Cultura

Espectáculo “Viagem Cultural” enaltece obra de Agostinho Neto

Analtino Santos

Jornalista

O espectáculo de Consagração do Festival Nacional da Cultura (FENACULT), denominado “Viagem Cultural”, realizou-se, na noite de sábado, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, uma produção da Nova Energia.

21/11/2022  Última atualização 06H05
Heróide, cantora em ascensão, teve o seu momento no show com “Monami Zeca” e “Athu Mujila” © Fotografia por: Luís Damião | Edições Novembro

O concerto ficou marcado por um roteiro rítmico dos grupos étnicos mais representativos de Angola e pode ser acompanhada no Youtube. 

Hélder Marcelino, secretário de Estado para o Turismo, Manuel Homem, Governador de Luanda, Manuel Gonçalves, vice-governador de Luanda e demais convidados assistiram uma performance e fizeram uma visita pela exposição de pintura "Oñoma” (batuque) do artistas plástico Didó Miguel Lutete inaugurada na noite de sexta-feira.

A performance do grupo do Teatro "FENACULT” retratou a trajectória de vida, religiosa, política e outras facetas de António Agostinho Neto, na qual algumas das palavras de ordem mais significativas de Fundador da Nação estavam em evidência para quem se dirigisse ao local do concerto.

Hélder Marcelino, em substituição do Ministro da Cultura e Turismo, Filipe Zau, fez o discurso de abertura, no qual  destacou a importância do legado cultural de Neto e o intercâmbio cultural. Depois deste momento foram perto de duas horas e meia de música e dança, seguindo a premissa de Neto "Um só povo, uma só Nação”.

 

Vozes jovens

Melvy, Dennis Samaya, Branca Celeste, Heróide, Alexandra Bento e Luwawa foram os jovens chamados a dar voz ao espectáculo "Viagem Cultural” e que mais uma vez se destacaram em palco.

Gersy Pegado, Dom Caetano, Mister Quim e Lito Graça foram as vozes já consagradas que participaram na viagem onde mais uma vez os mestres da guitarra: Teddy Nsingui, Botto Trindade e Brando reviveram temas instrumentais.

O primeiro momento musical foi dedicado ao músico Nagrelha dos Lamba, com uma pequena introdução do conhecido "Comboio” e mais tarde Melvi voltou a trazer à ribalta o "Estado Maior do Kuduro”, quando interpretou "Monami”, tema de Lourdes Van-Dunem, que chora a perda de um filho, desta feita da voz que já deixa saudade. Foi um momento muito aclamado e sentido pela plateia.

A soprano Melvi Lumbugululu voltou a encantar a plateia ao interpretar "Caminho do Mato” apresentando a fase que vive actualmente a música lírica, depois de conquistar o público em "Doce de Coco”.

Dennis Samaya deixou o seu perfume em "Mundengue Uami” e "Eme Ngo”, clássicos conhecidos de Tonito Fortunato e Sabú Guimarães, assim como foi chamado para partilhar o palco com Gersy Pegado em "Kalandula”.

Branca Celeste encaixou o espírito da diversidade rítmica, trazendo do Leste a chianda em "Namu Leleno” e no Norte o kilapanga em "Muana Ua Pombue”, como sempre casou o canto a dança, na sua actuação. O Centro teve como representante, Luwawa que trouxe mostras do cancioneiro ovimbundu em "Akove We” e "Cantares da Terra” e conseguiu proporcionar um momento bem ritmado.

Heróide, cantora em as-censão, teve os seus momentos em "Monami Zeca” e "Athu Mujila”, temas que a notabilizaram no Show do Mês "Re-clássicos”, um espectáculo que deu maior visibilidade à sua carreira. A cantora teve a responsabilidade de interpretar aspectos da cultura ibinda em "Filho de Cabinda”.

Alexandra Bento, vocalista da Banda FM,  intérprete benguelense, mostrou o seu potencial em "Suzana” e "Nguxi”. Em "Pango Dia Penha” juntou-se aos colegas Luwawa, Dennis Samaya, Heróide e Branca Celeste.

 

Momentos dos consagrados

O poema "Saudades” soou em música com Gersy Pegado, a cantora representou o que foi visto como encontro de gerações, nos dois momentos em "Kalandula” e "Nguxi” ao partilhar o palco com Dennis Samaya e Alexandra Bento.

Mr. Quim e Dom Caetano partilharam com os jovens instrumentistas em "Agostinho de Neto” de Elias dya Kimuezo e  "Havemos de Voltar”, tradução em kimbundu, na voz do autor de "Sou Angolano”.

O guitarrista Teddy Nsingui no tema "Rufo da Liberdade” proporcionou o primeiro acto dos temas instrumentais.

Botto Trindade apresentou criações próprias como "Benguela Libertada”, a pouco explorada, e a mas aclamada "Tapioca”. Brando recordou "Agarrem” e revelou que tem quase concluído o seu disco de instrumentais.

Lito Graça trouxe a componente mais de raiz em "Ko-nono” e teve o suporte dos percussionistas e dançarinos do Ballet Kilandukilo para uma incursão rítmica ao Kongo dya Ntotela.

O último grande momento foi uma pequena mostra do conceito "Kufikissa”, um reviver do conceito do grupo Kituxi. Lutuima, Jorge Mu-lumba, Nando, Chico, Rául Tollingas brindaram e misturam as ngomas, dikanza, dikindu e o hungu aos instrumentos convencionais em "Di Ngole” e "Sembele”.

Joãozinho Morgado, Raúl Tollingas e Mias Galheta foram os outros experientes que mais uma vez partilharam o palco com os instrumentistas como Benny Makanzo (direcção artística e teclado), Bucho (bongós), Dário Banga (ritmo), trio de metais Rigoberto, Chingumae e La Trompa, coristas Raquel Lisboa e Neide da Luz e secção de cordas Jesus, Fineza, Augusto, Gabriel Taty e Laura nos violinos, viola de arco e violoncelo, jovens que têm a oportunidade de beberem da fonte.

 

Poesia e Dança

A intervenção em palco das crianças da Escola 1514 interpretando a capela "Os Meninos do Huambo” e o jogral apresentado em kimbundu, uma adaptação do poema "Havemos de Voltar” foi outro momento muito apreciado pela assistência.

A dança abriu com Vindjomba trazendo o ritmo e o bailado homónimo que anima vários momentos dos Cuanhama e Nanyeka Humbi. Outro momento foi o do consagrado Ballet Kilandukilo, que apresentou trechos de coreografias criadas ao longo da sua existência, com realce para a "Dança do Galo”. 

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