Cultura

Esculturas de Sakananu Wampitila em exposição no Palácio de Ferro

Matadi Makola

Os amantes das artes plásticas angolanas, no geral, e da escultura, em particular, têm até quarta-feira para visitar as obras do artista Sakananu Wampitila, que compõem a exposição “A Natureza não Muda”, patente no Palácio de Ferro, na Baixa de Luanda.

08/08/2022  Última atualização 10H40
Sakananu é um escultor que reutiliza os estojos das balas para a construção das suas obras © Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro

Sob curadoria de Jorsanady dos Santos e Kabudy Ely, na exposição podem ser apreciadas obras como "Caçador de Sonhos”, "A Bailarina da Avenida dos Destinos”, "Heróis da Vida”, "Velocistas”, "A Mágica do Amor”, "Lugarejo” e outras. Sakananu é um escultor que reutiliza os estojos das balas para a construção das suas obras.

Por exemplo, na obra o "Caçador de sonhos” o material usado é o mesmo, mas desta vez para simbolizar o trabalho que se fazia antigamente em África, onde os senhores eram determinantemente caçadores.

"Agora, a bala simboliza o ferro, a imaginação, a inteligência de um homem que a tudo recorre para dignificar a sua relação com a natureza”, pontualizou.

A peça traz, também, correntes de moto, como utensílio, como adorno, como vestimenta. Essa ferramenta é interpretada pelo artista como um símbolo da transmissão de conhecimentos, de energia, um testemunho que liga pais e filhos e assim sucessivamente ao longo das gerações de uma família. Esse é o simbolismo da corrente, de contínua sabedoria no seio das famílias africanas.

Sakananu é um artista obcecado pelo trabalho, com um horário rigoroso, que começa das 8h00 às 21h00, todos os dias. Fazer uma das suas obras pode levar cerca de um mês. Antes, tudo passa por um desenho, onde as ideias e matriz é definida.

O artista domina a anatomia do corpo, que se reflecte na admiração pelas mumuí-las a passearem pelas ruas de Luanda notória na sua obra, às quais dedica uma singela homenagem, copian-do a forma como elas se adornam, trazidas numa das peças patente na mostra.

Sakananu Wampitila nasceu em 1988, no município da Damba, província do Uíge. Actualmente, o artista plástico reside e trabalha na província de  Luanda, no bairro Benfica, Zona Verde 2. Fez os seus estudos primários e secundários na República Democrática do Congo, sendo certificado entre 2016 e 2017, pela Academia de Belas Artes de Kinshasa, na especialidade de Escultura.

"Abraço” foi a sua primeira obra a ser apresentada ao público. Sobre o título, justifica: "Eu queria mostrar que, hoje, Angola já vive uma paz definitiva, depois de uma longa guerra. Na minha visão, as balas jamais servirão para matar, mas sim para proteger o povo, a grande família an-golana. Quando o povo está em paz, o pai, que é o chefe de família, consegue assumir as suas responsabilidades, fazendo a mãe feliz e proporcionado a prosperidade dos seus filhos”.

Pela dedicação ao trabalho e originalidade da sua obra, em 2020, na sua primeira tentativa, ganha o Grande Prémio Principal Ensarte em Escultura, com a obra "Trabalha e Serás Livre”.

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