Reportagem

Estará a China a conquistar o espaço?

A China afirma estar a trabalhar no desenvolvimento de uma central solar eléctrica, que um dia pode obter e trazer para a Terra energia suficiente para o consumo de uma cidade inteira. Se o projecto for bem-sucedido representará um enorme salto na actual dependência energética dos combustíveis fósseis, que tem contribuído para um aumento exponencial das alterações climáticas, bem como uma fortíssima alternativa às actuais energias renováveis, explica a CNN.

10/03/2019  Última atualização 09H56
DR

A empresa estatal chinesa responsável pela ciência aerospacial e tecnologia planeia lançar, até 2021, pequenos satélites solares capazes de explorar energia no espaço, de acordo com um recente relatório publicado no jornal oficial do país Science and Technology Daily, na tradução inglesa.
A partir daí, deve começar a testar tecnologia capaz de enviar energia para a Terra através de lasers. Para tal, será construída uma estação de recepção em Xian, a nordeste da cidade chinesa de Chongqing. A mesma empresa espera estar a operar uma estação espacial de energia solar comercialmente viável em 2050.
A energia solar obtida poderia depois ser enviada para a Terra por micro-ondas ou lasers. Todavia, Pang Zhihao, investigador da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, alerta para a necessidade de analisar os potenciais riscos que este processo coloca a humanos, animais e plantas.

Instrumento militar letal?

Além disso, e embora seja altamente aliciante do ponto de vista do combate às alterações climáticas, muitos alertam para o perigo de a China poder usar os lasers produzidos numa central solar eléctrica, como um instrumento militar letal. Peter Schubert, director do Centro Richard G. Lugar para as Energias Renováveis na Universidade de Indiana - Purdue Indianapolis, alerta para os potenciais perigos, lembrando que “um laser pode incendiar uma cidade em minutos ou horas”.
Além disso, um daqueles satélites na órbita geoestacionária teria visão sobre cerca de um terço da superfície da Terra, o que representa uma enorme vantagem táctica para a China e um enorme risco para os restantes países.
Foi em 1970 que a China pôs em órbita o seu primeiro satélite, bastante depois dos Estados Unidos ou da então União Soviética. Contudo, esse atraso tem sido largamente recuperado nos últimos anos. Ainda em Janeiro, a China tornou-se no primeiro país a aterrar uma sonda no lado mais afastado da Lua, conhecido como o seu lado “oculto”.
O Presidente Xi Jinping tem, aliás, investido milhares de milhões na corrida ao espaço. Xi previa apresentar-se perante o Parlamento, na passada segunda-feira, para a sessão anual, num momento em que a China enfrenta uma desaceleração da economia e uma guerra comercial com os Estados Unidos.
De acordo com a organização americana United States National Space Society, a energia solar espacial é potencialmente a maior fonte de energia disponível, que poderia dar resposta a todas as necessidades de todas as pessoas no nosso planeta. Também Schubert corrobora esta visão, descrevendo-a como “a mais importante tecnologia para a humanidade”.
Chamando a atenção para o facto de a colaboração entre os Estados Unidos e a China nesta matéria seria “o melhor caminho para o sucesso”, Schubert lembra, contudo, que a legislação vigente impede a NASA de colaborar com a China em tecnologia aeroespacial.
A tecnologia de exploração de energia solar no espaço existe desde a década de 1960, recorda. Apesar disso, ainda há muitos entraves, nomeadamente, a nível de custos. Em causa, está, por exemplo, a necessidade de encontrar uma forma não demasiado cara de transportar a central solar eléctrica para o espaço. Uma das soluções em cima da mesa é a impressão em 3D.
De acordo com a United States National Space Society, os custos que envolvem a tecnologia necessária para a concretização da produção de energia solar no espaço são mais pequenos do que aqueles que tem e terá o aquecimento global.
A produção de energia solar no espaço seria, além disso, muito mais eficiente. De acordo com a publicação chinesa Science and Technology Daily, já citada, a produção de energia solar seria seis vezes mais eficiente. Afinal, uma central eléctrica solar a flutuar 36 mil quilómetros acima da nossa cabeça não estaria tão dependente das contingências como aquela que é produzida na Terra.
A energia solar poderia gerar electricidade durante 99 por cento do tempo de utilização daquela tecnologia, tendo como excepção apenas os momentos em que a Terra eclipsa o Sol. Além disso, os raios solares não seriam enfraquecidos pela viagem que fazem até à atmosfera terrestre.

Cápsula de Elon Musk regressa sã e salva

Os quatro pára-quedas garantiram à cápsula Dragon da SpaceX uma amaragem suave no Oceano Atlântico. A cápsula não tripulada da empresa de Elon Musk passou quase uma semana na Estação Espacial Internacional, tendo reentrado na atmosfera protegida por painéis contra as altas temperaturas. A amaragem deu-se a 450 quilómetros de Cabo Canaveral na Florida. A cápsula foi recuperada pelo navio GO Searcher, que aguardava a sua chegada.
“Nem acredito como a missão correu tão bem, afirmou Benjamin Reed, director da SpaceX e supervisor deste projecto”. O regresso da cápsula Dragon foi saudado com aplausos no centro de comandos da missão. Sem humanos a bordo, a cápsula transportava um boneco coberto com sensores que deve agora ser analisado.
A NASA deverá decidir se aprova a cápsula Dragon para ser usada em missões tripuladas. A primeira pode acontecer já em Julho, mas poderá ter de ser adiada para permitir aos engenheiros realizarem mais testes.
Elon Musk, o milionário sul-africano famoso por ser o dono da Tesla e pela sua obsessão em levar o Homem a Marte, tinha-se mostrado preocupado com a reentrada da Dragon na atmosfera, uma vez que o revestimento da cápsula é um pouco irregular, podendo causar aquecimento a velocidades hipersónicas.
Desde o fim do programa de vaivéns que os EUA não conseguem colocar os seus próprios astronautas no espaço, estando dependentes da Rússia e dos seus foguetões Soyuz, lançados a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.
A NASA espera agora pôr fim a este interregno de oito anos, graças a dois novos sistemas de transporte comerciais. Além da SpaceX, a agência espacial americana está a trabalhar com a Boeing, na produção de uma cápsula chamada Starlinger. Esta deverá realizar o seu primeiro voo não tripulado em Abril.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Reportagem