Opinião

Escoamento da produção

Há um grande esforço da parte das instituições do Estado para a dinamização do agro negócio, para a "desobstrução" das barreiras e constrangimentos que levam a produção agrícola, em muitas localidades, a ficar refém da inexistência de meios de escoamento, entre outras iniciativas.

20/04/2022  Última atualização 10H55

Grande parte destas passam pela distribuição de viaturas aos produtores, tal como sucedeu há algumas semanas em que foram distribuídas, no sistema de venda directa, cerca de 500 viaturas para um universo de 700 individualidades que se tinham candidatado para o efeito.

Há dias, no Cuanza-Norte, foram entregues quatro carrinhas, de marca Toyota Land Cruiser, aos agricultores dos municípios de Lucala, Cambambe e Ambaca, mais ou menos com os mesmos propósitos descritos acima.

Embora tenhamos as vias nas condições em que se encontram, ali onde seja possível operar com os meios rolantes para os objectivos urgentes com os quais os produtores se deparam, não há dúvidas de que se não pode condicionar  a utilidade das viaturas às vias. Parafraseando a sabedoria popular, "parar é morrer", razão pela qual ali onde seja possível dinamizar o processo de escoamento de produtos agrícolas serão bem-vindos os gestos semelhantes dos ocorridos no Cuanza-Norte.

É urgente o Estado assegurar determinadas variáveis vitais, sobretudo nesta altura em que a perspectiva de escassez de bens alimentares, de produtos como fertilizantes e outros, por força de actual conjuntura política e militar na Europa, se afiguram como uma realidade.

Ao lado dos esforços com a criação, manutenção e funcionamento das reservas alimentares, é preciso que a produção de bens agrícolas não conheça entraves que dificultem o processo normal de distribuição para os grandes centros de comercialização e consumo. O país não pode continuar a vivenciar a situação bizarra de, por um lado, existir superprodução de bens agrícolas nalgumas localidades, inclusive com produtos a deteriorarem-se, e haver fome, muitas vezes, em localidades próximas dos locais em que haja a condição inversa.

Vale encorajar as instituições do Estado para que continuem o engajamento demonstrado até ao momento, relacionado com o necessário e inadiável apoio que os nossos agricultores, a todos os níveis, precisam.

Que se continue a assistir os produtores com meios rolantes para facilitar a distribuição, com facilitação do acesso ao crédito e que os beneficiários das viaturas, inclusive as adquiridas por meios próprios, façam prova da utilidade e fins das carrinhas, viradas para os propósitos que se impõem agora.

Não faz sentido ter ficado algum tempo a reclamar por falta de viaturas para o escoamento da produção, imputando todas as culpas às instituições do Estado, para depois, de adquiridas as viaturas, as mesmas serem empregadas para fins diferentes dos inicialmente pretendidos.

Apenas assim seremos capazes de garantir a segurança alimentar das populações e de "amortecer" com sucesso todo o impacto das variáveis resultantes da guerra na Europa, sobretudo no que a produtos como trigo e fertilizantes, apenas para mencionar estes, dizem respeito. 

Acreditamos que, da parte das instituições do  Estado, está assegurado o empenho e determinação para que, na medida das possibilidades, sejam cabalmente assistidos os nossos agricultores e todos os demais que entram nos dois eixos principais, nomeadamente, a produção e distribuição de bens agrícolas.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião