Política

Embaixadores ajustam estratégia externa de Angola

Gabriel Bunga

Jornalista

Os responsáveis máximos das missões diplomáticas de Angola reúnem-se, hoje e amanhã, em Luanda, para analisar e ajustar a estratégia da política externa, de acordo com os interesses do país, disse, sexta-feira(13), Francisco da Cruz, embaixador de Angola na Etiópia e junto da União Africana.

14/05/2022  Última atualização 08H55
Porta-voz do encontro durante a conferência de imprensa, sobre a 9ª Reunião de Embaixadores © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O também porta-voz do encontro disse, em conferência de imprensa, ontem, que a 9ª Reunião de Embaixadores vai ter como tema central "a política externa angolana no actual contexto internacional” e que a estratégia do país deve estar ajustada aos seus interesses, considerando vários factores ocorridos no mundo, como a Covid-19.

"A nossa análise quanto à presença diplomática tem em conta a todos estes factores e teremos a oportunidade nessa 9ª Reunião de Embaixadores, analisar a rede diplomática, na perspectiva de ver a importância estratégica de cada uma das nossas missões diplomáticas e consulares, a identificação de outras oportunidades ali onde a nossa presença se faz sentir, tendo em conta aquilo que julgamos ser fundamental no interesse de Angola no plano internacional”, disse.

Francisco da Cruz referiu que a Reunião de Embaixadores é um órgão de consulta do ministro das Relações Exteriores ao qual compete analisar a execução da política externa do Estado angolano nas mais diversas vertentes e recomendar estratégias e linhas de actuação político-diplomática.

A 9ª Reunião de Embaixadores terá como objectivos fundamentais reflectir sobre a política estratégica de Angola face aos desafios e oportunidades decorrentes do actual contexto internacional e fazer os ajustes que se mostrarem convenientes e adequados.

Na reunião, os embaixadores vão analisar temas como a diplomacia digital, a política de comunicação, o domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), os desafios da República de Angola, face à crescente onda de ataques cibernéticos.  No primeiro painel, os participantes vão discutir questões sobre a importância das tecnologias de informação, na tramitação de informação diplomática, assim como também a importância da diplomacia em rede nas relações bilaterais e multilaterais.

Francisco da Cruz disse que o Ministério das Relações Exteriores defende melhor comunicação das suas acções, dentro da modernidade tecnológica que se regista no mundo. "Pensamos ser importante comunicar mais e melhor, razão pela qual o plano de comunicação da República de Angola estará em análise para compreendermos melhor como usar esse plano no âmbito da diplomacia pública”, realçou, sublinhando que a diplomacia cultural é também essencial e que a Expo Dubai foi importante.

Os diplomatas vão discutir, ainda, o plano de comunicação institucional da República de Angola, sobretudo, na vertente da aplicação da diplomacia pública e analisar a gestão da informação, a circulação da informação entre o órgão central do ministério e as missões diplomáticas consulares.

 Os embaixadores analisarão, também, a questão da inserção dos quadros angolanos nas organizações internacionais como forma de avançar a agenda de afirmação e de influência diplomática de Angola no contexto internacional. A análise das questões internas estará sobre a mesa, com realce para a administração e finanças, o processo de redimensionamento e o plano de rotação de quadros em curso nas missões diplomáticas.

O porta-voz do encontro avançou que o segundo painel vai abordar a estratégia nacional dos Direitos Humanos, enquanto documento orientador que visa enquadrar a actuação do Executivo angolano no âmbito dos Direitos Humanos, tendo como referência o Plano da Governação 2017/2022 e o Plano do Desenvolvimento Nacional 2018/2022.

O terceiro painel, sublinhou, vai discutir as vantagens da nova Lei de Investimento Privado e os seus efeitos na melhoria do ambiente de negócios em Angola e o quarto painel será dedicado às finanças, fiscalização e prestação de contas.

"Será uma oportunidade para discutirmos questões ligadas à elaboração, execução e fiscalização do orçamento, pelo que teremos a participação activa do Ministério das Finanças, da Inspecção Geral da Administração do Estado e do Tribunal de Contas”, informou. 

Os embaixadores vão analisar, também, a estratégia de inserção de quadros angolanos nas organizações internacionais, como processo de afirmação e de influência de Angola na arena internacional. Hoje, segundo dia dos trabalhos, os embaixadores abordarão a directiva da estratégia da diplomacia económica da República de Angola para o período 2020/2022, com vista a balancear a perspectiva da actuação com os parceiros internacionais, em especial com os estratégicos.

 

 

 

 

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