Política

Estado devolve ao empresariado papel fundamental na economia

O Estado pretende devolver o papel de actor principal da economia ao sector empresarial privado, afirmou ontem, em Luanda, o Presidente da República, João Lourenço, no encontro com associações empresariais nacionais.

31/07/2019  Última atualização 07H26
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: João Lourenço (ao centro) defende trabalho conjunto para tirar a economia nacional da crise

João Lourenço, que discursava na abertura de um fórum económico com associações empresariais nacionais, lembrou ter sido anunciado por si, numa outra ocasião, que o Executivo negociou com o Deutshe Bank (alemão) uma linha de financiamento de mil milhões de dólares destinados à dinamização da actividade económica privada, com destaque para o sector produtivo.

O Chefe de Estado acrescentou que o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) foi também orientado a utilizar os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento para bonificar as taxas de juro, que, reconheceu, ainda são muito altas no mercado financeiro. Afirmou que, o Estado pretende devolver o papel de actor principal da economia ao sector empresarial privado, e pediu aos empresários para que aceitem o testemunho, na certeza de que saberão fazê-lo melhor que o Estado na responsabilidade de produzir bens e serviços e na criação de emprego. 

“Se ocuparem convenientemente o espaço que sempre foi vosso e que por razões de conjuntura política ao longo de décadas vos foi usurpado, temos a convicção que vai proliferar pelo país o número de micro, pequenas e médias empresas e, assim, tornar realidade o sonho da diversificação da nossa economia”, assinalou o Chefe de Estado.
O Presidente João Lourenço pediu “trabalho conjunto para tirar a economia da crise em que ainda se encontra e retomar o crescimento económico em bases mais sustentadas e diversificadas”, enfatizando que “o papel do Executivo deve ser o de coordenar e regular o desenvolvimento económico do país e que o motor do crescimento económico reside no sector privado, nos empresários, que deverão apostar na inovação.”
“Estabeleçam parcerias com empresas tecnologicamente mais avançadas, portadoras de ‘know how’ e que facilitem o acesso ao mercado internacional”, disse o Chefe de Estado, deixando claro o reconhecimento do importante papel das empresas na economia e na sociedade, mas fala também na necessidade da concertação e da cooperação com o Executivo para fazer de Angola um país próspero e desenvolvido capaz de proporcionar ao seu povo altos padrões de vida e de bem-estar.
O Presidente da República, João Lourenço, manifestou a sua preocupação face ao aumento dos níveis de desemprego no país, mas enfatizou que só com aumento do investimento o país poderá voltar a crescer economicamente, criar mais postos de trabalho e proporcionar à juventude melhores rendimentos e bem-estar às suas famílias. “Como consequência do facto do país ter vivido um ambiente de recessão económica nos últimos três anos, os níveis de desemprego em Angola subiram. Trata-se de um problema que nos deve preocupar a todos e que só poderá ser resolvido através do aumento do investimento na economia, sobretudo, do investimento privado”, notou o Presidente da República.
Para João Lourenço, com o aumento da oferta de energia e água no país, sobretudo após a interligação através das redes de transportação dos sistemas eléctricos do Norte ao Centro do país, e com a perspectiva de ligar e expandir para o Sul e para o Leste, o empresariado nacional deve investir mais nas diferentes indústrias, na agro-pecuária, nas pescas e no turismo.
Perante dezenas de empresários nacionais representados pelas várias associações, o Presidente da República lembrou ainda que, no quadro da redução ou remoção dos constrangimentos ao investimento privado, o Executivo tem vindo a tomar medidas no domínio fiscal, cambial, migratório, bem como medidas de apoio à produção nacional, de atracção e captação do investimento privado, de acesso ao crédito para tornar mais atractivas as condições para o investimento dos empresários nacionais e estrangeiros.
“Apesar das dificuldades que as nossas empresas enfrentam, verificamos um interesse crescente dos nossos empresários em participarem das iniciativas do Executivo para alterar o quadro que vivemos. Este encontro com a classe empresarial é um testemunho do renovado interesse de concertação e de cooperação entre os empresários e o Executivo para juntos mudarmos a situação actual”, reconheceu João Lourenço.

Sector produtivo
O Chefe de Estado lembrou ter sido anunciado por si, numa outra ocasião, que o Executivo negociou de forma exitosa com o Deutshe Bank (alemão) uma linha de financiamento no valor de mil milhões de dólares destinados à dinamização da actividade económica privada, com destaque para o sector produtivo, sublinhando que, além destes recursos, estão ainda à disposição dos empresários outras facilidades.
João Lourenço informou que o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) foi orientado a utilizar recursos do Fundo Nacional do Desenvolvimento para bonificar as taxas de juro ainda muito altas prevalecentes no mercado financeiro, para créditos a conceder pelos bancos comerciais para investimentos nos produtos prioritários definidos no âmbito do PRODESI.

Seriedade nos projectos

O Presidente da República pediu aos empresários para trabalharem em conjunto com o Executivo no sentido de estabelecer uma relação positiva entre o volume de crédito concedido e os resultados que se almejam alcançar, em termos de produção e produtividade.
“Exigiremos seriedade e rigor na qualidade dos projectos, na análise das propostas e teremos todo o cuidado nos desembolsos e na fiscalização da sua implementação”, disse o Presidente da República, que adiantou ser esta uma forma que o Executivo encontrou de reconhecer a importância e o papel do empresariado nacional, ajudando-o a crescer, a afirmar-se como um actor fundamental para a diversificação da economia, aumento da oferta de bens e serviços e aumento da oferta de emprego.
Na ocasião, João Lourenço falou do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), que deve ser implementado para mudar significativamente a vida dos cidadãos, com o aumento da oferta de serviços essenciais.
“O futuro constrói-se hoje, com os investimentos que fizermos agora em infra-estruturas físicas e na formação dos quadros. Contamos convosco, empresários angolanos, para o êxito deste programa”, disse, afirmando que serão eles a concorrer para as empreitadas de construção das diferentes infra-estruturas contempladas no PIIM.
Realçou que é com a disponibilização destes recursos financeiros que se quer também relançar o sector produtivo do país, garantindo emprego, sobretudo, para a juventude, e que, com as actuais políticas traçadas, com o programa de privatizações já anunciado, o Executivo dá um sinal muito claro de reduzir consideravelmente a sua forte presença na economia.

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