Cultura

Escultor Mpambukidi distinguido em Luanda

Mário Cohen

Jornalista

O escultor Mpambukidi Nlufidi foi homenageado, ontem, na sua galeria de arte, no município de Cacuaco, em Luanda, pelo Centro de Pesquisa de Arte Kimbangu (CPK) da República Democrática do Congo.

13/09/2022  Última atualização 08H05
Artista plástico (à direita) viu o seu trabalho reconhecido pelo Centro de Pesquisa de Arte Kimbangu do Congo Democrático © Fotografia por: Dr

A homenagem deve-se ao facto de o escultor ser considerado um dos mais referenciados artistas plásticos  angolanos que tem contribuído para a afirmação e desenvolvimento da cultura africana.

A distinção de Mpambukidi aconteceu durante a conferência sobre "A valorização do património cultural e a restituição de bens culturais: uma nova política de cooperação cultural”, organizada pelo Centro de Pesquisa de Arte Kimbangu do Congo Democrático. 

O presidente do centro de pesquisa kimbanguista, Lohango Konga Jospin, disse que parte do património cultural africano encontra-se fora de África, privando os africanos, em particular os angolanos, do acesso desses elementos.

Ao destacar os feitos de Mpambukidi recordou que o artista enalteceu a cultura africana na Expo-Dubai, que decorreu de 1 de Outubro de 2021 a 31 de Março deste ano, e na celebração do Dia de Angola, em que o escultor expôs obras de bronze.

O responsável do Centro Kimbangu revelou que escolheu Angola para a conferência por ser um país com grande potencial cultural e que considerou "o pulmão do continente berço”, especialmente durante a conferência de Berlim onde África foi dividida.

"Posso dizer que no antigo Reino do Congo, antes da primeira emigração dos nossos ancestrais para descer ao Egipto e voltar para a África do Sul para criar dinastias no deserto, eles emigraram para a Europa, Ásia e América”. 

Na sua óptica, o homem negro ou o homem bantu é o líder deste mundo porque está na própria base desta humanidade. Em outras palavras, acrescentou, o homem negro gerou o homem branco, assim como todas as civilizações. 

Nas escavações arqueológicas, disse o responsável, descobriu-se que Angola ocupa um lugar de destaque, razão pela qual um dos patrimónios históricos desde os primórdios é Mbanza Kongo, na província do Zaire, onde Kulumbimbi abunda no espiritual e na obra artística, "mas perdemos tudo”. 

É de opinião que, há necessidade se restaurar o poder espiritual e a educação cultural que é nossa espinha dorsal. Com a falta de amor e o plágio da história da humanidade, eles vieram nos invadir para nos colonizar durante a primeira e segunda vindas.

A conferência serviu para troca de experiência, "o que estamos a fazer aqui nos mostra que nós artistas, inventores e técnicos, se trabalharmos de mãos dadas, em unidade, podemos restaurar o nosso continente, por sermos um país independente”.

Mpambukidi afirmou ser uma honra ser homenageado por um centro de pesquisa de arte cultural bem referenciado no continente e no mundo. Disse ainda que, quando os artistas são distinguidos no país ou no estrangeiro, Angola é que ganha porque a cultura fica patente e é vista no mundo.

Concluiu que resta continuar a produzir novas obras de arte para passagem de testemunhos às gerações vindouras para que no futuro passamos ter mais artistas a desenvolver bons trabalhos e expor em grandes montras das artes plásticas.

O escultor realizou várias exposições individuais no país e no estrangeiro com destaque para Congo Brazzaville, Namíbia, África do Sul, Gabão, Botswana, Estados Unidos e França.

Na década de 1980 realizou duas exposições, na União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e na Embaixada da Grã-Bretanha. Foi no estrangeiro que o seu trabalho teve mais visibilidade, na década de 1990.

Mpambukidi Nlufidi nasceu a 31 de Dezembro 1957, no município de Maquela do Zombo, província do Uíge. A sua última exposição individual foi realizada há cinco anos.

Membro da UNAP, o escultor venceu, em 1994, no Congo Brazzaville, o Prémio União Europeia, na quinta Bienal do Centro Internacional de Civilizações Bantu (Ciciba).

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