Entrevista

Entrevista

Especialistas preparados para apoiar no domínio de Política Externa

Faustino Henrique

Jornalista

A Associação dos Especialistas Angolanos em Relações Internacionais (AEARI) realiza hoje, na sede da Fundação Sagrada Esperança, em Luanda, a conferência sobre a diplomacia económica.

29/04/2021  Última atualização 10H50
© Fotografia por: Cedida
O Jornal de Angola entrevistou Adelino Sebastião, presidente da referida instituição, criada de jure em 2018, e que, entre outros objectivos, visa congregar e representar todos os especialistas angolanos em Relações Internacionais.


Descreva a Associação dos Especialistas Angolanos em Relações Internacionais (AEARI), o que é e quais os seus objectivos?

A Associação dos Especialistas Angolanos em Relações Internacionais (AEARI) é uma Associação de direito privado, com personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos, de abrangência nacional, com perspectivas no plano internacional, com sede em Luanda. Ela foi fundada aos 14 de Novembro de 2018, publicada no Diário da República no dia 3 de Outubro de 2019-lll série nº 170, NIF.5000453340 e tem como objectivos congregar e representar todos os especialistas angolanos em Relações Internacionais.
Por que é que pensaram em criar uma Associação desta dimensão e como pensam congregar o universo de pessoas formadas em Relações Internacionais?

Pensamos criar a Associação dos Especialistas Angolanos em Relações Internacionais, porque era de facto necessário existir uma entidade com personalidade jurídica para organizar e congregar todos os quadros formados em Relações Internacionais, seja no país ou no estrangeiro, onde nos permite identificar e acompanhar os quadros formados na área.
Como pretendem dignificar a classe dos licenciados em Relações Internacionais?

Dar o nosso contributo como especialistas em Relações Internacionais, que visa apoiar as políticas do Estado no domínio das R.I, bem como assessorar a sociedade em geral.Assessorar organizações públicas e privadas para o aperfeiçoamento na análise e estudos especializados de carácter económico, sócio-cultural e técnico-científico, nas diferentes geopolíticas e geoestratégias.

Os actores sociais, empresários e empreendedores devem participar da diplomacia económica


A associação está preparada para, se solicitada pelas instituições do Estado, realizar estudos, dar pareceres ou apresentar propostas em matéria de Política Externa? 

Sim, de facto a agremiação está preparada para emitir pareceres, bem como apresentar propostas no domínio de Política Externa sempre que o Estado solicitar.
Desde a constituição a 14 de Novembro de 2018, passaram-se três anos, por que é que apenas agora decidiram realizar esta importante conferência sobre a diplomacia económica?

Após a constituição, houve a necessidade de facto de aprimorarmos todo um conjunto de acções de carácter organizativo, encontrar um espaço de acomodação e para trabalho, bem como outras condições mínimas para manter o ritmo laboral da AEARI.Portanto, a realização da Conferência sobre a Diplomacia Económica, já vem sendo preparada desde o pretérito ano de 2020, e por falta de condições, apoios e por conta da Covid-19, não foi possível realizar o referido evento.
Que objectivos pensam alcançar com a Conferência sobre Diplomacia Económica? 

A Conferência sobre Diplomacia Económica tem como objectivo incentivar os actores sociais, empresários e empreendedores a participarem na diplomacia económica, visando atrair investimentos e parcerias que resultem em crescimento e desenvolvimento económico e social de Angola.
Com este evento e em função das temáticas a serem abordadas, o que pensa que o Estado angolano deve priorizar para o sucesso da Diplomacia Económica?

Neste paradigma em que os países emergentes pretendem "vender a sua imagem" e captar investimentos, em que Angola está também alinhada, entendemos que o Estado deva investir mais nesta área específica da diplomacia,  envolvendo empresários,  empreendedores, as empresas e marcas, bem como criando espaços, tanto no país como no estrangeiro, para que haja interesse e interacção entre angolanos e potenciais investidores estrangeiros.As nossas representações diplomáticas devem ajudar na interacção entre os nossos empresários e os investidores e potenciais parceiros nas diferentes áreas, mostrando a sua capacidade empresarial e o seu potencial na agroindústria, produção de serviços e bens.
Tal como fazem e defendem as outras organizações socioprofissionais ou intelectuais, naturalmente, que pensam fazer para que a Política Internacional e as Relações Internacionais sejam abordadas apenas pelos especialistas?

A AEARI entende que os assuntos em matéria de Relações Internacionais devem ser abordados com todo o cuidado e, sempre que possível e recomendável,  por especialistas, apesar de, nalguns casos, envolverem também matérias muitas vezes transversais, razão pela qual se pode admitir que pessoas de outras especialidades abordem questões dos problemas internacionais actuais.
Qual tem sido a relação da AEARI com as instituições do Estado, as de Ensino Superior, Institutos Superiores, as Missões Diplomáticas sedeadas em Angola? 

A AEARI tem relações de cordialidade com todas as instituições  homólogas a nível regional, internacional, e com as instituições nacionais, quer sejam as de Ensino Superior, os Institutos Superiores, as Missões Diplomáticas sedeadas no exterior e em Angola. Atendendo a natureza da nossa organização e aos fins que ela persegue não podia ser diferente.
O currículo do curso de Relações Internacionais satisfaz a AEARI ou pensam que precisa de ser adaptado aos desafios actuais do sistema internacional? Como pensam ajudar na eventual reestruturação?

Na verdade, este é de facto um assunto em estudo, onde pretendemos congregar mais subsídios que permitirá elaborar uma proposta viável, que será apresentada junto das entidades de direito.Contudo, queremos reiterar que a AEARI, nesta altura, está a fazer todo o trabalho de mobilização, de cadastramento e de inscrição de novos membros, tarefa que já vem sendo desenvolvida desde o ano passado para dotar a nossa instituição do nível associativo que vai permitir melhor entrosamento para os desafios que levanta.

PERFIL


Adelino Henrique Agostinho Sebastião 

Licenciatura em Relações Internacionais pela Universidade Privada de Angola (UPRA)
Mestrando em Políticas Públicas e Governação Pública
Pós graduação em Agregação Pedagógica para o Ensino Superior
Docente universitário da cadeira de História das Relações Internacionais







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