Entrevista

Embaixadora Saadia El Alaoui: Marroquinos querem diversificar presença económica em Angola

Guilhermino Alberto

O Reino do Marrocos quer reforçar os laços económicos com Angola e apostar na diversificação dos sectores de actividade, procurando aumentar o volume de negócios entre os dois países.

30/07/2022  Última atualização 10H40
© Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Em entrevista ao Jornal de Angola, por ocasião do 23º aniversário da entronização do Rei Mohammed VI, que hoje se assinala, a embaixadora marroquina em Angola, Saadia El Alaoui, apontou como áreas de cooperação os sectores das pescas, da indústria aeronáutica, marítima e ferroviária, do comércio internacional, assim como das energias renováveis. A representante do único país africano detentor do Trem de Alta Velocidade (TGV) , também quer um maior intercâmbio entre homens de negócios dos dois países. Aproximando-se o centenário do nascimento de António Agostinho Neto, o fundador da Nação Angolana, a embaoxadora Saadia El Alaoui fala também da passagem de Neto ao Marrocos e do apoio prestado pelo Rei Hassan II, nos anos 60 do século passado, aos primeiros 300 guerrilheiros angolanos para a luta anti-colonial.

O Marrocos assinala hoje, dia 30 de Julho, 23 anos de ascensão do Rei Mohammed VI ao trono. Que realizações ocorreram no país desde a entronização de Mohammed VI como monarca em 1999?

Esta celebração está enraizada numa tradição ancestral de renovação do pacto entre a Monarquia e o Povo e marca hoje o 23º aniversário da as-censão de Sua Majestade o Rei Mohammed VI ao trono. De facto, durante mais de duas décadas, Sua Majestade tem orientado um longo processo de reformas iniciado nos campos político, económico e social. Estas reformas são a chave para a estabilidade de Marrocos num contexto regional e internacional turbulento.

Essas reformas ajudaram a consolidar o estado de direito, o pluralismo político, a boa governação, a justiça social e o desenvolvimento humano, colocando o capital humano no centro das políticas do governo como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável.

O clima de estabilidade política permitiu igualmente o fluxo de investimento estrangeiro, nomeadamente das empresas líderes em aeronáutica, na indústria automóvel e em outros sectores, atraídos por Marrocos, graças à sua posição estratégica que liga a África, a Europa e o Médio Oriente.

Face a um ambiente internacional e regional difícil, Marrocos demonstrou  a sua resiliência com um Produto Interno Bruto (PIB) que triplicou nos últimos 20 anos.

A plataforma "Morocco Now" reflecte a visão do Reino, o dinamismo da sua juventude, a sua inovação industrial, a agilidade dos seus empresários, a sua abertura histórica e o potencial de crescimento que Marrocos oferece para o desenvolvimento das empresas e dos negócios.

O quadro jurídico e regulamentar moderno, estabelecido por Marrocos, criou um ambiente particularmente atractivo para os investidores.

Por outro lado, Marrocos, conhecido como um pólo estratégico de exportação na região, oferece um custo de produção competitivo e um acesso mundial aos mercados mais dinâmicos. Tornou-se também um líder africano na transição para uma economia verde, através de um plano ambicioso liderado por Sua Majestade o Rei Mohammed VI.

Como as reformas são um trabalho permanente em curso, o mais recente, o Novo Modelo de Desenvolvimento, visa libertar energias para acelerar a marcha para um elevado nível de crescimento.

Como a embaixadora Saadia El Alaoui avalia a cooperação entre Angola e o Reino do Marrocos?

Se olharmos para os números das trocas comerciais entre os nossos dois países, temos de salientar dois indicadores significativos: um total das trocas comerciais marcado por valores reduzidos e um leque de produtos comercializados bastante limitado.

Assim, penso que o que nos interessa, por um lado, enquanto entidades públicas, é criar as condições jurídicas necessárias para incentivar o desenvolvimento dessas trocas, o que estamos a fazer em conjunto com a parte angolana, para a criação de diversos instrumentos jurídicos de cooperação económica. 

Por outro lado, o que queremos é ver os operadores económicos privados, tanto marroquinos como angolanos, conhecer e compreender melhor as capacidades de produção dos nossos respectivos países e as suas ofertas exportáveis, com o objectivo de melhor aproveitar as oportunidades de exportação e investimento que lhes são oferecidas por ambos os lados.

Poderia mencionar sectores como a indústria automóvel, que em poucos anos se tornou a principal fonte de en-trada de divisas, ultrapassando um sector mineiro historicamente importante como o fosfato, mas também o sector da aeronáutica, da electricidade, do turismo, dos têxteis e, evidentemente, das energias renováveis, além dos sectores tradicionais da agricultura e das pescas, nos quais Marrocos goza de uma ampla experiência.

Em que áreas Marrocos pode reforçar a cooperação com Angola?

Angola, pela sua vontade de diversificação da sua economia, a sua opção de substituição das importações por uma produção local, oferece todo um campo de possibilidades para o investimento estrangeiro directo e marroquino em particular.Qualquer crescimento num país dá origem a um fluxo de importações que pode constituir, para as empresas marroquinas, oportunidades a serem aproveitadas a fim de se abrirem ainda mais a esta parte de África.  

Isto com o objetivo de ver as trocas entre os nossos dois países aumentarem, diversificarem e aproveitarem as oportunidades não só da complementaridade entre as nossas duas economias, mas ainda mais importante, inscrever-se num momentum de crescimento e numa dinâmica de desenvolvimento desejada pelas mais altas autoridades dos nossos dois países. 

Porque enquanto países africanos, ao aumentar as nossas trocas comerciais com outros países africanos irmãos e amigos, é este comércio intra-africano que aumenta e melhora. E é uma riqueza partilhada entre africanos e economias complementares que são reforçadas.

Em Janeiro deste ano, o ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António, e o homólogo marroquino, Nasser Bourita, passaram em revista aspectos relacionados com a realização da comissão mista entre os dois países. Em Maio, a embaixadora Saadia El Alaoui foi recebida pelo ministro Teté António. Estará para breve a reunião da Co-missão Mista?

Em primeiro lugar, gostaria de salientar duas datas importantes, nomeadamente, os encontros entre Sua Majestade o Rei, Mohammed VI, que Deus O Assiste, e Sua Excelência o Presidente da República, Senhor João Manuel Gonçalves Lourenço.

O primeiro encontro entre os dois Chefes de Estado teve lugar a 29 de Novembro de 2017, à margem da Cimeira União Africana-União Europeia (UA-UE), em Abidjan.

O segundo encontro realizou-se em Brazzaville, na República do Congo, a 29 de Abril de 2018, à margem da participação nos trabalhos da 1ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Comissão do Clima e do Fundo Azul da Bacia do Congo.

Estes dois encontros permitiram imprimir uma nova dinâmica às nossas relações. Em seguida, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos nossos dois países encontraram-se em várias ocasiões, em Rabat e em Luanda, mas também aquando da sua participação nas diversas cimeiras das organizações multilaterais de que Marrocos e Angola são membros.

Além disso, os dois memorandos de entendimento sobre consultas políticas e isenção de vistos para passaportes oficiais foram assinados em Rabat, em Junho de 2017.

Por último, gostaria de recordar as fases estruturantes desta relação de amizade e cooperação entre os nossos dois países, nomeadamente:

A 1ª Sessão da Comissão Mista, entre Marrocos e Angola, que teve lugar em Rabat, em Outubro de 1986.

A 2ª Sessão da Comissão Mista realizada em Luanda, em Novembro de 2013,e nesta construção de relações marroquino-angolanas, está prevista a realização de uma 3ª Comissão Mista em Marrocos nos próximos meses, o que reforçará ainda mais a cooperação e os laços entre os nossos dois países.

Por último, para preparar esta Comissão, vários projectos de acordos e memorandos foram examinados e validados no plano técnico pelos peritos dos dois países. Estes instrumentos serão igualmente acrescentados aos acordos que regem as relações entre os nossos dois países desde os anos 80.

Angola e o Reino do Marrocos são defensores do multilateralismo nas relações internacionais. Como os dois países têm procurado encontrar consensos no que toca a matérias ligadas às alterações climáticas?

As questões ambientais em África são uma prioridade para Marrocos, que reclama justiça climática para este continente, o menor emissor de gases com efeito de estufa (GEE).

A este respeito, Sua Majestade o Rei tomou a iniciativa de convocar a 1ª Cimeira Africana de Acção, à margem da COP22, organizada em Marraquexe, em Novembro de 2016, o que constituiu uma oportunidade para os líderes africanos coordenarem e harmonizarem as suas acções na luta contra as alterações climáticas, bem como para procurarem as melhores soluções para os desafios climáticos que o nosso continente enfrenta.

Nesta Cimeira, os Chefes de Estado africanos comprometeram-se a acelerar a realização das iniciativas destinadas a reforçar a resiliência de África face às ameaças climáticas, nomeadamente "A Iniciativa Africana para a Adaptação", a iniciativa para "A Adaptação da Agricultura Africana -AAA", bem como a iniciativa para a "Segurança, Estabilidade e Sustentabilidade (3S)".

Foi igualmente decidido criar três comissões dedicadas à região do Sahel (presidida pela República do Níger), à região da Bacia do Congo (presidida pela República do Congo) e aos Estados Insulares (presidida pela República das Seychelles).

Na continuidade deste impulso, Marrocos iniciou um processo de assistência técnica destinado a apoiar a operacionalização da Comissão do Clima da Bacia do Congo, da qual Angola, como sabem, está também muito empenhada, bem como a Comissão do Clima para a região do Sahel.

Marrocos é também o iniciador do "The African Youth Climate Hub" submetido pela Fundação Mohammed VI para a Protecção do Ambiente na Cimeira do Clima em 2019, durante a qual apresentou, conjuntamente com a Etiópia, a iniciativa sobre a "Coalition for Renewable Energy Access"

O Reino do Marrocos acaba de ser eleito por aclamação, a 2 de Março de 2022, Presidente da 6ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, para  um mandato de dois anos. O sucesso da candidatura do Reino do Marrocos é um reconhecimento da sua liderança acumulada na protecção ambiental, bem como da sua experiência consolidada na implementação de iniciativas ambiciosas.

A histórica cidade de Tânger tem sido citada como um exemplo de desenvolvimento sustentável. Conte-nos que exemplos esta cidade pode oferecer ao desenvolvimento do continente?

Marrocos optou também, desde 1977,  por adoptar o sistema descentralizado de autarquias locais e regionais, que permitiu às diferentes cidades do país emergir como pólo económico multissectorial.

Tânger é um exemplo disso, pois transformou-se numa plataforma industrial portuária conhecida pelo florescimento de uma indústria automóvel que abriu caminho a um crescimento notável, graças às vantagens competitivas que o país oferece, graças ao hub portuário de Tânger Med, à ligação de linhas marítimas que permite e à capacidade de carga que oferece aos produtores exportadores.

O que tem a dizer, também, aos empresários angolanos sobre a cidade de Marraquexe, que é igualmente uma referência em África por albergar grandes eventos internacionais?

Evidentemente, a cidade de Marraquexe acolheu, e ainda acolhe, conferências internacionais como as da ONU e das instituições financeiras internacionais, e muitas outras. Nos últimos dois meses, a cidade acolheu a US-Africa Business Summit de 2022, a Reunião do Grupo Africano de Ministros das Finanças e dos Governadores dos Bancos Centrais dos EstadosAfricanos Membros do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional "African Caucus", só para citar alguns.

É por isso que Marraquexe poderia constituir para os empresários africanos, em geral, e os angolanos, em particular, um verdadeiro centro de negócios, e uma oportunidade para elaborar programas integrados de desenvolvimento, com objectivos claros e instrumentos de financiamento inovadores.

Como sabem, nem preciso de dizer o quão atractivo é este destino a nível do tu-rismo mundial. Ainda mais interessante é que Marraquexe, graças à realização da COP22, integrou a di-mensão do desenvolvimento sustentável.

O Marrocos é o único país africano com uma linha de transporte ferroviário de alta velocidade, que liga a cidade de Casablanca a Tânger. Esta experiência tem sido partilhada com outros países onde a mobilidade não é fácil?

Marrocos está estrategicamente localizado, a apenas 14 quilómetros da Europa, permitindo a entrega de mercadorias em 1 a 2 dias. Sendo um dos países africanos mais próximos dos Estados Unidos e da Europa, Marrocos está na encruzilhada das principais rotas de comércio internacional.

Com esta localização estratégica para investimento e comércio, Marrocos lançou projectos estratégicos como o Porto Tânger-Med, que é agora uma das primeiras plataformas de transbordo em África ligado a 186 portos em todo o mundo, com uma capacidade de movimentação de 9 milhões de contentores por ano.

Isto nunca aconteceria sem uma infra-estrutura de ponta em todo o país: o primeiro Trem de Alta Velocidade (TGV) de África, mais de 1.808 quilómetros de auto-estradas e 18 aeroportos internacionais.

Marrocos beneficia de uma mão-de-obra jovem e competitiva formada para satisfazer as necessidades específicas de diferentes indústrias e sectores com 1/3 da população entre os 20 e 45 anos, 152 mil diplomados por ano, centros de formação 'ad-hoc' desenvolvidos em conjunto com investidores e mediante parcerias com universidades internacionais líderes.

O nosso país instalou plataformas industriais integradas de alto nível,  através da criação de zonas industriais dedicadas em todo o território, entre as quais zonas francas que oferecem numerosas vantagens e uma integração local: 119 zonas industriais, sete zonas económicas especiais e dez mil operadores industriais.

Estão em curso projectos bilaterais no domínio do Transporte Internacional Rodoviário (TIR), sobretudo com os países limítrofes da África Ocidental. Marrocos tenciona alargar as suas linhas de caminhos-de-ferro, in-cluindo as do TGV. Realçamos também que Marrocos é um actor incontornável no projecto da União Africana, no-meadamente o Programa de Desenvolvimento de Infra-estruturas em África (PIDA), com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e da Agência de Desenvolvimento da União Africana  AUDA-NEPAD.

O continente assinala amanhã,  31 de Julho, o Dia da Mulher Africana. O que tem a dizer a embaixadora Saadia El Alaoui, que se veste à moda ocidental mesmo representando um país árabe?

Marrocos é, antes de mais, cultural e geograficamente, um país africano, árabe e mediterrânico, pois, recordo, encontra-se na encruzilhada dos continentes, das civilizações e dos mares.

Como Sua Majestade o falecido Rei Hassan II resumiu numa das suas sábias palavras, "Marrocos é uma ár-vore cujas raízes estão em África e cujas folhas respiram na Europa".

Portanto, estamos muito enraizados na nossa cultura afro-árabe, muçulmana e mediterrânica e Marrocos é a soma de tudo isso.

E o aspecto do vestuário é apenas um reflexo dessa mistura de influências e culturas. E nossa herança árabe-islâmica não é antinómica com a modernidade e permite uma mistura subtil entre as  nossas tradições culturais e a nossa abertura às  influências estrangeiras.

Sim, vamos celebrar o Dia da Mulher Africana, que nos remete para a necessidade da inclusão da mulher para acelerar a transformação da África, tal como definida na Agenda 2063, e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

O que nos pode dizer sobre a emancipação da mulher no Reino do Marrocos?

É importante destacar o papel de Sua Majestade o Rei, um grande defensor dos direitos da mulher. Logo após a sua ascensão ao trono, foi votada e adoptada uma reforma histórica do Código de Família. Marrocos foi um dos primeiros países árabes a empreender uma reforma tão corajosa.

Marrocos fez progressos significativos e reconhecidos, especialmente na constitucionalização do princípio da paridade a todos os níveis: civil, político, económico, social e cultural. Remeto-vos em particular para o Artigo 19 da Constituição.

A título de exemplo, recentemente foi aprovada uma nova lei que estipula que os conselhos de administração e os conselhos fiscais das sociedades anónimas cotadas em bolsa, devem ser compostas por pelo menos 30 por cento de mulheres até 2024 e pelo menos 40 por cento no horizonte 2027.

É evidente que ainda há um longo caminho a percorrer, porque as desigualdades persistem. Percorremos um longo caminho, mas há uma dinâmica social que se instalou para continuar a enfrentar os desafios.   

As relações políticas e diplomáticas entre Angola e o Reino do Marrocos remontam ao início do processo de Luta de Libertação Nacional dos Povos Africanos contra a dominação colonial. Angola assinala a 17 de Setembro deste ano o centenário de Agostinho Neto, um dos percursores deste movimento anti-colonial em Angola. Qual é a relação histórica de Neto com o Reino do Marrocos?

As relações entre Marrocos e Angola datam dos anos 60 do século passado, quando o falecido Sua Majestade o Rei Hassan II apoiou a luta dos nacionalistas angolanos. 

É importante notar que Marrocos foi o primeiro país a acolher o Pai e Fundador da Nação Angolana, Dr.Agostinho Neto, quando fugiu de Portugal com a  família em 1962. Marrocos prestou apoio logístico e deu formação aos combatentes angolanos, treinados no que se chamava, na altura, o Campo de Oujda. O número de combatentes foi de cerca de 300, segundo testemunhos de personalidades angolanas que me contaram muito sobre aquela época em que conheceram o meu país. Marrocos forneceu também passaportes diplomáticos aos nacionalistas angolanos para defender a causa da independência de Angola no mundo.

Marrocos acolheu também, em 1961, em Rabat, o 1º Congresso da União dos Estudantes das Colónias Portuguesas. Foi uma época em que as interacções, de um lado e do outro, eram muito densas e multiformes, testemunhas de um tempo em que a solidariedade africana encontrava a sua bela ilustração.Marrocos cumpriu bem o seu dever, para com os países irmãos que ainda lutavam pelas respectivas independências, apoiando Angola, e também muitos outros países africanos.

Quem é Saadia El Alaoui?

Responderei a esta pergunta dizendo que sou o fruto de uma mistura de culturas, que foi enriquecida pelo contacto com a cena internacional nas suas vertentes bilaterais e multilaterais, nos vários países onde vivi e trabalhei.

Venho de um país que se encontra na encruzilhada de dois continentes e dois mares, constituído por um mosaico de culturas e grupos étnicos que vivem em harmonia, numa simbiose única, ao mesmo tempo que está exposto a diversas influências.

Aprendi, preservando a minha identidade e o meu vinculo ancestral com a minha terra, a minha origem e a minha cultura, a navegar à vontade num contexto internacional, tirando da própria fonte dos meus valores a minha abertura e coexistência com o próximo. 

Em resumo, sou fundamentalmente aberta ao mundo e profundamente marroquina.


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