Cultura

Enaltecida a importância da poesia de Agostinho Neto

A literatura africana, com destaque para a de António Agostinho Neto, desempenhou um papel crucial para a libertação das mentes do homem negro, bem como na afirmação da angolanidade, afirmou, quarta-feira, em Mbanza Kongo, província do Zaire, o secretário provincial da Brigada Jovem de Literatura de Angola na região, Agostinho Dias Zantoto.

23/09/2022  Última atualização 07H05
Dezenas de jovens estudantes participaram na palestra realizada na cidade de Mbanza Kongo © Fotografia por: Garcia Mayatoko | Edições Novembro | Mbanza Kongo

Segundo Agostinho Dias Zantoto, que falava durante uma palestra subordinada ao tema "Importância da literatura na construção e na afirmação da angolanidade”, inserida nas comemorações do centenário do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, a literatura visou impulsionar os africanos para as lutas de libertação, cujo processo passava por libertar antes as mentes dos africanos.

O prelector avançou que, para o êxito do processo de libertação do jugo colonial, foi necessário enfrentar dois desafios para os intelectuais da época, onde se destaca António Agostinho Neto, que consistiram na emancipação das mentes e impulsionar a luta de libertação e a valorização da tradição dos povos.

"Daí surgiram dois grandes desafios para os intelectuais que impulsionaram a luta de libertação nacional, a luta de afirmação do angolano, era uma questão primeiro de emancipar as mentes e impulsionar os homens para a luta e a valorização dos nossos hábitos e costumes da nossa tradição para a nossa afirmação”, acrescentou.

Frisou, por outro lado, que a literatura nos seus mais variados níveis, joga um papel importante na congregação dos interesses e na busca de elementos comuns que servem de identidade nacional.

"A literatura nos seus variados níveis, joga um papel importante na congregação dos interesses e na busca dos elementos comuns que nos tornam angolanos, realidades encontradas nas riquezas étnicas da actual Angola, bem como nos valores que nos unem como um só povo e uma só nação”, disse.

No quadro desse processo, disse, apareceu o então Presidente de Angola que, através da sua poesia, consolidou a angolanidade, tendo em atenção a diversidade cultural de Angola.

Para a continuidade do processo de consolidação da angolanidade, segundo Agostinho Dias Zantoto, os jovens de hoje precisam abandonar as más práticas e procurarem fazer parte do processo de desenvolvimento de Angola, enquanto país, ao invés de lutar para a sua destruição.

 "Antigamente, os jovens tiveram que ir nos Maquís, abandonando os seus estudos para ingressarem na luta de libertação do povo angolano. Nós, não precisamos abandonar os estudos, mas sim, precisamos de libertarmo-nos de muitos males que nos enfermam, enquanto jovens”, aconselhou.

A excessiva valorização das redes sociais, como apontou Agostinho Dias Zantoto, leva à perdição da juventude que abraça o vandalismo, a delinquência e não só, afectando negativamente o desenvolvimento dos jovens e consequente do país no seu todo.

 "Hoje regista-se a excessiva valorização das redes sociais e perdemos aqueles valores intrínsecos dos angolanos, abraçando o vandalismo, a delinquência juvenil, a gravidez precoce, a fuga a paternidade, males que travam o desenvolvimento enquanto jovens e dos nossos municípios, províncias e o nosso país em geral”, apontou.Para o músico Pedro João Lourenço Mavinga, 26 anos, enquanto participante, a mudança de mentalidade e encontrar nas redes sociais, como um meio para o desenvolvimento social do país, constitui a via certa para a actual juventude.

"Enquanto usuários de Internet, tenho visto muitos jovens fazerem coisas que não são adequados para a nossa sociedade, daí apelar a necessidade de mudarmos as nossas mentalidades, porque a Internet é uma ferramenta que serve para publicações de notícias que podem impulsionar o desenvolvimento social do nosso país e não o contrário”, apelou.

A palestra, que teve lugar no anfiteatro da Delegação Provincial do Interior, em Mbanza Kongo, contou com a presença de vários jovens desde fazedores de músicas, amantes da literatura "poetas” e alunos do Instituto Politécnico de Administração e Gestão e do colégio Dr. António Agostinho Neto.

Jaquelino Figueiredo e Garcia Mayatoko | Mbanza Kongo

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