Reportagem

Espaço cultural promissor

Analtino Santos

Jornalista

No passado domingo (23) foi aberto ao público no largo Alione Blondin Beye, no Miramar, o espaço “Prova D’Arte”, que aposta na realização de eventos artístico-culturais.

30/01/2022  Última atualização 08H10
© Fotografia por: DR
O espaço esteve nos últimos anos abandonado e foi recuperado por um grupo empresarial que tem o apoio da Comissão Administrativa de Luanda. O principal objectivo é transmitir a transversalidade artística, com foco na preservação e valorização dos aspectos endógenos e na exaltação de personalidades angolanas.

Num mesmo recinto é possível encontrar a música, gastronomia, teatro, humor, artes plásticas, fotografia, literatura, cinema e outras vertentes artístico-culturais. Durante a programação dedicada a Luanda aconteceu o projecto "Sentada Luandense” com Carlos Lamartine, Cirineu Bastos e Roldão Ferreira. Houve momentos de trova e poesia em "Serenata a Luanda”, projecção de filmes, exposição fotográfica e de artes plásticas, entrega de prémios do concurso radiofónico da Rádio Luanda, que emitiu toda a sua programação do dia 25 de Janeiro no local.

Houve ainda a exibição de um filme sobre Luanda e uma   feira gastronómica. A música esteve em alta com as presenças dos Kiezos, Santocas, Voto Gonçalves, Calabeto, Sabino Henda, Acácio, Phathar Mak e Banda FM.
Os Kiezos, o conjunto mais antigo no activo, abriu o momento musical e a primeira edição do "Kambas e Ketas no Kintal”. Com uma actuação de uma hora  abrilhantaram a tarde com canções como "Candonga”, "Machimbombo”, "Mulher idosa”, "Ché, ché mãe”, "Princesa Rita”, "Jingololo”, "Comboio”, "Milhoró” e outras, interpretadas por Zé Manico e Manuel Claudino "Manuelito”, assim como os instrumentais "Obrigado, meu amigo” e "Muxima”, solados por Hildebrando Cunha.

A formação mais antiga em actividade, criada no Kapoloxi, no Marçal,  não refeita da perda de Zeca Tirilene, lamentou ainda as mortes de Kituxe, Juca e Calili, colegas que homenagearam em palco, A formação dos Kiezos actual é a seguinte:  Brando Cunha (solo), Gegé Faria (contra-solo e ritmo), Dulce Trindade (baixo), Habana Mayor (congas), Tony Samba (teclados), Sabino Batera (bateria) e os vocalistas Zé Manico e Manuel Claudino "Manuelito”, este também na dikanza.

O segundo agrupamento musical que subiu ao palco foi a Banda FM, constituída por jovens benguelenses. Os "putos” apadrinhados por Adão Filipe apresentaram temas dedicados a Luanda e  acompanharam os veteranos Santocas, Voto Gonçalves e Calabeto.  Actuaram igualmente Phadha Mak, Sabino Henda e Acácio. 

Mendes Ribeiro e a cidade de Luanda

Na segunda-feira (24) no Palácio de Ferro aconteceu  a inauguração da exposição "Mendes Ribeiro e a cidade de Luanda” com vinte obras que podem ser vistas até ao dia 10 de Fevereiro. Do traço de Mendes Ribeiro estão representados com realismo edifícios como o Palácio de Ferro, o Museu da Antropologia, a Casa da Moeda, a Estação da Cidade Alta e o Observatório Meteorológico, as ruas do Casuno, dos Mercadores, do São Paulo, das Flores, a Calçada do Pelourinho, as igrejas dos Remédios, Nossa Senhora da Ilha do Cabo e do Carmo, bem como as peixeiras e manifestações culturais como o carnaval. As obras, pintadas em aguarela, foram criadas entre 1984 e 2004. 

"Mendes Ribeiro e a cidade de Luanda” é uma iniciativa de familiares e amigos do artista natural da cidade do Sumbe, mas que adoptou Luanda como sua. A exposição é apoiada pela American Schools of Angola e tem a  produção da Ecos D'Arte em colaboração com a Artes Zoom.

Petruska Ribeiro, filha do artista, realçou: "Pai, juntamo-nos para falar de ti e para ti, para falarmos dos 446 anos da nossa cidade por ti pintada de vários ângulos, tornando-a cada vez mais histórica e bela, que paira inclusive por outras latitudes também pelos auspícios da arte que te tornou embaixador entre tantos embaixadores da nossa cultura, da nossa cidade, do nosso país”. 


O belo que vem da periferia

A exposição colectiva "Minha Luanda” foi inaugurada no Hotel Intercontinental Luanda, no dia 25 de Janeiro, no âmbito das celebrações dos 446 anos da cidade de Luanda, uma iniciativa do projecto Cucarte. São 48 obras que ficam expostas até ao dia 18 de Fevereiro.

"Minha Luanda” tem obras de jovens artistas, a maioria dos quais das zonas periféricas, que têm levado o belo para o centro. São obras que resultaram de um concurso lançado em Novembro do ano passado.   "Minha Luanda”  confirma que o centro da produção que alimenta as galerias e exposições na cidade de Luanda está na periferia.

O vencedor do concurso foi Kondii Kiyambo, seguido por Johnson Mufaba e Danick Bumba. Os outros finalistas foram Benigno Tengo, Gato Preto, Hiara Guerra, Imaculada Tchitanga, Maiomona Vua, Yasiel e Uólofe Griot. O primeiro classificado, além do valor monetário ganhou acesso a alguns serviços da unidade hoteleira que acolhe a exposição e a sua arte será estampada, numa edição limitada, na lata de cerveja Cuca.


Crianças desenham a capital

Uma outra actividade artística aconteceu na manhã do dia 25 de Janeiro, na Ilha de Luanda: a apresentação do projecto "Desenhar Luanda”, uma  iniciativa da Comissão Administrativa de Luanda, executada pelos lares Dom Bosco em parceria com a Fundação Arte e Cultura, que acolheu o evento.

Participaram no projecto crianças que se concentram no largo 1º. de Maio e no Aeroporto, com idades compreendidas entre os 8 e 18 anos. As actividades foram desenvolvidas na Casa Mangone, onde as crianças tiveram aulas de desenho, pintura e música com professores da Fundação Arte e Cultura.  Os promotores realçaram que o objectivo foi trabalhar com crianças de rua, de modo a encaminhá-las para os centros de acolhimento.   

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Reportagem