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Estado degradado dificulta acesso à comuna do Bengo

Ao longo da via de cerca de 42 quilómetros, Cangola/ comuna do Bengo, província do Uíge,há muitas ravinas, buracos e charcos, que tornam difícil a circulação rodoviária. O percurso é feito em mais ou menos de duas horas. A viagem é cansativa.

11/03/2020  Última atualização 21H00
José Bule | Edições Novembro © Fotografia por: Buracos enormes no meio da estrada estão a provocar o surgimento de ravinas devido as enxurradas constantes na região

As chuvas que caem insistentemente sobre a região facilitam a progressão das ravinas, que ameaçam isolar a comuna do resto da sede do município. Na estrada interprovincial nº150, o movimento de viaturas é cada vez mais fraco.
A maioria dos cidadãos que se deslocam da comuna do Bengo para a sede municipal de Cangola, e vice-versa, viaja em motorizadas de duas rodas e paga três mil kwanzas. “Estamos a sofrer. É difícil sair daqui, porque as viaturas já não chegam até aqui. É por essa razão que muitos viajam em motorizadas. E, quando não têm dinheiro viajam mesmo a pé”, lamenta a moradora da sede comunal do Bengo, Joaquina Jorge, de 43 anos.
Para o administrador da comuna do Bengo, Pascoal João Cassumba, o estado em que se encontra a via é cada vez mais preocupante, porque as chuvas não param de cair sobre a região e “com isso aumentam os níveis de progressão das ravinas”.
“Mas a degradação da estrada não está a dificultar apenas a circulação rodoviária. Está a impedir, também, o desenvolvimento integral da localidade”, disse, para de seguida explicar que ao longo da via Cangola – Bengo, até à fronteira com a província de Malanje, estão controladas seis ravinas de grandes dimensões, cuja solução do problema ultrapassa a capacidade interventiva do município.
“Só mesmo o Governo Provincial do Uíge ou o Ministério da Construção dispõem de capacidade técnica para resolver o problema”, apontou.

Produtos apodrecem
nas zonas de cultivo
Quanto a produção agrícola, 16 associações de camponeses, com mais de três mil membros, produzem grandes quantidades de mandioca, amendoim, feijão, milho, batata-doce, cana-de-açúcar, abóbora, inhame, batata rena e hortícolas em grande escala. Mas a maioria dos produtos apodrecem nos campos agrícolas, por falta de escoamento. Segundo o administrador comunal, Pascoal Cassumba, a terra oferece um potencial agrícola enorme e invejável, e os associados produzem um pouco de tudo. Lembrou que, no ano passado, os camponeses beneficiaram de instrumentos de trabalho como catanas, enxadas, limas, machados, pás, picaretas, botas de borracha e sementes melhoradas.
Com este apoio, acrescenta o administrador, os camponeses aumentaram a produção agrícola e colheram milhares de toneladas de produtos diversos. “Mas, infelizmente, uma grande parte apodreceu por falta de escoamento. Os carros já não circulam para o interior da comuna, porque as condições das vias não favorecem”, esclarece.
A comuna do Bengo possui 12 mil e 528 habitantes, e ocupa uma extensão territorial de 685 quilómetros quadrados.

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