Economia

Escolas de Campo elevam ajuda no combate à seca

Domingos Mucuta | Lubango

Jornalista

Duzentas e vinte e cinco Escolas de Campo de Agricultores (ECA) são instaladas, até Dezembro de 2023, nas zonas rurais das províncias da Huíla, Cunene e Namíbe, para potenciar cerca de 7800 camponeses com técnicas agrícolas e pecuárias modernas, como resposta aos efeitos da seca no Sul de Angola.

06/05/2022  Última atualização 08H30
Agricultores do Sul de Angola absorvem técnicas para manterem a produção em ambiente adverso © Fotografia por: DR

Os dados foram avançados,quinta-feira(06), no Lubango, pelo coordenador nacional do Projecto de Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional no Sul de Angola (FRESAN) e pelo Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), na Huíla.

Fretson Paulo adiantou que a instalação das Escolas de Campo de Agricultores visa ensinar os camponeses das zonas afectadas pela seca, no Sul de Angola, técnicas eficientes e sustentáveis de cultivo de cereais, horticultura, fruticultura, criação de animais de pequeno porte e replicar os conhecimentos para outros membros das comunidades.

O primeiro modelo de Escola de Campo de Agricultores, apresentado, esta semana, à embaixadora da União Europeia em Angola, Jeanneth Seppen, e à representante da FAO, Gherda Barreto, foi instalado numa área de dois hectares, na comuna do Jau, município da Chibia, contemplando 10 espaços de ensaio agrícola.

A instalação das escolas figura entre as acções do Programa de Fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional no Sul de Angola (FRESAN), financiado pela União Europeia, no montante de 65 milhões de Euros, e aplicado em acções de redução da  fome, pobreza e vulnerabilidade das comunidades afectadas pela seca.

Fretson Paulo sublinhou que a província da Huíla beneficia, no total, de 75 Escolas de Campo nos municípios da Chibia, Gambos, Chicomba, Cuvango e Chipindo, onde vão ser desenvolvidas técnicas de agricultura de irrigação gota a gota, avicultura, fruticultura e horticultura, visando o aumento da produção.

"Este modelo instalado no Jau congrega senhoras que recorriam à cozinha comunitária da comuna em busca de alimentos. Aproveitamos a presença delas para ensiná-las a preparar e a praticar culturas diversas. A ideia é que aprendam e repliquem os conhecidos nas suas comunidades”, disse, notando que as escolas estão a ser instaladas perto de pontos de água já implantados.

A embaixadora da União Europeia em Angola, Jeanneth Seppen, sublinhou a parceria com o Governo angolano para mitigar os efeitos da seca nas províncias da Huíla, Cunene e Namíbe e contribuir para o combate à fome e à pobreza.

"Esta escola é um exemplo do que vai acontecer em outras localidade, através de ensino e aprendizagem. É com este tipo de projecto que tentamos, juntos, dar uma resposta à calamidade e ao desafio da seca e do combate à pobreza”, afirmou.

A representante do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Angola, Gherda Barreto, considerou que a Escola de Campo "Mulher Jau”, passa a ser uma referência, porque usa a estratégia de Chitaca, um modelo integrado entre agricultura e pecuária.

"É um trabalho que mostra a efectividade pela integração de brigadas comunitárias e técnico agrícola. Esta escola envolve a participação da administração na gestão de terra e acesso à água mais como desafio de segurança alimentar nutricional da comunidade em situação de seca”.

"A segurança alimentar e nutricional vai assegurar o acesso ao produtos e consumo apropriados dos bens disponíveis e a estabilidade de produção. É uma grande alegria transformar um lugar que estava vazio, em local verdejante, com participação de 37 mulheres”, disse.

O administrador municipal da Chibia defendeu a iniciativa, por elevar o rendimento "per capita” da mulher no terreno. Sérgio da Cunha Velho disse que a administração municipal está disponível para ajudar e disponibilizar mais espaços para a instalação de escolas de campo.

"O projecto de escola de campo de agricultores é bem-vindo, mas, se for possível aumentar espaços para a produção seria melhor”, afirmou.

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