Política

Entidades religiosas querem prudência no discurso político

Maria Cavela | Moçamedes

Jornalista

Entidades religiosas, em Moçâmedes, província do Namibe, apelaram os partidos a evitarem o uso de conteúdos de intolerância nos discursos políticos, durante e depois da campanha, para que as próximas eleições decorram num ambiente de harmonia e tranquilidade, consagrando condições para o país continuar a sua trajectória normal.

08/05/2022  Última atualização 09H20
Archer Mangueira destaca importância da parceria com a Igreja no apoio às populações © Fotografia por: DR

O pastor da igreja União das Igrejas Evangélicas de Angola, Fernando Massango, no seu pronunciamento, em nome das entidades religiosas, referiu que há receio, da parte da igreja, sem fazer menção directamente aos acontecimentos de crispação que tiveram lugar em alguns pontos do país, que a situação possa pôr em causa a Paz e o processo de Reconciliação Nacional, levado a cabo pelo Governo, há 20 anos.

As entidades religiosas manifestaram a preocupação, na sexta-feira, durante um encontro com o primeiro-secretário provincial do MPLA no Namibe, Archer Mangueira, promovido pelo Comité Provincial do MPLA com o propósito de  observar a parceria com as igrejas acreditadas em Angola, tendo em conta o papel importante que exercem junto dos cidadãos.

O primeiro-secretário provincial do MPLA do Namibe, Archer Mangueira, garantiu, entretanto, que as preocupações apresentadas pelas entidades religiosas vão merecer a atenção da direcção provincial do seu partido, por as mesmas irem de encontro com o leque de planos internos existentes no programa partidário e no plano geral do Executivo angolano.  "Enquanto partido no poder, queremos contar com o apoio das igrejas para resolver os problemas do povo", assegurou o político.

O representante da igreja Metodista Unida, pastor Jair Cambundo, disse que "há necessidade do resgate dos valores morais e cívicos, para se melhorar as relações familiares e sociais, consolidar os bons princípios nas pessoas, a solidariedade social, condição que servirá, certamente, para travar a onda de actos de vandalismo e o aumento da violência", frisou.

O líder religioso considera que o momento é o mais certo para se promover acções político-partidárias que espelham a paz, o amor ao próximo, o respeito aos símbolos nacionais e à Constituição da República, influenciando os cidadãos para a observância de boas práticas, apesar das simpatias político-ideológicas.  

"Enquanto servos de Deus e conhecedores da palavra, é nossa missão aconselhar os políticos a pautarem por discursos que unem os cidadãos e consolidam a unidade nacional, tão fundamentais nesse período eleitoral" , enfatizou a entidade religiosa.

O pastor da igreja União das Igrejas Evangélicas de Angola, Fernando Massango, apresentou, durante o encontro, o memorando  das necessidades das igrejas no Namibe, onde consta, por exemplo, o desenvolvimento estrutural dos templos de culto para a aplicação do programa relativo ao papel da igreja na vida social, que se torna cada vez mais difícil cumprir, devido à falta de espaços (terrenos) para erguer templos adequados, escolas, hospitais e cozinhas comunitárias, em benefício das comunidades.

Fernando Massango disse que o corpo das entidades eclesiásticas do Namibe reconhece o esforço do Governo  e do partido MPLA na melhoria significativa da vida dos namibenses, tais como a requalificação das estradas nos bairros de Moçâmedes e Tômbwa, a construção de escolas e postos de saúde no âmbito do PIIM, a concretização dos programas de combate ao desemprego, à fome, à pobreza e à seca.

"Apesar da separação das doutrinas, enquanto igreja, compartilhamos objectivos que colocam o homem no centro das atenções. Queremos reiterar o papel que o Governo tem desempenhado  na vida da juventude angolana, e que, nos dias de hoje, se tornou prioridade nos planos e programas de solução dos problemas sociais", concluiu.

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