Economia

Equilíbrio entre as taxas de câmbio requer tempo

O vice-governador do BNA declarou ontem que vai decorrer algum tempo para que a taxa de câmbio atinja o equilíbrio depois da liberalização do mercado cambial há uma semana, assegurando “não existirem para já razões de preocupações especiais”.

01/11/2019  Última atualização 11H41
Edições Novembro © Fotografia por: Vice-governador cita monitorização que aponta para a evolução positiva do câmbio após a liberalização

Rui Miguêns, que participava na Conferência sobre Governação Corporativa no Sector Bancário, indicou que o BNA continua a observar o desenvolvimento desse processo e haver certeza que as metas preconizadas pela decisão de liberalizar o câmbio vão ser atingidas.
“Precisamos de chegar a uma taxa que seja formada com aquilo que é a procura e a capacidade do mercado fornecer em termos de moeda estrangeira”, apontou, acrescentando que, até agora, não foi registado qualquer desenvolvimento anormal nesse processo, havendo uma monitorização muito próxima de todos os desenvolvimentos à volta da evolução da taxa de câmbio.
O vice-governador do BNA declarou, nessa mesma acepção, não ter havido qualquer injecção anormal de kwanzas no sistema bancário nas duas últimas semanas, reconhecendo, entretanto, um nível de liquidez superior ao que a economia pode comportar.
“Temos é um nível de liquidez em kwanzas na economia que é o superior ao que seria o desejável nessa altura face à actividade económica que o país tem e, por isso, é que o banco central também tem desenvolvido a sua função de regulador do mercado”, afirmou Rui Miguêns para explicar as hipóteses por detrás da evolução do câmbio ao longo do mês de Outubro.
O vice-governador revelou estatísticas que indicam um aumento da base monetária em Agosto, mas que não foram registadas ocorrências estranhas ao sector financeiro, no que considera serem “evoluções normais da execução da actividade financeira e económica do Estado, empresas e particulares”.
O responsável anunciou ainda eventuais medidas para controlar o excesso de liquidez, como o aumento das reservas obrigatórias e “a reactivação de instrumentos que já existem, como são as operações de mercado aberto”.

Novas regras
O governador do BNA, que participou na conferência, anunciou a elaboração de novas regras sobre governação corporativa que de-vem entrar em vigor em 2020, num processo que conta com o apoio e a parceria do Fundo Monetário Internacional (FMI).
José de Lima Massano disse que entre as mudanças previstas está a integração de um número maior de administradores independentes na estrutura de governação dos bancos comerciais, para dar maior confiança ao regulador, supervisor e ao mercado.
“Queremos uma Lei do Banco Central moderna. Parte daquilo que hoje temos como adesão voluntária nas nossas regras passará a ser de adesão obrigatória. O que ainda é uma opção para alguns, passará a ser uma obrigação nos termos da regulamentação que pretendemos publicar em 2020”, sublinhou.
A lei do Banco Nacional de Angola (16/10, de 15 de Julho) atribui carácter facultativo para constituição das administrações dos bancos comerciais, podendo estes ter uma administração executiva e um conselho de administração não executivo.
O governador reiterou na conferência, realizada em alusão ao Dia Mundial da Poupança, assinalado ontem, que os níveis de acesso da população aos serviços bancários “ainda são relativamente baixos”, cerca de 30 por cento, perspectivan-do atingir os 50 por cento até 2022.

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