional 230 enquadra-se dentro de uma estratégia para a região, que integra, igualmente, os Caminhos-de-Ferro. O líder do MPLA deu a conhecer que, tendo em conta a longa distância que separa as províncias do Leste do litoral, a conclusão da obra e entrega da referida estrada apresenta-se como a opção mais rápida para facilitar a movimentação de pessoas e bens.

Anunciou, também, a conclusão da estrada Saurimo-Dala (Moxico), assim como a via Saurimo-Lucapa (Lunda-Norte), referindo que esta ultima já esta executada em 70 por cento. Está em curso, disse, a construção e reparação de uma série de rodovias para garantir a circulação entre os municípios e a sede provincial da Lunda-Sul.

João Lourenço explicou que trazer os Caminhos-de-Ferro até Saurimo, através dos CFL, via Malanje, implica, primeiro, a reparação efectiva do troço ferroviário Maria-Teresa- Cacuso, onde tem ocorrido sucessivos descarrilamentos de comboios, decorrente do mau trabalho efectuado no mesmo.

Nessa perspectiva, o líder do MPLA aventou a possibilidade da construção de um ramal ferroviário para ligar a cidade do Luena (Moxico) às sedes capitais da Lunda-Sul e Lunda-Norte, a exemplo do que acontecerá entre o município do Luacano (Moxico) e a vizinha República da Zâmbia. "Precisamos, numa primeira fase, trazer os Caminhos-de-Ferro a Saurimo, na perspectiva de levá-lo, depois, até à cidade do Dundo”, anunciou João Lourenço.

A situação pode resolver-se perfeitamente, mediante estudos, para proceder a ligação ferroviária da cidade de Saurimo, através dos  Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), a partir do Luau, Moxico, tendo em conta que a distância é muito mais curta em relação à ligação pelos Caminhos-de-Ferro de Luanda, por via de Malange.

"Estamos a trabalhar nessa possibilidade, e acreditamos que, no início do próximo mandato, teremos boas novidades sobre a possibilidade do arranque das obras para ligação ferroviária a Saurimo, pelos CFB”, afirmou.

O presidente do MPLA, João Lourenço, advertiu, entretanto, para que este e outros projectos tenham lugar, é necessário o voto massivo dos militantes e cidadãos, em geral, no MPLA, nas Eleições Gerais do dia 24 de Agosto.

 

MPLA aguenta lutar contra forças associadas

Cabidela com galo branco à vista, João Lourenço alertou os militantes e simpatizantes, que a oposição está a fazer recurso a tudo para derrubar o MPLA nas quintas Eleições Gerais de Agosto. ‘’Temos de seguir ao milímetro todas as manobras dos nossos adversários”, advertiu João Lourenço, lembrando que "a última das quais é um toque de ilusionismo por terem conseguido fazer de um galo negro, um galo branco”.

Referiu que ao longo de muitos anos, o MPLA tinha na mira um galo negro, que de repente desapareceu, e aparece, agora, um galo branco. "Fica como?’’, interrogou João Lourenço, indicando  que "algumas viagens que eles têm feito ultimamente ao exterior do país são apenas para aprender ilusionismo”.

João Lourenço afirmou que o MPLA vai continuar a trabalhar para a vitória do dia 24 de Agosto. Acrescentou, que depois de árduo trabalho eleitoral, "merecemos comemorar, e vamos comer uma boa cabidela, não importando se as penas do galo são pretas ou brancas’’.

O líder do MPLA pediu, por isso, a todos os militantes para assumirem o compromisso de no dia 24 de Agosto dirigirem-se às assembleias de voto. ‘’O voto deste dia será o talão que temos de mostrar para termos direito ao prato de cabidela”, frisou João Lourenço. "Ninguém come as penas, estas vão para o lixo, quer sejam elas pretas, castanhas ou brancas’’, concluiu a sátira, que arrancou dos presentes muitas palmas e assobios.

Em relação à tentativa de tirar o MPLA do poder, João Lourenço comentou que os opositores entenderam juntar-se, esvaziando alguns partidos que, em sua opinião, "não são grande coisa”, e foram buscar os seus líderes, colocando-os na lista de uma única força da oposição, "convencidos que assim serão mais fortes”.

 Os opositores, acrescentou, "inventaram nomes, como a Frente Patriótica, que não conseguiram legalizar, foram buscar dissidentes desta mesma corrente para engrossar as fileiras que o dissidente abandonou há alguns anos, passou o tempo a dar voltas com outros projectos que não conseguiu concretizar, e agora volta ao sítio de onde nunca devia ter saído”.

"Este procedimento dos opositores não amedronta”, disse João Lourenço, para quem o MPLA "aguenta lutar, no bom sentido, contra um, dois, três, quatro ou cinco opositores”.

 

"Monopólio nos diamantes” 

No capitulo da transparência na governação, o líder do MPLA disse que o Executivo atacou de forma muito frontal a necessidade de pôr fim ao monopólio na comercialização dos diamantes. Lembrou que os investidores que possuem minas de produção de diamantes têm agora a liberdade de comercializar uma grande percentagem da sua produção, vendendo a outra parte, a SODIAM, uma empresa pública. Fez saber, a propósito, que a SODIAM, amarrada ao esquema, era obrigada a vender os diamantes a um cliente exclusivo, tendo-se criado a  figura do "cliente preferencial”.

Afirmou que a medida "criou-nos alguns amargos de boca, mas estamos aqui para servir Angola e os angolanos, e não meia-dúzia de pessoas que pensam que têm mais direitos dos que os 30 milhões de angolanos”.

João Lourenço disse que, em termos de transparência na indústria diamantífera, ainda não há satisfação total, tudo pelo facto de a imprensa internacional continuar a lançar artigos que a apontam para a falta de transparência neste sector, protagonizada por alguns accionistas das empresas.

"Há muita especulação e insinuação sobre o assunto, e se algumas coisas são verdadeiras precisamos de as corrigir”, enfatizou João Lourenço. Para imprimir maior transparência no negócio da indústria extractiva, João Lourenço disse que Angola tomou a iniciativa de se filiar à organização internacional, designada "Iniciativa de Transparência nas Industrias Extractivas”,  que trata não só dos diamantes, mas também de outros recursos minerais,  incluindo o petróleo.

Angola foi admitida, há dias, em Bruxelas, para fazer parte da família da "Iniciativa de Transparência nas Indústrias Extractivas”, anunciou João Lourenço, considerando ser um passo "muito importante” para o país, tendo em conta a necessidade de se imprimir maior transparência nos negócios dos diamantes, petróleo, gás, ferro, ouro, cobre, e demais recursos que vierem a ser explorados no país. Esta iniciativa, ao nível do país, envolve, além do Executivo, a participação da sociedade civil.


Empreendimentos vão empregar centenas de jovens na Lunda  

Ao fazer menção da construção de vários empreendimentos diamantíferos na cidade de Saurimo, tais como o Projecto Catoca, Pólo de Desenvolvimento de Diamantes de Saurimo, Centro de Formação de Avaliação e Lapidação de Diamantes, e o Centro de Formação Técnico-profissional, João Lourenço anunciou, para breve, a criação de um Centro Geo-Científico, para estudar os recursos minerais na região, a exemplo dos que já existem em Luanda e Huíla.

Devido à falta do referido centro, disse, as amostras eram enviadas para África do Sul e Botswana, e Angola tinha de esperar meses pelos resultados. O empreendimento económico vai formar jovens em petrologia, mineralogia, hidrologia e geotécnica.

 O líder do  MPLA referiu, a propósito, que as três fábricas de lapidação do Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo já criaram 820 empregos, sobretudo para jovens residentes na província. Acrescentou que devem surgir, em breve, mais unidades fabris para garantir maior empregabilidade na região.

João Lourenço sublinhou o facto de no Centro de Formação de Avaliação e Lapidação, em Saurimo, a maioria dos jovens funcionários terem sido formados na Índia e, posteriormente, serem os  transmissores de conhecimentos para os demais da região, e não só.

Fez saber que, também, que o Centro Técnico-Profissional construído no Pólo Diamantífero para formar serralheiros, electricistas, carpinteiros  e técnicos em outras profissões, não vão   servir apenas a indústria diamantífera, mas o país, em qualquer domínio.

 

 Micro-Diamantes

João Lourenço disse que o Executivo está a criar capacidades em Saurimo, com vista o  aproveitamento dos micro-diamantes, para arrecadar mais receitas para o país. Sublinhou, ainda, que o aproveitamento dos micro-diamantes para a produção de jóias vai fazer com que se deixe de colocar estes pequenos minerais no lixo, ou enviá-los para, tratamento, ao exterior do país.

Anunciou para dentro de dias, o início da construção, na cidade de Saurimo,  de um parque de energia solar para garantir a electrificação de oito comunas, nos municípios de Cacolo, Dala, Muconda.

O projecto vai garantir 8 mil ligações domiciliares, em oito comunas dos referidos municípios, tendo como fonte energias limpas. O presidente do MPLA lembrou, a propósito, que a Lunda-Sul já beneficia de um complexo de estocagem de combustíveis, com capacidade para armazenar cerca de 900 metros cúbicos de gasóleo e gasolina.

 

Ganhos com o PIIM

O presidente do MPLA falou das inúmeras estruturas sociais criadas na Lunda-Sul com os dinheiros do PIIM, com destaque para o Hospital Geral da Lunda-Sul, Maternidade Provincial, e vários centros de saúde. Reconheceu que ao nível da Educação a província não está mal, mas anunciou, para breve, a inauguração, na cidade de Saurimo, de um centro universitário, cuja primeira pedra foi lançada há dias. 

 

Aposta na Ciência

João Lourenço começou o acto de massas com a apresentação da candidata do MPLA à Vice-Presidente da República, Esperança Costa, que mesmo não tendo feito carreira no partido, é académica e está ligada à ciência. Considerou ter sido uma "aposta acertada”, a de Esperança Costa para o grande desafio que vai conduzir o partido a "estrondosa vitória” eleitoral no dia 24 de Agosto.

O dirigente partidário exteriorizou satisfação pelos resultados até agora alcançados nos actos políticos de massas realizados nas províncias do Cunene, Cabinda, Zaire e Moxico, para a concretização da vitória do partido no pleito eleitoral. 

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