Economia

Empresas angolanas apostadas na electrificação do continente

Entre as mais de 300 empresas de renome mundial presentes no Fórum de Energia de África, em Lisboa, uma mereceu destaque: a angolana Aenergy, que aproveitou o evento para juntar mais de 200 parceiros internacionais para reflectir sobre o futuro do sector no continente.

21/06/2019  Última atualização 09H08
DR © Fotografia por: Debates abertos e apresentação de projectos marcaram os três dias de exposição

Sob o tema “Connecting Africa”, a Aenergy aproveitou o evento para trocar experiências para o sector energético. “Nascemos em África e estamos comprometidos em contribuir para o desenvolvimento deste continente e para o bem-estar de seu povo, com soluções africanas para a África”, afirmou Ri-cardo Machado, presidente executivo da companhia criada há seis anos e tem hoje um volume de negócios de 400 milhões de dólares.

Ricardo Machado revela estar à frente de uma empresa que nasceu em Angola e integra um consórcio que ganhou a concessão da maior empresa do Ghana que distribui anualmente cerca de 7,5 mil MegaWatts de energia eléctrica a 20 milhões de pessoas, distribuídas numa área equivalente a 42 por cento do território do Ghana.
Além da distribuição tem ainda presença assinalada no sector da produção de energia e instalou, até ao momento, 360 MegaWatts, e tem sob sua responsabilidade serviços de assistência técnica de mais de 1.000 MegaWatts.
Com presença em cinco países, a Aenergy está centrada na protecção do ambiente e nas acções de responsabilidade social com impacto nas comunidades locais (10 iniciativas que envolveram 13.000 famílias).
No Fórum de Energia de África a Aenergy participou no painel “África to África”, para transmitir a experiência, o forte comprometimento com Angola e a perspectiva de futuro que a actual estratégia de parcerias e de captação de recursos e de know-how internacional vai trazer aos projectos a realizar em África”, afirmou Ricardo Machado.
Jorge Neto Morgado, co-CEO da Aenergy, refere que o facto de ainda existirem cerca de 70 por cento de pessoas na África Sub-sahariana sem acesso fiável a energia eléctrica, representa um desafio, que a Aenergy não pode descurar, já que a energia constitui uma “importante alavanca do desenvolvimento económico e social” do continente. “Há uma grande oportunidade de crescimento, actuando de forma diferente do status quo, com inovação e empenho no longo prazo em projectos estruturantes, sendo este Side-Event, reflexo desta nova tendência de abordagem às prioridades do sector”, afirmou para justificar a presença num evento com decisores políticos do sector, investidores, financiadores e companhias mundiais de renome.
Jorge Neto Morgado sublinha ainda a importância das parcerias no suporte ao desenvolvimento energético em África, “no curto prazo”.
“A Aenergy e os parceiros envolvidos neste Side-Event transmitiram um forte compromisso em implementar projectos que concretizem o potencial de geração de energia com base em fontes renováveis e, ao mesmo tem-po, contribuir para a diminuição do esforço financeiro do Estado, gerando energia mais barata, possibilitando alocar mais recursos financeiros a outras prioridades dos Governos”, sublinhou Jorge Morgado.
Para o gestor, o evento revelou as necessidades de integração, transformação e o caminho que os países emergentes têm que percorrer, agora com a participação do sector privado e com o envolvimento do investimento internacional, para atingir um patamar global de desenvolvimento sustentável e competitivo. “A Aenergy está determinada a investir em dois sectores estratégicos para que qualquer país cresça competitivamente (Energia e Trans-
porte), porque acreditamos que contribui para apoiar a industrialização, proporcionar emprego a longo pra-zo e promover o movimento de bens e pessoas, a base para o desenvolvimento um fortalecimento de qualquer economia”, afirmou, sublinhando que, para ajudar África, “precisamos de começar por algo que envolva a comunidade. Estamos a tentar juntar todos para que tal aconteça”.

Banca angolana
Além da delegação governamental e de empresas públicas do sector de Energia, Angola também está presente na área da banca, através do banco Atlântico. Um dos financiadores do Aproveitamento hidroeléctrico de Lauca, o banco Atlântico, segundo o Daniel Carvalho dos Santos, presidente da Comissão Executiva, está disponível a participar de investimentos no sector da Energia. “Estamos também a trazer um conjunto de parceiros do continente e de outras partes do mundo para, em conjunto, encontrarmos equações novas, com envolvimento do sector privado”, disse.
Jorge Morgado adianta que “o Banco tem vindo, desde há algum tempo, a mobilizar um conjunto de investidores para os incentivar a investir no sector energético em An-gola”. As alterações recentes na legislação angolana estimula, igualmente, o interesse e disponibilidade das entidades privadas e multilaterais em investirem em Angola, segundo o gestor que acredita na relevância do investimento neste sector para o desenvolvimento do país.
“Deste fórum podem resultar expressões de interesse que permitam o início da estruturação de formas de investimento inovadoras, com maior envolvimento do sector privado”, conclui.

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