Economia

Empresas nacionais mostram qualidade da produção interna

A 1ª Feira das Indústrias de Mobiliário e Madeira de Angola (FIMMA), que encerrou ontem, revelou-se um certame acima das expectativas, principalmente pela capacidade de atrair produtores, investidores e o público, de acordo com a organização que anunciou terem passado pela exposição mais de 14 mil visitantes.

09/06/2019  Última atualização 17H54
Eduardo Pedro| Edições Novembro

O número é mais alto do que o esperado e envolve representantes institucionais, como o Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, os ministros de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes, das Finanças, Archer Mangueira, da Agricultura e Florestas, Marcos Nhunga, e da indústria, Bernarda Martins, bem como a vice-presidente do MPLA, Luísa Damião.

Os expositores interpretaram as visitas significativas de representantes institucionais como um engajamento do Estado angolano na elevação e viabilização da indústria da madeira e do sector industrial em geral.
O Jornal de Angola constatou, durante os quatro dias da feira, o interesse das partes envolvidas em remover os obstáculos ao crescimento deste sector, como Bornito de Sousa, que defendeu a necessidade de se “prestar mais atenção ao sector industrial” ou expositores que se queixaram da carga fiscal que impende sobre a produção.
O ministro das Finanças disse, quando ontem esteve na feira, que a utilização de matérias-primas nacionais reduz a pressão sobre a balança de pagamentos e ajuda o país a acumular divisas, revelando, dessa forma, a estratégia do Governo sobre o sector.
Gil Benga, director da empresa do ramo do mobiliário Inducarpim, que esteve entre os mais de 70 expositores que participaram na 1ª FIMMA, considerou em declarações ao Jornal de Angola que o interesse da exposição reside “na oportunidade de reunir, quantificar e qualificar os operadores do mercado madeireiro, por forma a formular uma ideia de como vai a ‘saúde’ das empresas do ramo”.
Mais do que fazer negócios, prosseguiu, importa discutir os problemas que o sector enfrenta, como os elevados custos dos factores de produção, preços, procura e o crescimento acelerado do mercado do mibiliário e da madeira.
A produção nacional, durante muitos anos esquecida, está a ganhar terreno em resultado da crise financeira que conduziu à escassez de divisas para importação, levando os consumidores a virarem para a oferta interna de mobiliário e outros produtos de carpintaria. “Actualmente, produzimos, geramos empregos e fundamentalmente riqueza, que é o objectivo final das empresas”, disse.
Apesar do sucesso da produção nacional, industriais como Gil Benga têm noção de que ainda é necessária matéria-prima importada para introduzir no produto final traços de qualidade que permitam concorrer com a oferta externa.
A Inducarpim trabalha com a madeira melamina, que é um produto importado, e a maciça que é nacional. “Temos encontrado constrangimentos criados pela exploração indevida da madeira natural, que criou variações nos preços do mercado”.
O preço de um metro cúbico de madeira passou de 183 mil kwanzas, em Junho de 2018, para 250 mil kwanzas, quatro meses depois, “uma diferença que acaba por pesar ao bolso do consumidor final, mas o nosso objectivo não é esse porque a nossa ideia fundamental é produzir artigos que possam ser consumidos por todas as classes sociais”, disse.
O gerente da rede de lojas Las Kasas, Célio Plácido, considerou no início da exposição que a FIMMA tem potencial para “conciliar” todos os empresários ligados à área para que se possam fazer bons negócios.

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