Cultura

Escritor pede mais investimentos para a produção literária no país

Manuel Albano

Jornalista

O escritor Beni Dya Mbaxi, pseudónimo literário de Bernardo Afonso, considerou, ontem, em Luanda, ser importante as editoras apostarem mais na produção literária nacional, por estarem a surgir no mercado jovens com muita criatividade.

29/11/2022  Última atualização 12H54
Autor não escondeu a satisfação pelo reconhecimento apesar ser um prémio nacional © Fotografia por: DR

Em reacção ao prémio conquistado, no domingo, na categoria "Jovem Escritor”, na primeira edição do Prémio Dipanda de 2022, com a obra "A Última Masoxi”, publicada em 2020, o escritor não escondeu a satisfação e disse ser um momento de muita alegria.

O vencedor realçou que a distinção mostra algum reconhecimento dos trabalhos produzidos pela nova geração de autores, no campo da literatura, o que motiva a juventude a continuar a produzir, em prol do crescimento da literatura angolana.

Em Outubro deste ano, Beni Dya Mbaxi recebeu, na Embaixada da África do Sul em Angola, o troféu "Annual Global African Author Awards”, referente à edição de 2021, na categoria de "Empoderamento às Crianças”, com a obra "A Última Masoxi”.

De acordo com o escritor, este prémio tem um sabor especial, por ser um reconhecimento nacional: "o sabor é diferente, nada melhor do que ser valorizado na própria terra, contudo, quero dizer que este prémio é dedicado aos jovens escritores angolanos que produzem literatura contemporânea”, destacou.

O escritor recordou que o livro "A Última Masoxi”, premiado na África do Sul, com o "Prémio Global de Escritores Africanos 2021”, foi seleccionado para concorrer na categoria de Melhor Romance, dos prémios "Mulher Forte African literature Award”, no Botswana.

O vencedor será conhecido em Janeiro de 2023, mediante a votação de quatro júris. O prémio é uma homenagem à escritora do Botswana Paula Otukile.

 

Adaptação para o teatro

O livro "A Última Masoxi”  volta a ganhar vida em palco, na peça de teatro adaptada pelo encenador Wengui Dias, que será exibida pelos alunos da Escola de Artes da Fundação Arte e Cultura, na sexta-feira, às 18h00, no auditório Wiza, na Ilha de Luanda.

Do livro aos palcos, o espectáculo versa sobre o combate ao abuso sexual e à violência contra as crianças e adolescentes. O enredo é abordado tal como no livro, sobre a estória de uma menina angolana de apenas 11 anos, conhecida por Masoxi, que sofre abusos sexuais por parte do padrasto e algumas vezes é agredida por se recusar à submissão.

O enredo traz à reflexão as peripécias vivenciadas por Masoxi, em consequência do abandono a que ficou votada por parte da mãe que era tóxico-dependente, tem a finalidade de meditar, alertar, mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade sobre a questão da violência sexual contra menores e a importância de se confrontar, conversar e discutir esse problema.

Beni Dya Mbaxi, pseudónimo de Bernardo Sebastião Afonso, nasceu em Luanda, no município do Cazenga, no dia 28 de Maio de 1997. É estudante de Língua Portuguesa e Comunicação, na Universidade Metodista de Angola (UMA). Foi distinguido com o prémio "Escritor Revelação do ano 2021”, no Moda Cazenga "By Luandina”.

Autor de cinco livros publicados, conquista o seu quarto prémio literário, entre eles, estão o "Annual Global African Authors Award”, de 2021, na África do Sul,  pela obra "A Última Masoxi”, "Menção Honrosa”pela Biblioteca Municipal do Kilamba Kiaxi, "Escritor Revelação”, de 2021, no Moda Cazenga by Luandina.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura