Opinião

Espírito pascal

Arsénio Chilala

“Na oração do Pai Nosso, a passagem – ‘assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’ - se fosse efectivamente praticada, o mundo seria um mimo"

23/04/2022  Última atualização 18H03

Esta ideia apareceu-me na rubrica Memória, no meu cantinho do facebook. Decidi recuperá-la para me ajudar a esculpir esta crónica, pois que nessa época em que vivemos o espírito pascal, nada melhor que falar de perdão.

Na missa, domingo passado, na sua alocução, o padre, à dada altura, começou a falar sobre a vida dos casais. Contou uma história muito interessante acerca do casamento, da qual concluí que a vida a dois anda envolta em grande mistério.

Se a beleza exterior fosse garantia para um casal ser feliz, não havia briga nem tão pouco divórcios de casais bem parecidos. Se riqueza fosse a receita para felicidade de um casal, não assistiríamos à separação de pessoas abastadas. Se a questão assentasse na cor da pele, por exemplo, nunca teríamos pancadaria entre um casal da mesma raça. Se o problema é a origem étnica, por que razão tenho conterras que vivem espancando suas esposas, se são do mesmo quimbo?

Se a razão fosse partidária, casais que militam no mesmo partido não andavam à porrada como alguns que conheço.

Se a maka fosse a falta de estudos, por que raio vemos casais com canudos mais infelizes do que aqueles que partiram o lápis mais cedo?

Se a confusão tivesse a ver com a confissão religiosa, o adultério não teria lugar em casais que andam na mesma igreja.

E vários outros exemplos poderiam ser aqui apresentados.

Então, meus caros, qual é a receita para se ser feliz no casamento?

Onde está o segredo, papás e mamãs?

Mistério... um mistério que pode ser desvendado.

Para o clérigo, e, agora também para mim, o milagre/segredo para um casal ser feliz chama-se ORACÃO. A oração aproxima o casal a Jesus, ora ressuscitado, e consequentemente a Deus e permite que ambos os dois, como dizia o outro, compreendam o valor do Perdão e façam dele ingrediente indispensável para viverem a plena felicidade.

Não sou muito de falar sobre essas coisas... deve ser o espírito pascal que me impeliu pra esta crónica religiosa, se é que isso existe.

Jesus ressuscitou, venceu a morte e está no céu, aleluia e ponto e vírgula, mudar de assunto.

Só mesmo nós, cá em baixo, e, particularmente na nossa Luanda, é que não conseguimos vencer a chuva, que todos anos vem do céu. Sai governador, entra governador e as makas causadas pelas enxurradas continuam. Agora, até saiu um e entrou outro presidente, mas ainda assim, quando chove, é um deus nos acuda.

Quando era canuco, havia uma canção que era "chuva vem galinha não caga” a qual, agora, devíamos adaptar para "chuva vem, angolano não trabalha”, pois é isso mesmo que acontece de cada vez que São Pedro decide abrir as comportas lá de cima. Quarta-feira foi um desses dias. O mais engraçado é que o país tem engenheiros, doutores, pedreiros, roboteiros, zungueiras e tudo quanto é profissão e ocupação e mesmo assim, não aparece um único que seja que nos resolva a maka da chuva de uma vez. É só lata!

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