Política

Empresários turcos prontos a investir em Angola

Bernardino Manje

Jornalista

Empresários turcos manifestaram, ontem, em Ankara, interesse e disponibilidade em investir em Angola nos mais variados sectores.

29/07/2021  Última atualização 08H05
© Fotografia por: DR
A disponibilidade ficou expressa nos encontros, separados, que o Presidente da República, João Lourenço, teve com empresários turcos, à margem do Fórum de Negócios Angola-Turquia, realizado em Ankara.

No total, foram sete os investidores recebidos por João Lourenço. Um deles foi Ahmed Calik, patrono da Calik Holding, que trabalha em vários sectores, entre os quais o mineiro, bancário, construção e têxtil.

O empresário, considerado dos mais bem sucedidos da Turquia, disse estar disponível para investir em Angola nos sectores da Energia, mineiro e petroquímico. Os investimentos, revelou, deverão rondar entre os 1,5 e dois mil milhões de dólares. "O Senhor Presidente da República pediu-nos que mantivéssemos contactos directos com os ministros da Energia e outros que tutelam as áreas em que estamos interessadas” em investir, disse.

Mais do que gerar empregos, Ahmed Calik sublinhou que uma das funções principais  da sua empresa é dar formação aos jovens, uma política que vai ao encontro do apelo formulado pelo Presidente João Lourenço.

"Hoje estamos a viver um momento histórico nas relações entre Angola e a Turquia. Daqui a muitos anos, quando se falar das relações bilaterais, vamos referir-nos a este dia”, vaticinou. No encontro, disse, o Chefe de Estado angolano pediu que os empresários turcos reforcem as relações e os contactos com a AIPEX (Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações). "Vamos fazer isso, inclusive reuniões virtuais para, até Outubro, termos coisas novas, quer para Angola, quer da Turquia”, prometeu.

Canil Oklap, presidente do Grupo de Petroquímica Tefken Holding, está interessado em investir na construção civil, com 2,5 mil milhões de dólares. Questionado sobre o que a Tefken Holding poderia construir em Angola, Oklap respondeu: "tudo o que Angola quiser”. Destacou o facto de a Tefken ser a primeira empresa turca no ramo da construção civil.

Durante o fórum, empresários turcos colocaram várias questões sobre as garantias de investimento em Angola, perguntas que foram prontamente respondidas pelos ministros de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, da Indústria e Comércio, Victor Fernandes, dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, e dos Transportes, Ricardo de Abreu.

Por exemplo, um empresário perguntou se Angola pretende, igualmente, desenvolver a indústria naval, uma área em que a Turquia tem vasta experiência. O ministro dos Transportes respondeu afirmativamente, dizendo que o interesse do país é sentido tanto na cabotagem, como do ponto de vista internacional, nomeadamente na pesca e investigação científica, além da exploração petrolífera, numa altura em que a maior parte da exploração, em Angola, é feita em offshore.

Ricardo de Abreu informou que Angola pretende desenvolver, no Porto Amboim, Cuanza-Sul, uma infra-estrutura naval, convidando o empresário turco a manter contactos com as autoridades angolanas para se inteirar sobre o projecto.

Manuel Nunes Júnior, que, pela parte angolana, moderou o momento interactivo do fórum, agradeceu a Turquia pela realização do evento e disse esperar que este país aplique capital financeiro e know how para o desenvolvimento de Angola.

Ainda ontem, último dia da estada em Ankara, o Presidente João Lourenço visitou o Ministério da Indústria da Defesa, onde estão expostas miniaturas de equipamentos produzidos pela Turquia no sector militar, como navios e tanques de guerra, porta-aviões, helicópteros e drones de reconhecimento. Na visita, o Presidente esteve acompanhado do ministro da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos.

  Acordo entre a AIPEX e a congénere turca

A  Agência para o Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) e a congénere turca, DEIK, assinaram, ontem, em Ankara, um acordo para a criação de um Conselho de Negócios.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da AIPEX, António Henriques da Silva, trata-se de um instrumento que está a ser criado para proporcionar uma maior aproximação entre o sector empresarial turco e angolano, através das instituições encarregadas de lidar com o sector privado.

Na dinâmica que se está a propor, esclareceu, o referido Conselho, tanto em Angola, como na Turquia, visa a materialização de encontros intercalados, pelo menos dois em cada ano, com vista à actualização das agendas e os temas a serem discutidos. O objectivo é uma aproximação mais profunda entre Angola e a Turquia no campo económico, através do sector empresarial, principalmente o privado.

António Henriques da Silva fez um balanço positivo do Fórum Económico Angola-Turquia, sobretudo por ter contado com a participação do Presidente da República, João Lourenço, facto que, na sua óptica, é a "demonstração clara” do compromisso do Executivo angolano de diversificação da economia.

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