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Equipa do FMI avalia a governação em Bissau

Uma equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI) está desde hoje de manhã em Bissau para avaliar, até o início de Outubro as vulnerabilidades da governação do país, anunciou hoje, o ministro das Finanças, Geraldo Martins, citado pela Lusa.

19/09/2019  Última atualização 16H10
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“É uma missão que comporta algumas valências importantes que irá abordar vários assuntos, nomeadamente questões ligadas ao risco orçamental, questões de transparência na gestão das contas públicas, macroeconomia, reformas estruturais e, por isso, é uma missão muito importante para o país”, afirmou o ministro.
O ministro falava no Palácio do Governo, no início de uma reunião com o FMI, que juntou todos os ministros e secretários de Estado do actual Governo guineense. Segundo um documento disponibilizado à imprensa, a missão do FMI tem como principais objectivos avaliar a natureza e a gravidade das vulnerabilidades de governação na Guiné-Bissau, na perspectiva da governação fiscal e da legislação, incluindo anti-corrupção, lei de branqueamento de capitais e Estado de Direito.
O FMI fará também recomendações para melhorar a governação fiscal e a legislação e para ser definida uma estratégia a médio prazo para ser concedido um “potencial programa financiado” pela organização financeira.
A missão dará uma especial ênfase ao combate à corrupção, nomeadamente através da identificação das principais ameaças e debilidades, tipos de corrupção e prioridades no seu combate.

Antigo Primeiro-Ministro critica Aristides Gomes

O antigo Primeiro-Ministro e candidato às presidenciais na Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, criticou ontem a presença do actual líder do Governo, Aristides Gomes, em acções de campanha do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, também candidato, referiu a Lusa.
“Já estamos a ver o que se passa. Um Primeiro-Ministro de um Governo que gere eleições a acompanhar um candidato para a deposição da sua candidatura”, no Supremo Tribunal de Justiça, observou Sissoco Embaló, candidato apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), em declarações aos jornalistas momentos depois de proceder ontem à mesma diligência.
Aristides Gomes, bem como vários membros do Governo acompanharam, na terça-feira, Domingos Simões Pereira, candidato às presidenciais de 24 de Novembro apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ao Supremo Tribunal de Justiça. Para Umaro Sissoco Embaló, este gesto “é como pendurar a língua no pescoço do gato”.
“Mas felizmente, como Deus não dorme, vimo-los a denunciarem-se uns aos outros por causa da droga”, afirmou Embaló, adiantando que os políticos que estão no poder actualmente na Guiné-Bissau trocam acusações sobre “quem trouxe e quem transporta a droga”, sublinhando que o seu partido não faz parte desse debate.
A Polícia Judiciária guineense apreendeu, no início deste mês, quase duas toneladas de cocaína, que já foi incinerada, e deteve 10 pessoas.
Umaro Sissoco Embaló defendeu que se for eleito Presidente nas eleições de 24 de Novembro, a sua missão será a de “limpar a Guiné-Bissau”, e que por isso anda com uma vassoura nas mãos para que “ninguém escape” à sua acção.
O candidato suportado pelo Madem G-15, líder da oposição na Guiné-Bissau, não citou nomes, mas considerou que “cada vez que certas pessoas estão no Governo ouve-se falar da droga” na Guiné-Bissau.
Sissoco Embaló disse que a sua candidatura visa a refundação do Estado guineense, que frisou estar hoje no chão, desencadear um verdadeiro processo de reconciliação dos cidadãos, acabar com a impunidade e dignificar as instituições, defendendo que a Guiné-Bissau “não pode ser uma República das bananas”.
“Se for eleito Presidente, como serei eleito, posso garantir que os guineenses vão dizer de uma vez por todas que já encontraram a pessoa de que estavam à procura”, defendeu Embaló, que saiu das instalações do Supremo Tribunal ao som da música dos apoiantes.
A Rede das Mulheres para a Paz e Segurança da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pediu quarta-feira que as eleições presidenciais na Guiné-Bissau decorram de forma pacífica.
“Estamos próximos das eleições presidenciais e pedimos muita acalmia, muita paz, para que possamos ir a eleições de uma forma ordeira e para que os resultados sejam aceites”, afirmou Elisa Pinto, presidente da Rede das Mulheres para a Paz e Segurança da CEDEAO.
Elisa Pinto falava aos jornalistas no Palácio da Presidência, depois de um encontro com o Chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, sobre as celebrações do Dia da Paz, que se assinala amanhã.
“O povo quer paz e estabilidade garantida e temos de ir para campanha de uma forma ordeira e pacífica para garantir a paz ao povo guineense, que tem sofrido bastante”, salientou aos jornalistas.

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