Opinião

Estabilidade regional

A partilha de informação e experiência, além do esperado reforço dos laços políticos, diplomáticos, económicos e comerciais, entre os Estados e lideranças africanas, é vital para fortalecer a segurança, as relações entre os Governos, a interacção entre os povos e avanço do continente.

04/06/2021  Última atualização 08H50
Os Estados africanos precisam de, cada vez mais, estreitar as relações entre si, quer como variável para os aproximar mais, quer  como factor para afugentar os diferendos e alicerçar a união africana.
A vinda a Angola do Presidente do Conselho Militar do Tchad, Mahamat Idriss Déby, recebido em audiência, na quarta-feira, pelo Presidente da República, João Lourenço, representa um passo importante no âmbito das consultas bilaterais.

A República do Tchad é um parceiro importante, com o qual Angola tem vindo a reforçar os laços e, mais importante, sobretudo nesta altura em que os países africanos, de uma maneira geral, debatem-se com desafios da segurança regional e continental. Hoje, atendendo aos desafios provocados por fenómenos como o terrorismo, os crimes transnacionais, apenas para mencionar estes, num momento em que as fronteiras tendem a dar lugar à livre circulação de pessoas e bens, não há dúvidas de que se multiplicaram os desafios de segurança.
Como país membro da instável região do Sahel, cujas especificidades, desde o extenso deserto, às porosas fronteiras, ao lado das condições sociais frágeis, a República do Tchad procura colher a experiência de Angola que, por sua vez, aprenderá também com a experiência tchadiana.

Ao nível de África e ao longo dos últimos 20 anos, o Tchad tem sido um "player” decisivo no combate e contenção da expansão do extremismo religioso ao longo da região do Sahel. E nesta condição, igualmente tal como reafirmado pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, Angola apoia o Tchad política e diplomaticamente. A forma exemplar como o Tchad está a travar as investidas do Boko Haram, grupo terrorista nigeriano cujos "tentáculos” transpuseram as fronteiras nigerianas para afectar os países vizinhos, deve servir de ensinamento para a sub-região.

 A experiência militar e de resolução de conflitos que Angola, modestamente, possui, sobre as quais numerosos Estados africanos procuram familiarizar-se para retirarem as melhores lições, são activos importantes do país.
Os dois países precisam, sempre que possível, de maximizar as condições que permitem maior aproximação, que ajudam no processo de engajamento, viabilizam relações baseadas na reciprocidade de vantagens. Apenas assim os Estados africanos poderão contar consigo mesmos, poderão materializar o sonho dos "pais fundadores da unidade africana” e seguir em frente com os desígnios da União Africana.

Esperemos que o processo de consultas bilaterais e multilaterais entre os Estados e lideranças africanas continue para bem das boas relações que contribuam para cimentar a estabilidade regional e fomentar o bem-estar dos povos.

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