Cultura

Estilos tradicionais do país valorizados em festival na Quiçama

Manuel Albano

Jornalista

A preservação de vários estilos musicais tradicionais e a criação de novos factos culturais estiveram em destaque na primeira edição do Festival de Música Tradicional, denominado “Corredor do Kwanza”, que aconteceu sexta-feira , no largo da Nossa Senhora da Muxima, na vila sede com o mesmo nome.

05/07/2021  Última atualização 04H00
Festival inserido em mais um aniversário da Quiçama reúne cantores consagrados do folclore © Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro
Sob o lema "Nas margens do Kwanza, no reencontro dos nossos hábitos, costumes, ritmos e tradições”, o festival esteve inserido nas festividades do 83º aniversário da Quiçama, assinalado na sexta-feira.

A Quiçama, considerada pelos locais como o "município futuro”, pelas potencialidades agropecuárias, foi o local escolhido para acolher um dos maiores festivais de divulgação do folclore nacional, em especial o ligado à Região Norte do país. Estilos como chucula, catutula, osaoya, olundongo, omenda e tchinganji, este último tido como a dança dos palhaços, foram bastante ovacionados por centenas de espectadores.

O programa radiofónico "Sons da Banda” da Rádio Luanda, através do "Clube de Amigos”, impulsionado pelo guitarrista Kintino, da Banda Movimento, fez a outorga de Diplomas de Reconhecimento à Administração da Quiçama e ao cantor Baló Januário, em prol da massificação, divulgação e preservação da música folclórica no país.


O legado

O folclore, estilo muito consumido no interior do país, tem sido uma das principais apostas dos músicos da nova geração da Quiçama para conquistar o mercado nacional. O líder do grupo folclórico União da Mulemba, também conhecidos como "Levanta Poeira”, Domingos Lourenço, considerou importante esta transmissão do legado às novas gerações, por ser uma das formas de preservação da cultura da região.

O grupo, explicou ao Jornal de Angola, é constituído por adultos e jovens, fruto da união entre as regiões da Mulemba e Kaxicane. A maioria dos temas, contou, retratam o quotidiano, assim como os rituais de iniciação, circuncisão e festas tradicionais. "É um grupo secular tradicional que tem passado de geração à geração e faz parte da identidade cultural local”.

O "showman” do grupo tradicional Vozes do Nambua, Rei Toy, enalteceu a iniciativa da administração e considerou importante a criação de um calendário de espectáculos para a promoção dos vários estilos do género. "O acto não pode acontecer somente nas datas comemorativas, por ser uma forma de garantir a continuidade dos grupos na preservação dos estilos de raízes locais”, defendeu. 

Para Pack dos Santos, um dos convidados do festival, é preciso aproveitar o potencial e o interesse de muitos jovens dispostos a apostarem no folclore e o recolocar no top do mercado musical do país. "O folclore tem a sua marca registada no mosaico cultural nacional, pela expressão e valor simbólico que representa nos mais variados subgrupos étnico da região”, acrescentou.

Intérprete do estilo cabecinha, Pack dos Santos pede por políticas concretas e direccionadas para apoiar os estilos de raízes e os fazedores. O cantor, que começou a carreira no coro da Igreja Metodista, tem explorado os ritmos tradicionais da região de Bom Jesus.


Ritmos contagiantes

O grupo Tunjila Twa Jokota, que já está a preparar o quinto disco de originais, intitulado "Nzambe Wixinde”, foi outra das atracções do festival. Terceiros classificados do Top dos Mais Queridos de 2007, o grupo apresentou o melhor de anos dedicados à música, explorando temas dos discos "Kiaxa kuko” (2003), "Yoso ikuma” (2007), "Tiukamba kioutobessa” (2010) e "Kudiva” (2014), onde despontam os êxitos "Sentem Respeito” e "Mana Mena”.

Augusto Lupossa, um dos integrantes do grupo, disse ao Jornal de Angola, que o festival foi uma oportunidade de várias gerações de defensores de estilos musicais tradicionais mostrarem o potencial artístico.
Para o cantor, o festival deve servir de tónico para despertar o mecenato no apoio às iniciativas do género, a maioria promovida pela administração local, que, com poucos recursos disponíveis, está a dar um exemplo de que é possível quando há vontade”, desabafou.

O músico disse que o festival poderá servir igualmente de "ponte” de promoção e divulgação de marcas. O local, continuou, por ser uma região com potencialidades para a exploração do turismo ambiental e cultural, pode ser uma grande oportunidade para os empresários publicitarem marcas e produtos.

O elenco artístico do festival incluiu os músicos Baló Januário, Zanga Maka, Titi Neusa, Macaxi, Dimbila, Big Bang, Sebastian, Sondoca, Original Coopera, Say Say, Sabor, Mário Sumbo e o grupo da Njimba, todos da região da Quiçama. Outros convidados foram o grupo tradicional Akamba Vanene, do Bié, Kumbi Lixia e Dueto XP do Mussende, do Cuanza-Sul, Miguel Zau "Mig” e Bala Bala, a representar Luanda, Disbunda, Amados de Ambaca e Tinho Amado, do Cuanza-Norte.

Entre os convidados constaram, também, grupos de danças tradicionais do país, como o Tunjila Twa Jikota e TX de Cangandala, de Malanje, e o Ballet de Catete. O cantor Pack dos Santos, de Icolo e Bengo, o Vozes do Nambwa, do Bengo, e o grupo carnavalesco Viveiros do Njinga Mbandi, de Luanda, fizeram, igualmente, parte do elenco.

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