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Ensino especial no Cuando Cubango tem inscritos mais de dois mil alunos

Lourenço Bule| Menongue

Jornalista

Um total de 2.347 alunos com necessidades educativas especiais estão matriculados neste ano lectivo, no Cuando Cubango, revelou, ontem, em Menongue, o director do Gabinete Provincial dos Serviços de Ensino Especial.

25/09/2022  Última atualização 07H35
Docentes estão a frequentar seminários de preparação psico-pedagógica, com o objectivo de assegurar um ensino de qualidade © Fotografia por: Nicolau Vasco|Edições Novembro| Menongue
Domingos André disse que, deste número, como forma de encurtar a distância entre os locais de residência e os estabelecimentos de ensino, 2.123 alunos vão estudar em turmas integradas, em algumas escolas públicas e comparticipadas. "Os restantes 224 vão estudar no complexo escolar de inclusão nº 65, Mwene Tchicomba”.

Deste número de alunos matriculados, continuou, 1.730 alunos vão frequentar aulas da iniciação à 6ª classe e 617 da 7ª à 9ª classe. "Entre estes, 689 alunos da iniciação à 6ª classe apresentam problemas graves de aprendizagem, 470 têm deficiências comportamentais, 317 auditivas, 68 visuais, 116 linguagem e 50 problemas físico-motores”, explicou, acrescentando que da 7ª à 9ª classe vão contar, este ano, com 84 alunos com problemas auditivos, 423 com dificuldades na aprendizagem e 110 comportamentais, com realce para a falta de atenção durante as aulas.

As aulas, garantiu, estão a ser asseguradas por 62 professores, apesar de a instituição estar com inúmeras dificuldades para ministrar certos temas para os alunos com necessidades educativas especiais, devido à falta de máquinas de Braille.

Deficiência auditiva

A falta de professores de linguagem gestual tem dificultado o ensino e aprendizagem dos alunos com deficiência auditiva, lamentou, sexta-feira, o director do complexo escolar de inclusão nº 65, Mwene Tchicomba.

Pedro Suco José disse, durante as celebrações das Jornadas Nacionais da Pessoa com Surdez, celebradas sexta-feira última, que a instituição tem 13 professores, dos quais 12 do subsistema normal de ensino e apenas um especializado em linguagem gestual. "Esta situação tem obrigado os alunos a fazerem um esforço maior para perceber o conteúdo didáctico dado”.

Para superar o problema, defendeu, são necessários, no mínimo, seis intérpretes de linguagem gestual, de forma a terem um especialista para cada uma das seis turmas. "Porém, é preciso um número ainda maior, pelo facto de este ensino requerer um acompanhamento especial”, disse.

Muitas vezes, explicou, para colmatar a carência de intérpretes para os alunos com deficiências auditivas, a instituição tem recorrido aos préstimos de alguns estudantes do ensino secundário, que possuem já algumas habilidades de comunicação com pessoas com surdez.

Os professores de linguagem gestual, adiantou, têm ajudado na educação dos alunos mudos-surdos, bem como, na comunicação entre discentes e docentes, nas turmas do ensino geral, em salas inclusivas.

"Queremos instruir os alunos do ensino especial, de forma a terem as devidas competências técnicas, científicas e habilidades indispensáveis à formação, numa perspectiva que respeite a identidade e garanta a protecção de todos os estudantes, sem nenhuma forma de descriminação”, disse.

Neste ano lectivo, acrescentou, as acções da instituição estão direccionadas, particularmente para o processo de aprendizagem dos alunos, através da realização de seminários de preparação psico-pedagógica dos professores do ensino especial, com vista a assegurar um ensino de qualidade.

Inaugurado em 2016, o complexo escolar de inclusão nº 65, Mwene Tchicomba, tem matriculados, além das turmas do ensino especial, 800 alunos do ensino geral, que estudam da iniciação até a 9ª classe.

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