Economia

Empresas nacionais anunciam contratos na Indaba Mining

A Endiama, Sodiam e a Sociedade Mineira de Catoca, principais empresas diamantíferas que, entre terça e quinta-feira, representaram Angola da Conferência e Exposição Mining Inbaba, na Cidade do Cabo, África do Sul, declararam ter assinado, ao longo do certame, importantes contratos para as operações no país.

14/05/2022  Última atualização 08H40
Ministro dos Recursos Minerais (à esquerda) com o Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, durante a exposição © Fotografia por: DR

Responsáveis dessas empresas disseram, citados pela Angop, ter subscrito contratos para a transferência de tecnologia, conhecimento e aquisição de equipamentos.

O director de Geologia da Endiama, Mubuabua Yambissa, revelou a assinatura de uma  parceria com capitais canadianos e sul-africanos, a favor do projecto Mukuamba, da Lunda-Sul, assim como do Chitondo, um provável kimberlito localizado no Huambo.

"São projectos que vão precisar de um trabalho de prospecção muito profundo”, afirmou Mubuabua Yambissa, sublinhando que, para esses projectos, os investidores "devem ser sérios e comprometidos”.

A negociação de contratos para esses projectos, declarou o director de Geologia da Endiama, constitui um marco no processo de ascensão do país como o "terceiro maior produtor de diamantes no mundo”.

O director-geral da Sociedade Mineira de Catoca, Benedito Manuel, disse ter identificado, na Indaba Mining, alternativas para os problemas da cadeia de fornecimento dos insumos para a produção do nitrato de amónio, composto essencial para as detonações que originam o minério.

"Conseguimos identificar o segmento de gestão integrada das operações mineiras, geologia de produção e ambiente, importante mecanismo para a eficiência da empresa”, assegurou.

O director-geral da Endiama Mining, Pedro Galiano, também declarou terem sido conseguidas parcerias estratégicas para a aquisição de equipamento, software, lavarias de remoção de terra e extracção mineira.

Pedro Galiano anunciou que a Endiama Mining projecta produzir, nos próximos dias, 20 mil quilates, em 90 por cento constituídos por jóias de qualidade mundial, aproveitando a estabilidade dos preços conseguida depois de um período de volatilidade, em que baixaram entre 25 e 30 por cento.

Na feira, que encerrou ontem, Angola foi representada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, que foi o principal orador num painel subordinado ao tema "Angola: o Destino de Escolha para o Investimento Mineiro”.

 Reformas no país

Informações disponíveis no Jornal de Angola indicam que, na quinta-feira, Diamantino Azevedo participou num encontro intergovernamental, envolvendo ministros dos Recursos Minerais de vários países africanos, onde destacou as últimas actualizações legislativas feitas por Angola, ao longo de discussões que também incidiram sobre as oportunidades, desafios regionais e perspectivas de colaboração entre os países.

Diamantino Azevedo lembrou que, no continente africano, os ministros dos Recursos Minerais carregam as esperanças e aspirações de uma melhor qualidade de vida para os seus povos, especialmente as comunidades afectadas pela mineração, sublinhando que, "como ministros, não ousamos e não podemos falhar com o nosso povo”.

Para o ministro angolano, "por muitos anos culpamos as forças externas pelos problemas africanos e chegou a hora de os africanos assumirem a responsabilidade e encontrarem soluções para os nossos problemas”, já que "o nosso povo nos confiou esses cargos ministeriais, para enfrentar seus desafios de desenvolvimento económico”.

Durante a apresentação, Diamantino Azevedo disse que a "riqueza mineral não é uma maldição, mas uma bênção”, que "só é uma maldição se a administrarmos mal”. Pelo facto, recomendou que os africanos sejam os "melhores administradores das riquezas minerais que a terra concedeu ao continente”.

Um dos maiores produtores de diamantes e petróleo, Angola participou com nove empresas do subsector de diamantes, designadamente a Endiama e Sodiam, bem como as Sociedades Mineiras de Catoca, Cuango, Chitotolo, Uari, Yetwene e Furi, bem como a Kapu Gems.

A Conferência contou com a participação dos presidentes do Botswana, da Zâmbia e do Zimbabwe, respectivamente, Mokgweetsi Masisi, Hakainde Hichilema e Emmerson Mnangagwa, e ministro dos Recursos Minerais e Energia da África do Sul, Guede Mantash.

A Indaba Mining é uma conferência internacional que se realiza com periodicidade anual na Cidade do Cabo, mas, devido à pandemia da Covid-19 foi interrompida em 2020 e 2021. O próximo evento decorrerá na mesma cidade, mas no mês de Fevereiro de 2023.

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