Política

Estátua do Rei Mandume chega ao Cunene

A estátua do rei Mandume ya Ndemufayo, soberano dos Kwanhama, esculpida em Espanha, já está na província do Cunene.

03/07/2022  Última atualização 08H24
Momento em que se preparava a retirada da estátua do Rei Mandume do contentor © Fotografia por: Edições Novembro

A estátua, que se encontrava retida em Espanha desde 2014, por dificuldades de transporte, depois de ter sido encomendada pelo Ministério da Cultura, será instalada na Praça Central de Ondjiva, local onde o rei Mandume teve a Embala (Palácio Real) durante o reinado entre 1911 e 1917.

A maquete inicial do projecto define que a estátua, construída em bronze, com seis metros de cumprimento e quatro de largura, apresenta o rei montado num cavalo branco empunhando na mão direita uma arma, simbolizando a guerrilha contra o colono português, e nos pés o cão de guarda.

Segundo fonte da Angop, técnicos encarregados da montagem, entre os quais dois espanhóis do ateliê construtor da estátua e quatro angolanos, estão no Cunene, desde o sábado, a desenvolverem estudos técnicos para o processo com previsão de duração de quatro dias.

 

Legado histórico de Mandume

Pertencente ao reino mais poderoso da tribo Ambós, o rei Mandume–ya-Ndemufayo comandou os destinos do povo Kwanhama num dos períodos mais difíceis da História da região Sul, de 1911 a 1917.

Nascido em 1892, na localidade de Embulunganga, município do Cuanhama, filho de Ndemufayo e de Ndapona, Mandume, o 18º soberano da tribo Kwanhama, subiu ao trono aos 19 anos.

Reza a História que Mandume defendeu a população durante o seu reinado e suicidou-se a 6 de Fevereiro de 1917, na povoação de Oihole, município de Namacunde.

No local foi construído um monumento turístico e cultural, onde se encontra o túmulo do rei, inaugurado em 2002, pelo então Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, na presença do ex-Chefe de Estado namibiano, Sam Nujona.

O povo Ambó (sul de Angola e norte da Namíbia) recorda, anualmente, a morte do rei Mandume-ya-Ndemufayo, destacado líder da resistência contra a ocupação colonial portuguesa na região Sul de Angola, que preferiu matar-se a render-se.

Desde então, o seu nome e feitos fazem parte da tradição dos Ambós, que o apelidaram de "O cavaleiro incomparável”.

No túmulo estão inscritas as suas célebres palavras: "Se os ingleses me procuram, eu estou aqui, e eles podem vir e montar-me um ardil, não farei o primeiro disparo, mas eu não sou um cabrito nas mulolas, sou um homem (...) e lutarei até gastar a minha última bala”.

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