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Emprego é o maior desafio de Angola e Moçambique

O emprego  é o maior desafio para Angola, Moçambique e outros oito países do sul do continente, segundo um estudo da União Africana (UA) e da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre políticas de crescimento em África.

13/01/2019  Última atualização 16H39
Eduardo Pedro | Edições Novembro © Fotografia por: Dezasseis milhões de pessoas na África Austral sem emprego

O relatório designado “Dinâmicas do Desenvolvimento em África - Crescimento, Emprego e Desigualdade 2018”, estima que 16,5 milhões de pessoas em Angola, África do Sul, Botswana, Lesotho, Malawi, Moçambique, Namíbia, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe não têm trabalho.
O universo deste conjunto de dez países do Sul de África a que se refere o estudo é de 177 milhões de pessoas, o que representa 14 por cento da população no continente africano, de acordo com estatísticas da UA. O documento prevê que 1,1 milhões de pessoas consigam entrar no mercado  do trabalho em cada ano até 2030.
O primeiro relatório da UA e OCDE que aborda as relações entre crescimento, emprego e desigualdades em África e as implicações nos quadros estratégicos, assinala o problema da diversificação económica, salientando que “vários países dependem muito do sector mineiro, que é volátil e cria poucos empregos”.
A criação limitada de empregos, a incompatibilidade de competências e as barreiras que são colocadas para iniciar ou fazer crescer novos negócios são razões avançadas no estudo para justificar as taxas de desemprego de longa duração de 15 a 35 por cento nos países que compõem a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Nos países não membros da SADC, grande parte dos trabalhadores não tem recursos financeiros ou qualificação para entrar no mercado de trabalho.
“A maioria dos trabalhadores está no sub-emprego, principalmente na agricultura e serviços de baixo valor agregado”, constataram os investigadores que elaboraram o relatório.
O documento refere que “a diferença entre os homens e a participação feminina na força de trabalho permanece grande” em Angola, África do Sul, Botswana, Lesoto, Malawi, Moçambique, Namíbia, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe.
O documento refere também que Angola foi o país do sul de África com mais investimento estrangeiro directo de 2000 até 2016.
Conjuntamente com o Zimbabwe e Sudão, Angola atraiu o maior número de projectos de investimento directo da China, entre o conjunto dos 54 países africanos. Moçambique ficou muito perto dos 30 por cento de investimento médio estrangeiro de 2000 a 2016 em percentagem do PIB, no sul de África. Nesse período de 16 anos, o investimento externo directo representou 21.200 milhões de dólares em 2016, o que reflecte um crescimento face a 2009, em que se ficou por 6.900 milhões de dólares.

Desigualdades sociais
De acordo com o relatório, África cresceu mais do que a América Latina e as Caraíbas entre 2000 e 2017, mas esse crescimento económico não proporcionou emprego suficiente, tendo aumentado a desigualdade.
Além de considerar que “os empregos de qualidade permanecem escassos”, o relatório aponta que o continente africano “experimentou fortes taxas de crescimento económico” no período analisado, com a média de 4,7 por cento ao ano.O documento apresenta a América Latina e as Caraíbas com 2,8 por cento de crescimento económico, enquanto o desenvolvimento da Ásia (sem a China) superou pouco mais de 7 por cento.
Em África, as razões do crescimento fundaram-se na “subida dos preços das matérias-primas, a melhoria da gestão macro-económica e as estratégias para diversificar as economias”.

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