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Estados Unidos compram quase toda a produção mundial de Remdesivir

Os EUA adquiriram quase toda a reserva mundial de Remdesivir para os próximos três meses à farmacêutica Gilead Sciences, “num negócio incrível”, disse o secretário de Estado norte-americano da Saúde. Trata-se do primeiro medicamento contra a Covid-19 que foi aprovado nos EUA, tendo sido já recomendado pela Agência Europeia de Medicamentos.

03/07/2020  Última atualização 09H22
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A administração de Donald Trump comprou mais de 500 mil doses do fármaco, o que representa toda a produção mundial do medicamento de Julho e 90% de Agosto e Setembro.

Isto significa que os restantes países do mundo não vão ter possibilidade de comprar o Remdesivir, produzido pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, nos próximos três meses, quando as reservas nacionais esgotarem.
“O Presidente Trump conseguiu um negócio incrível ao garantir que os americanos tenham acesso à primeira terapêutica autorizada para a Covid-19”, disse Alex Azar, secretário de Estado norte-americano da Saúde.

Esta compra revela que os EUA “têm acesso à maior parte do fornecimento do medicamento, então, não resta nada para a Europa”, disse Andrew Hill, investigador da Universidade de Liverpool, ao jornal The Guardian.
Aliás, segundo o jornal britânico, o stock de 140 mil doses de Remdesivir produzido pela Gilead e utilizado em ensaios clínicos está prestes a esgotar-se.
“Este é o primeiro grande medicamento aprovado e onde está o mecanismo de acesso?” questionou Hill. “Mais uma vez, estamos no fim da fila”, lamentou o investigador.

A aquisição do fármaco, que, segundo um estudo, acelera o processo de recuperação dos doentes de Covid-19, foi anunciada na segunda-feira, pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos. A venda resultou de um acordo que permite “grandes fornecimentos de Remdesivir para os Estados Unidos até Setembro”.

“Na medida do possível, queremos garantir que qualquer paciente americano que precise de Remdesivir possa obtê-lo. A administração Trump está a fazer tudo o que é possível para aprender mais sobre a terapêutica que salva vidas e garantir o acesso a essas opções ao povo americano”, referiu o secretário de Estado da Saúde, Alex Azar.

A aquisição de Remdesivir pelos EUA acontece numa altura em que a pandemia não dá sinais de abrandar, com Califórnia, Texas, Arizona e Flórida a representarem metade dos novos casos. Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, disse, na audiência do Senado, que os EUA não têm o “controlo total” da pandemia.

Preço e poupança

Para adquirirem o medicamento, os governos dos EUA e de outros países desenvolvidos têm de pagar cerca de 347 euros por cada frasco, sendo que o tratamento de cinco dias implica a utilização de seis frascos, o que representa um custo total de 2.082 euros por paciente.
De acordo com a Gilead Sciences, o tratamento com este medicamento irá permitir uma poupança de 12 mil dólares por doente, uma vez que possibilita aos pacientes terem alta hospitalar mais cedo.

Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine demonstra que os doentes que foram tratados com este fármaco conseguiram recuperar quatro dias mais rápido do que os outros casos graves.

A farmacêutica norte-americana refere, no entanto, que fixou um preço mais baixo para que todos os países desenvolvidos possam ter “acesso amplo e equitativo” ao Remdesivir, “num momento de necessidade global urgente”.
Os valores mudam quando se trata de empresas privadas norte-americanas. Para estas entidades, cada frasco de Remdesivir vai custar 520 dólares e o tratamento de cinco dias ficará por 3.120 dólares por doente.

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