Economia

Empresários valorizam resultados alcançados nos últimos quatro anos

Ana Paulo

Jornalista

Associações consideram o mandato do Presidente da República de bastante equilibrado e com foco na recuperação da produção nacional e também atracção de investidores externos com os quais conta-se na geração de postos de trabalho para os jovens

28/09/2021  Última atualização 06H40
Agostinho Kapaia exterioriza a satisfação plena na CEEIA, Mitó da Silva está animado com ganhos na cintura verde,Adilson Neto valoriza resultado das associações juvenis,Daniel Pires valoriza os ganhos das indústrias do sector têxtil © Fotografia por: DR
As associações empresariais angolanas defendem que os programas económicos implementados, nos quatro anos de mandato do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, tiveram um desempenho económico equilibrado.


Em declarações ao Jornal de Angola, sobre os quatro anos de mandato do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, após investidura em Setembro de 2017, o presidente da Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola (CEEIA), Agostinho Kapaia, considera o desempenho económico do país como estável. Para ele, nem tudo foram ganhos e muito menos perdas.


Agostinho Kapaia realça, por outro lado, que tem presenciado, nos últimos quatro anos, um grande esforço por parte da equipa económica do Governo para manter as finanças públicas em níveis aceitáveis e credíveis, seja ao nível interno como externo.


Defende, por isso, ser preciso que os cidadãos tenham em mente que as finanças públicas serão, eventualmente, das áreas mais sensíveis de qualquer governação, pois é sabida que as medidas tomadas nesse âmbito têm um forte impacto.


No que toca à avaliação efectiva dos programas económicos do país, ao longo do mandato do Presidente João Lourenço,  o líder da CEEIA prefere dividi-la em partes, pois, considera, 2017 um ano de apenas três meses. Já os anos 2018, 2019, 2020 e parte de 2021, pode-se dizer que, ponderados todos os factores, ficaram marcados pelo equilíbrio, merecendo pleno voto de confiança, tendo em conta as políticas económicas implementadas.


"Está visto que as bases estão lançadas e com o empenho de cada um, nas áreas de actuação, os resultados, num futuro próximo, serão certamente positivos”, disse.
Agostinho Kapaia preferiu também fazer uma retrospectiva com base nos acordos feitos com o Fundo Monetário Internacional, isso ainda em 2018, através do Acordo de Financiamento Ampliado e que gerou um compromisso de desembolso estimado em 3,7 mil milhões de dólares.


Tal apoio significou alinhamento entre as partes e um reconhecimento ao programa de reformas económicos aprovado pelo Executivo do Presidente João Lourenço.
"O Governo tem feito tudo para travar os níveis de endividamento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e para regularizar o pagamento das dívidas”, destacou o líder empresarial, que reconhece, actualmente, observar-se maior dificuldade com a actual redução da liquidez nos mercados internacionais, situação geradora de alguns constrangimentos aos vários desafios por atender, mas que, ainda assim, considera de justiça reconhecer-se o grande trabalho feito pela actual governação, valorizado por uma diplomacia económica bastante activa.


Na observação de Agostinho Kapaia, o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018-2022) assumiu seis grandes prioridades para o desenvolvimento territorial, dentre as quais potenciar a extracção de valor dos investimentos já realizados; desconcentrar e descentralizar o desenvolvimento e garantir o equilíbrio territorial na dotação das condições básicas de desempenho das actividades económicas.


Enquanto agentes intervenientes no processo de exportação, Agostinho Kapaia, que é também o líder do conglomerado empresarial "Grupo Opaia”, defende serem vários os factores condicionantes na actual conjuntura económica e financeira internacional, isso desde 2019. Ainda assim, considera que dois deles condicionaram a execução de várias agendas por parte de vários Governos em todo o mundo, incluindo Angola, nomeadamente a forte baixa do preço do barril de petróleo nos mercados financeiros internacionais, pois é ainda o maior produto de exportação, e, desde Março de 2020, a pandemia da Covid-19.


PRODESI

Por sua vez, o presidente da Associação dos Empresários do Município do Cacuaco e da Cintura Verde de Luanda, Mitó Silva, preferiu centrar a sua avaliação no desempenho da Agricultura e sectores afins.
Considera positivo os resultados agrícolas em quase todos os níveis, embora ainda exista a problemática do escoamento da produção na maior parte das zonas produtivas do país.


Mitó da Silva reconhece a acção do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, pelo trabalho efectuado até aqui, uma aposta que tem devolvido o valor pretendido à produção nacional e de que já resulta alguma eliminação de exportação de determinados bens.


Por outro lado, Mitó da Silva reconhece servir de incentivo para o desenvolvimento da agricultura a decisão de venda de tractores por pagamentos parcelados. Possibilitou aos produtores o aumento das áreas de produção.


Na classe dos criadores de aves, refere o responsável, o resultado foi também positivo. Actualmente, pertencem à Cintura Verde de Luanda 100 avicultores, quando no início de 2017, eram apenas 10. A ajustificar a adesão em massa estão as facilidades geradas pelo Programa de Acesso ao Crédito (PAC), disponibilizado no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI).


Este acesso ao crédito, na óptica do presidente da Associação dos Empresários do Município de Cacuaco e da Cintura Verde de Luanda resultou no aumento da produção nacional, seja na agricultura empresarial, seja na  familiar, dando facilidade aos camponeses de pequenas escalas e associações.


"Este processo registou avanços mediante a decisão do Presidente da República, que decretou a não importação de ovos pelo país, por existirem capacidades internas de abastecimento do mercado nacional em quantidade e qualidade”, reconheceu.

Para Mitó da Silva, foi um grande incentivo e os beneficiados não foram apenas os criadores de galinha, mas também os de suínos, bovinos e caprinos.


Sector alimentar

Com relação ao sector alimentar, Mitó Silva diz faltar concretizar certas medidas ligadas ao funcionamento da indústria, com realce a alimentar e comércio, mais concretamente nas taxas aduaneiras.


Por essa razão, considera existir falhas na importação da farinha de trigo, pois o saco que custava  apenas cinco mil kwanzas, hoje ultrapassa os 20 mil, quiça motivado pela presença de reduzido número de importadores da farinha de trigo no país.

"Nesse sector, precisa-se de um dinamismo no comércio da farinha de trigo, porque não pode ter apenas uma pessoa ou grupo a importar o produto, porque resulta no encarecimento  do produto. Resultado disso, actualmente, um tamanho de 1.100 gramas de peso custa 25 kwanzas, o que não é possível”, disse.

Advoga a revisão contínua dos impostos aplicados aos empresários como forma de não afectar seu custo derivado das taxas aduaneiras pagas aos consumidores.

Já o presidente do Conselho Empresarial Juvenil de Angola, Adilson Neto, reconhece que com a chegada ao poder do Presidente João Lourenço, o Executivo passou  a criar medidas concretas tendentes a proporcionar o crescimento económico.
Nessa base, disse, foram aprovados diversos instrumentos no sentido de fomentar a produção nacional e diversificar a economia, como é o caso típico do PRODESI.

Foram, igualmente, aprovados um conjunto de medidas tributárias para beneficiar os empresários que investem e querem investir no país, como é o caso da redução do Imposto Industrial, de 30 para 25 por cento, e igual redução para o sector Agrícola e similares, de 15 para 10 por cento, respectivamente.


  Programa de privatização dinamiza sector têxtil nacional

O processo de privatização implementado pelo Executivo no sector da indústria têxtil é um passo positivo, pois veio dar dinamismo e mais abertura no mercado interno, defendeu o director de Comunicação e Informação da Associação da Indústria Têxtil de Angola.
Daniel Pires disse que com este processo o Governo gera mais facilidades no intercâmbio com a classe empresarial.

Segundo referiu, o retorno ao funcionamento normal das fábricas têxteis de Benguela, Luanda e Cuanza-Norte são provas do novo ambiente económico e dos efeitos positivos na indústria nacional.

O operador têxtil parabeniza o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, pela implementação de novos programas de revitalização do sector económico nestes quatro anos, uma vez que os mesmos vieram dar ênfase à produção nacional.

Com o processo de privatização, segundo Daniel Pires, o país ganhou outro ar e até os investidores externos sentem-se mais motivados a trazer os seus recursos para aplicá-los nos diferentes projectos.

"É missão do Governo dar oportunidade  aos empresários e é missão do empresariado nacional apoiar o Executivo na criação de mais postos de trabalho e aumento da produção para o desenvolvimento da economia nacional”, afirmou.

Em relação aos resultados no sector da indústria têxtil, Daniel Pires sente-se satisfeito, porque os seus lamentos e intervenções sobre a problemática do sector foram ouvidos pelo Presidente João Lourenço. "O que fui reivindicando nos últimos 10 anos, parece que surtiu efeito. Logo, é de louvar o actual processo de privatização das têxteis”, realçou.

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