Economia

Empresários agrários divergem na rentabilidade entre grandes e pequenas fazendas

Em quase todos os pontos do país, há o surgimento acentuado de fazendas de pequenas e grandes extensões a concorrem para criar bases necessárias com objectivo de garantir a auto-suficiência alimentar.

24/07/2020  Última atualização 13H37
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Os empresários agrários divergem se prevalece o modelo de grandes ou pequenas extensões. Por exemplo, o empresário Jorge Baptista defende que a criação de fazendas com dimensão de 10 até 20 hectares bem reestruturadas, e com estratégias devidamente definidas, podem gerar 18 mil empregos. Com o modelo das pequenas fazendas, segundo o entrevistado, pode criar-se também a maior bolsa de negócios e empregos calculados em 200 mil.

Em entrevista ao Jornal de Angola, Jorge Baptista, também presidente da Associação de Empreendedores de Angola, considera que as pequenas extensões bem estruturadas, orientadas galvanizam o agro-negócio artesanal e proporcionam arrecadação de impostos. “É mais fácil que se rentabilizem as pequenas do que algumas com grande extensão de terrenos.O problema está na criação de modelos inovadores e de interesse do cidadão”, disse.

Estratégias

Segundo Jorge Baptista, o Governo deve criar estratégia e condições e o produtor ter a consciência de que não pode desperdiçar o potencial que tem para o desenvolvimento do país. “Quanto maior for o aprendizado, menor será o desperdício, daí que há necessidade, em primeiro lugar, de aprender a rentabilizar um hectare para logo a seguir pensarmos em milhões de hectares”, frisou.

Jorge Baptista afirmou que em todo o globo tem um sistema de segurança alimentar garantido, tendo optado por uma estratégia coerente e eficaz no aproveitamento da terra começando pelas pequenas.

Grandes fazendas

Por sua vez, o empresário no ramo Adérito Costa defende o investimento em fazendas de grandes extensões dado a imensidão de terrenos aráveis no país.O empresário investiu com fundo próprios mais de 2 milhões de dólares numa rede de 12 fazendas para produzir, em grande escala, citrinos, hortícolas, frutícolas e tubérculos. Com as extensões de terras agrícolas trabalhadas, segundo o entrevistado, Angola vai reduzir a miséria e garantir a auto-suficiência alimentar.

Contudo, refere que o custo elevado dos insumos que concorrem na cadeia produtiva, está a contribuir na redução dos resultados produtivos e a onerar o preço dos alimentos. A sua actividade incide na produção de feijão, milho, soja e a fruta pitaia, mamão, ananás, manga, maracujá, assim como os frutos de famílias aromânticas.

Adérito Costa solicita às autoridades para, além de apoios de maquinaria agrícola, injectar ao sector sementes, enxadas e fertilizantes. A rede de fazendas, segundo o empresário, gerou mais de 350 postos de trabalho para nacionais e já teve sobre a sua alçada 200 expatriados. “ Neste momento, estou a olhar 100 por cento para o sector agrícola.

O Estado me deve muito dinheiro, mas o pouco que resta tem estado a sustentar o sector agro-negócio “, disse. Além da produção agrária, dedica-se também à criação de suínos, aves, assim como a multiplicação do peixe cacuso.

E aproveita o excremento de animais para revitalizar os solos. “O preço dos insumos está muito alto, pois, esperamos que o Ministério de tutela resolva para sempre este problema. Só assim, teremos produção em grandes quantidades”, frisou.

Escoamento

Para se alcançar a autonomia alimentar em Angola, sugere a existência de trabalho multissectorial, abrindo novas estradas, disponibilizar uma frota de camiões para escoar o produto do campo. Cita, por exemplo, que a disponibilização de viaturas com capacidade para transportar até cinco toneladas, transportariam alimentos para os centros urbanos.

“ Só assim é que poderemos nos tornar autonomos em termos alimentares, porque existe muita produção que se deteriora nos campos por falta de escoamento, realçou. Segundo a fonte, grandes quantidades de milho, feijão, mandioca, ginguba estragam-se no campo por inexistência de programas virados à permuta para encorajar o produtor no seu exercício.

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